O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Que buscamos recuperar?


" A fala eterna e universal da Consciência Absoluta (Samadhi) não tem alfabeto. Os rais do seu SOL são imperceptíveis aos olhos da carne. Portanto, a dificuldade é imensa, e os esforços mais extenuantes para transmitir as coisas elevadas são sempre inadequados quando comparados com a EXPERIÊNCIA REAL". — Mouni Sadhu

 "A gente se defronta com as mais profundas dificuldades ao tentar tornar estes assuntos sutis perfeitamente compreensíveis à inteligência comum sem entrar em metafísica abstrusa e abstrata... Sei que quem quer pacientemente PONDERE estas ideias com TOTAL ISENÇÃO DE PRECONCEITOS, será por fim recompensado por um tênue reconhecimento de suas verdades e por uma tênue compreensão intuitiva do seu significado."- Paul Brunton - O Caminho secreto

"O principal propósito do ensinamento é atrair a alma para a investigação de seu próprio mistério e responder a perguntas que nascem perenemente na mente de quase todo homem e mulher sobre o problema de sua própria existência. A meta final é a emancipação da alma, que assim atinge a percepção de si mesma. —  Gopi Krishna

Recuperar a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de "percepção dos sentidos" é o que se chama iluminação.

A palavra iluminação transmite a ideia de uma conquista sobre-humana — e isso agrada o ego —, mas é simplesmente um estado natural de sentir-se em unidade com o Ser. É um estado de conexão com algo imensurável e indestrutível. Pode parecer um paradoxo, mas esse "algo" é essencialmente você e, ao mesmo tempo, é muito maior do que você. A iluminação consiste em encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma. 

A incapacidade de sentir essa conexão dá origem a uma ilusão de separação, tanto de você mesmo quanto do mundo ao redor. Quando você se percebe, consciente ou inconscientemente, como um fragmento isolado, o medo e os conflitos internos e externos tomam conta da sua vida. 

O maior obstáculo para vivenciar essa realidade é a identificação com a mente, o que faz com que estejamos sempre pensando em alguma coisa. Ser incapaz de parar de pensar é uma aflição terrível, mas ninguém percebe porque quase todos nós sofremos disso e, então, consideramos uma coisa normal. O ruído mental incessante nos impele de encontrar a área de serenidade interior, que é inseparável do Ser. Isso faz com que a mente crie um falso eu interior que projeta uma sombra de medo e sofrimento sobre nós. 

A identificação com a mente cria uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições, que bloqueia todas as revelações verdadeiras. Essa tela se situa entre você e o seu ser interior, entre você e o próximo, entre você e a natureza, entre você e Deus. É essa tela de pensamentos que cria uma ilusão de separação, uma ilusão de que existe você e um "outro" totalmente à parte. Esquecemos o fato essencial de que, debaixo do nível das aparências físicas, formamos uma unidade com tudo aquilo que é. 

Se for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico. Entretanto, quando a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva. Para ser ainda mais preciso, não é você que usa a mente de forma errada. Em geral, você simplesmente não usa a mente. É ela que usa você. Essa é a doença. Você acredita que é a sua mente. Eis aí o delírio. O instrumento se apossou de você. 

É quase como se algo nos dominasse sem termos consciência disso e passássemos a viver como se fôssemos a entidade dominadora. 

A LIBERDADE COMEÇA quando você percebe que não é a entidade dominadora, o pensador. Saber disso permite observar a entidade. No momento em que você começa a observar o pensador, ativa um nível mais alto de consciência. 

Começa a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência. Percebe também que todas as coisas realmente importantes como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz interior surgem de um ponto  além da mente. 

Você começa a acorda.

(...) A iluminação significa chegar a um nível acima do pensamento. No estado iluminado, continuamos a usar nossas mentes quando necessário, mas de um modo mais focalizado e eficiente. Assim, utilizando nossas mentes com objetivos práticos, não ouvimos mais o diálogo interno involuntário e sentimos uma serenidade interior. 

Eckhart Tolle — Praticando o Poder do Agora

Breves relatos do recuperado estado de Integrativa Consciência Amorosa 

Anoitecia; de repente, inundando o quarto, sentia-se uma grande manifestação de beleza, suavidade. Outros também o notaram. Jiddu Krishnamurti — 18/06/1961

E durante a noite, ao acordarmos, o sentimento continuava. A cabeça doía quando estávamos a caminho de tomar o avião, e em voo para Los Angeles. A purificação do cérebro é necessária. O cérebro é o centro de todos os sentidos; quanto mais afinados e atentos estiverem os sentidos, tanto mais vigilante estará o cérebro; ele é o centro da memória, o passado; é o depósito da experiência e do conhecimento, da tradição. Portanto, é limitado, condicionado. Suas atividades são planejadas, refletidas, raciocinadas, mas por funcionar dentro de limites, no tempo-espaço, não pode ele formular nem entender o que é integral, o todo, o absoluto. O absoluto, a totalidade é a mente; ela se acha vazia, e por causa deste vazio, o cérebro existe no tempo e no espaço. Ao purificar-se o cérebro do seu condicionamento, da avidez, da inveja, da ambição, poderá ele, então, compreender o que é integral. O amor é essa integridade. — Jiddu Krishnamurti — 19/06/1961

No carro, a caminho de Ojai, começou de novo a pressão e o sentimento de imensa vastidão. Não é que experimentássemos a vastidão; ela estava simplesmente ali; não havia centro em que a experiência ocorresse. Ou do qual ela surgisse. Os carros, as pessoas, os cartazes, tudo aparecia com surpreendente nitidez e a cor era dolorosamente intensa. A “coisa” durou mais de uma hora, e a cabeça continuava a doer muito.

O cérebro pode e deve desenvolver-se; esse desenvolvimento decorrerá sempre de uma causa, de uma reação, da violência para a não-violência, e assim por diante. O cérebro deixou de ser primitivo, mas, ainda que refinado, inteligente, ou técnico, permanecerá dentro dos limites do tempo e do espaço.

Ser anônimo é ser humilde; não consiste isso na mudança de nome, ou de vestuário, nem na identificação com o que pode ser anônimo, com um ideal, um ato heroico, a pátria, etc. Esse anonimato criou-o o cérebro, é um anonimato consciente; existe, porém, o anonimato que surge com a percepção do Absoluto. O Absoluto nunca se encontrará na área do cérebro ou da ideia. — JK — 20/06/1961


Ao acordarmos, às duas horas aproximadamente, sentimos uma estranha pressão; era uma dor mais aguda, mais no centro da cabeça. Durou cerca de uma hora e o sono foi repetidamente interrompido com a intensidade da pressão. E a cada vez o êxtase aumentava; era uma alegria constante. Mais tarde, sentados na cadeira do dentista, sentimos de novo aquela mesma pressão. O cérebro aquietou-se; palpitava, plenamente vivo; todos os sentidos estavam despertos; os olhos viam a abelha na janela, a aranha, os pássaros e as montanhas violáceas distantes. Viam tudo isso, porém o cérebro não registrava. A pressão e a dor eram intensas e o corpo deve ter adormecido. É essencial o autoconhecimento. A imaginação e a ilusão distorcem a clara observação. Existirá a ilusão sempre que houver a ânsia de prolongar o prazer ou de evitar a dor; o desejo de conservar ou de recordar experiências agradáveis e a fuga à dor, ao sofrimento, também gera a ilusão. Para que cesse a ilusão é preciso compreender o prazer e o sofrimento, mas não pelo controle ou pela sublimação, ou mesmo pela identificação e resistência.

A observação clara e precisa só é possível com a quietude do cérebro. E pode ele aquietar-se? Claro, mas só quando o cérebro, tendo atingido um estado de extrema sensibilidade, em que se torna incapaz de distorcer as coisas, se acha passivamente cônscio.

A pressão continuou por toda a tarde. — JK — 21/06/1961


Ao despertarmos, no meio da noite, experimentamos um estado de espírito de incalculável expansão; a própria mente era este estado. A “sensação” desse estado era despojada de todo sentimento, de qualquer emoção, porém muito concreta e real. Perdurou longo tempo; a pressão e a dor, em toda a manhã, foram intensas.

A destruição é essencial. Não de edifícios e coisas, mas de todos os mecanismos de defesa psicológica adotados pelo homem, dos seus deuses, das suas crenças, da dependência de cunho religioso, das experiências do conhecimento, etc. A criação só é possível quando tudo isto deixa de existir. Ela surge do estado de liberdade. Ninguém pode ajudar-nos a destruir essas defesas; isto só é possível através do autoconhecimento.

Reformas sociais ou econômicas acarretam mudanças superficiais de maior ou menor alcance, mas sempre dentro do limitado campo do pensamento. Para que ocorra a revolução total, o cérebro tem de renunciar à sua íntima e secreta estrutura de autoridade, de inveja, do medo, e assim por diante.

A força e a beleza de uma folha tenra de planta está em sua extrema vulnerabilidade. Como o capim que brota do calçamento, ela tem a virtude de suportar o aniquilamento. — JK — 22/06/1961

Não pertence ao indivíduo a capacidade de criar. Ela cessa de existir quando prevalece a individualidade, com suas aptidões, talentos, técnicas, etc. Criar é seguir o movimento da incognoscível essência do todo; a criação jamais exprime a parte.

Exatamente na hora em que nos deitamos, percebemos a presença do absoluto em il L(uma casa situada ao norte de Florença). Era uma benção que não invadia apenas o quarto, mas parecia espalhar-se por toda a terra, de ponta a ponta.

A pressão, com sua dor peculiar, persistiu a manhã toda. E, à tarde, ainda continuava.

Sentados na cadeira do dentista, olhávamos pela janela, vendo, além da cera, a antena de TV, o poste telegráfico, as montanhas purpurinas. Não víamos apenas com os olhos, mas com a cabeça toda, como se a visão viesse da base do crânio, da totalidade de nosso ser. Foi uma experiência estranha em que não havia um centro, de onde se originasse a observação. As cores, a beleza e os contornos das montanhas sobressaíam muito.

Qualquer movimento do pensamento deve ser compreendido, uma vez que todo pensamento é reação, e a ação daí resultante só aumenta a confusão e o conflito. — JK — 23/06/2013

Como aconteceu em il L., lá estava aquela terna presença, aguardando pacientemente. Abençoada e penetrante, como o clarão de um relâmpago em noite escura.

Algo de estranho ocorria no organismo físico. Não era possível localizá-lo com exatidão, mas sentia-se uma ânsia, um impulso; não se tratava de projeção, nascida da imaginação. Sua existência tornava-se palpável sempre que estávamos quietos, sozinhos, sob uma árvore ou no quarto; surgia premente sempre que íamos recolher-nos. Ao escrevermos estas linhas, a pressão e a tensão continuavam, com sua dor habitual.

Como é fútil tentar exprimir estas coisas verbalmente! As palavras, por mais acuradas e precisas, não transmitem a realidade.

Há uma grande e inefável beleza em tudo isto. — JK - 27/06/1961


O estado místico (Consciência Integrativa Amorosa), está além das palavras e é altamente emocional. Mais do que isso, o princípio unificador que atua na iluminação dissolve as categorias semânticas aprendidas referentes ao "pensamento" VERSUS "sentimento" e à "razão" VERSUS "emoção". No estado místico, o intelecto e a intuição SE FUNDEM. Há uma FUSÃO do Insight com o instinto, que resulta NUMA NOVA CONDIÇÃO DE SER. Essa condição não é o estado desinteressado e eufórico comumente citado como "estar alto" ou "viajando"... Pode-se dizer que essa condição é holística; ela envolve todo o organismo. Para quem vivencia a libertação, a compreensão chega através da utilização de todos os canais da sensação e da percepção.

John White

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O curandeiro não "faz" ou "dá" algo ao paciente, mas ajuda-o a voltar para o Todo, para o caminho da "Unidade" com o Universo; neste "encontro" o paciente se torna mais completo, e isto é cura. Nas palavras de Arthur Koestler: "Não há linha divisória nítida entre a auto-reparação e a auto-realização". - Lawrence LeShan

Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)