O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Prontificação

O necessário estado de "Prontificação"

"O Estado de Supraconsciência impõe altas exigências ao aspirante. Isso significa que os vícios devem ser erradicados e as virtudes básicas, adquiridas. NÃO VAMOS NOS ENGANAR, estas são CONDIÇÕES. Se alguém ainda tiver inúmeras qualidades negativas e poucas virtudes (qualidades positivas), isso é apenas uma prova de que seus corpos sutis são brutos e suas vibrações, lentas e grosseiras. Como pode ele harmonizar-se com a pureza absoluta da Supra consciência?" (...) O Samadhi (Supraconsciência) não pode ser atingido por seres humanos imaturos, simplesmente porque eles não sabem e não querem saber nada sobre ele, uma vez que estão absorvidos pelos mundos inferiores, não como viajantes livres, mas como viajantes profundamente apegados ao falso brilho das grosseiras vibrações da vida material e por eles escravizados... Nada pode ajudá-los exceto o TEMPO, que flui incessantemente e aos poucos corrige suas falhas ao preço do sofrimento. (...) Se você começar a edificar o santuário interior dentro de si, como precursor ou "ANTE SALA" da Supraconsciência, a graça espiritual daqueles que já se estabeleceram nesse templo invisível da alma lhe será concebida. Eles o encontrarão no MOMENTO APROPRIADO, pessoalmente ou por correspondência, pouco importa. Mas então você saberá por experiência própria que, além das batalhas egoísticas, emocionais, econômicas, religiosas, sociais, raciais e políticas que estão sendo travadas no lado exterior das coisas (em outras palavras, do mundo), existe um porto seguro de paz inefável em que você pode lançar sua âncora (ou seja, a mente) e assim encontrar o repouso pelo qual todos os seres sonham, labutam e empenham-se em meio de seus sofrimentos.  — Mouni Sadhu


A agilidade e instrução intelectuais são coisas admiráveis e adornam o indivíduo, mas o orgulho intelectual levanta uma forte barreira entre ele e a vida superior que está sempre chamando por ele, conquanto silenciosamente. Os intelectuais orgulhosos se sentam em seus débeis pedestais e esperam ser adorados, quando existe a todo o tempo uma divindade habitando nas profundezas de seus corações, e que é a única digna de adorações. O eu intelectual eufuna-se como um orgulhoso pavão diante dos olhares do mundo; mas o verdadeiro gerador de seus talentos e criador de seus feitos, o ser que o satura do princípio de vida e assim lhe permite existir, se satisfaz plenamente com o permanecer em segundo plano, ignorado e despercebido dos homens. 

A mais difícil das tarefas é a gente humilhar-se até a realização de sua própria pequenez, ignorância e vaidade. Contudo, a maior das conquistas nesse sentido conduz diretamente ao encontro da vida divina que Cristo prometeu a todos os que perdessem a vida pessoal. 

Para compreender estas coisas, não necessitamos de conhecimento e cultura de alta mentalidade. Os simples, os rudes e os primitivos podem assimilá-las prontamente por um ato de fé e oração, e podem mais facilmente assumir a atitude de reverência. 

Quando nos aproximarmos do Super-eu pelo caminho da auto-pesquisa, os sazonados estudos do filósofo pouco o avantajam do homem comum. Não porque tais estudos não tenham valor; ao contrário, servem para treinar a mente em úteis hábitos de abstração, concentração e profundeza. É por engendrarem o orgulho da erudição e o egoísmo da auto-importância que levantam obstáculos na verdadeira senda. Não constitui problema para muitos o domínio de uma dúzia de diferentes sistemas filosóficos; contudo, bem mais difícil é o domínio do orgulho pessoal. A humildade vem mais facilmente para os iletrados e ignorantes, pois estão conscientes de suas inferioridades mentais e sociais. E a humildade é condição essencial em cada etapa do Caminho Secreto

Os grandes segredos elementares da vida são tão simples que poucos são os que os vêem. São os indivíduos e os intelectos complicados, e não a vida. Portanto digo: Guardai em vosso coração e retende em vossa mente o admirável enunciado de Jesus: "A não ser que vos tornais como uma criancinha, não entrareis no reino do céu". São necessárias tremendas especulações teológicas para compreender as verdades simples do Espírito. 

Até aqui todos os esforços do estudante por encontrar o verdadeiro eu foram positivamente dirigidos, e pessoalmente desejados, conscientes e voluntários. Ele se acha agora quase no ponto em que deve haver uma completa reversão de processos, em que a personalidade deve cessar de quaisquer esforços ulteriores, pois atingiu o fim de sua tarefa. 

Todo o processo de meditação consiste simplesmente em selecionar dentre a multidão de ideias um tema superior de auto-indagação, em pensar firmemente tão-só nesse tema e em nada mais. Depois, uma vez desenvolvidas fortemente a atitude e a qualidade da concentração, o estudante abandona mesmo esta linha de reflexão, recolhe-se em seu interior e pergunta quem é que está pensando. Ele não se esforçará por obter uma resposta por meio da reflexão no Pensador; mas começará por deixar que todos os pensamentos se desvaneçam, e por ficar sua atenção em tornar-se apercebido deste ser, quer foi encoberto pela cortina de intermináveis pensamentos. 

Durante esta pausa, que segue à sua indagação silenciosa, ele deve suspender seus pensamentos de sorte a poder adotar uma atitude de "escutar" uma resposta.(...) A chave para uma correta compreensão desta etapa está em lembrar que o que mais importa agora é a reação subconsciente ao esforço consciente do estudante. A prática consciente da quietude mental foi útil no aguçamento da atenção; é como tocar a campainha de uma porta; agora o estudante deve aguardar que o subconsciente apareça. Que não se superexcite nem se estafe; que dê ao Super-eu algum crédito de inteligência e iniciativas próprias.

O estudante pode passar por um período em que não venha nenhuma resposta, em que apenas o "vazio nada" reine supremo dentro de sua alma. Antes que possa abandonar estar "terra de ninguém" da alma, pode acolhê-lo num sentimento de intensa solidão. Não obstante, essa fase passará, finalmente. Se não estiver preparado para exercer a paciência durante a sua preparação silenciosa para esta revelação, ele frustrará qualquer possibilidade de sucesso.

É importante a paciência. Devemos aguardar humildemente a revelação do Infinito que está dentro de nós. Enquanto não soar essa hora sagrada, somos uns pobres órfãos. Aqueles que introduzem qualquer elemento de impaciência em seu período de quietude mental, apenas levantam obstáculos a si mesmos.

Daqui em diante deve o estudante atentar cuidadosamente para os primeiros sinais e indícios confirmatórios de que ele está no caminho certo para as primeiras e pálidas provas dos estremecimentos de seu mais profundo eu interno. Esses sinais e indícios são mostrados pela alma, porém, frequentemente ou são mal interpretados ou simplesmente passam despercebidos. No princípio nos vem suavemente, como o despontar do sol da aurora atravessa as trevas noturnas, tão suaves que parecem quimeras, vãos pensamentos ou imaginação da própria mente. Será, entretanto, um grave erro em rejeitá-los! A voz de nosso Super-eu sopra num sussurro discreto e temos de escutá-la atentamente se quisermos ouvi-la; os estremecimentos mais imperceptíveis do coração devem receber atenção plena e sustida para serem acolhidos com respeito e veneração dignos, como embaixadores de um reino superior. Esses mensageiros são os arautos de grande força dinâmica que se transvasará e interpenetrará nosso corpo com um poder celestial.

Paul Brunton - O Caminho Secreto

Sobre o prontificado estado de IDONEIDADE RECEPTIVA

Nunca homem algum curou outro homem.

Nunca remédio algum curou alguém.

Nunca nenhum canal forneceu água para outro canal.

Somente a Fonte do Uno pode fornecer água, SEM ou ATRAVÉS de canais do Verso. Vida e Saúde são atributos exclusivos do Cosmos, do Uno, do Infinito. Se há falta de vida ou saúde no homem, a falta não é do cosmos, mas do homem. O cosmos é imparcial, não falha jamais, não tem preferências nem favoritismos para com ninguém. O médico, o psiquiatra, o curador não podem remover o obstáculo creado pelo doente; mas pode servir de seta indicadora na encruzilhada; podem funcionar como CATALISADORES. Catalisador, na química, é uma substância cuja simples presença faz com que o fator catalisante se modifique a si mesmo. O catalisador é algo parecido com o GURU, o mestre espiritual, cuja simples presença dinâmica beneficia o discípulo. Aura, fluído, graça — palavras usadas por Paul Brunton, por Mouni Sadhu e por muitos outros, para designar a atuação misteriosa que um verdadeiro mestre irradia sobre certos discípulos quando devidamente sintonizados. Dissipam-se as dúvidas, amainam as tempestades, serenam as angústias, em face do poderoso catalisador. 

 Esta presença catalisante, porém, deve ser uma presença qualitativa, e não simples presença física do mestre. Deve ser uma presença cosmo-dinâmica, cristo-dinâmica, que se origina por uma cosmo-consciência de alta voltagem, do tipo "eu e o Pai somos um, o Pai está em mim, e eu estou no Pai". O catalisador não age pelo que DIZ, FAZ, PENSA ou QUER conscientemente, em ato, mas, sim, pelo que ele É extraconscientemente, em atitude. A sua atuação catalítica provém do seu íntimo SER, e não do seu externo FAZER. Esse intimo ser revela-se como AURA, FLUÍDO, VIBRAÇÃO, GRAÇA, vibrações não acessíveis aos sentidos nem ao intelecto do homem profano. Estas vibrações — "a graça do mestre" — atuam poderosamente sobre as pessoas que possuam a necessária IDONEIDADE RECEPTIVA. 

"Quando o discípulo está pronto, então o mestre aparece". 

Huberto Rohden - Cosmoterapia: a cura dos males humanos pela Consciência Cósmica


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O curandeiro não "faz" ou "dá" algo ao paciente, mas ajuda-o a voltar para o Todo, para o caminho da "Unidade" com o Universo; neste "encontro" o paciente se torna mais completo, e isto é cura. Nas palavras de Arthur Koestler: "Não há linha divisória nítida entre a auto-reparação e a auto-realização". - Lawrence LeShan

Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)