O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Anonimato

"Não se atreva a contar a ninguém sobre as suas experiências (quanto a retomada da Perene Consciência), a menos que tenha um amigo que esteja MAIS desenvolvido que você, mas já que é muito difícil se conseguir isso, o melhor procedimento é o silêncio completo. O que pode advir de bom do fato de de você gabar-se diante dos outros? Com certeza você não os levará ao mesmo ponto a que possivelmente chegou. Pelo contrário, é seguro que o resultado lhe trará muita amargura. Você poderia ser submetido a muito escárnio, depreciação, comentários maliciosos, suspeitas de ser um impostor e, com muita frequência, o oculto, porém agudo, ciúme por parte daqueles que são incapazes de experimentar estados semelhantes ao que você experimentou. Lembre-se das palavras de Cristo: "Não lanceis pérolas aos porcos..."Nesse período do seu desenvolvimento, tudo depende de você mesmo: de sua seriedade e disposição para avançar, não apenas em seu próprio benefício, mas também porque todo homem que vai além da massa da humanidade puxa o todo um pouco junto consigo, embora nunca possa perceber esse fato. Mas assim ensinaram todos os Mestres, dos mais velhos Rishis e Sabtos a Sankaracharya e Ramana Maharshi. Eles sabem melhor. - Mouni Sadhu

Um dos empecilhos ao viver criador é o medo; e a respeitabilidade constitui manifestação desse medo. Os indivíduos respeitáveis, moralmente agrilhoados, não conhecem o integral e o verdadeiro significado da vida. Estão encerrados dentro dos muros da sua virtude.(1)

A anulação do conhecimento é o começo da humildade. Só a mente humilde pode compreender o que é verdadeiro e o que é falso e, assim, evitar o falso para seguir o verdadeiro. Mas a maioria de nós quer abeirar-se da vida com o conhecimento (…) Esse conhecimento se torna nosso background, nosso condicionamento; ele nos molda os pensamentos e faz-nos ajustar-nos ao padrão do que foi.(2)

Se desejamos compreender qualquer coisa, devemos chegar-nos a ela com humildade; e é o conhecimento que nos faz “não-humildes”. Não sei se já notastes que, quando sabeis, deixais de examinar o que é. Se já sabeis, não estais vivendo, absolutamente. A mente que desfaz tudo o que acumula (…) só essa mente é capaz de compreensão; pois, para a maioria de nós, o conhecimento se torna a autoridade, o guia que nos mantém dentro do santuário da sociedade, dentro das fronteiras da respeitabilidade.(3) 

Porque é a autoridade do conhecimento que nos dá arrogância, vaidade, e só pode haver humildade quando essa autoridade é expulsa, não em teoria, porém realmente, a fim de que possa aplicar-me a todo esse complexo processo da existência com uma mente que não sabe.(4) 

Psicologicamente, terminar o conflito é “ser nada”; e a maioria de nós tem medo de enfrentar o “ser nada” - literalmente nada. Mas, afinal de contas, que sois vós? Que são todos os VIPs - a gente muito importante? Tirem-se-lhes os títulos, as posições, as condecorações, todas essas bugigangas, e eles ficam reduzidos a nada.(5)

Mas, o estar cônscio de ser nada significa ser alguma coisa. Ser nada é um estado que não pode ser provocado; esse estado só se conhece havendo amor. Mas o amor não é uma coisa que possa ser procurada; ele vem quando há em nós uma revolução interior, quando o “eu” já não é importante, já não é o centro da nossa existência.(6)

Quando um guru diz que sabe, ele não sabe. Quando um guru oriental, ou um homem do ocidente, diz: “Eu alcancei a iluminação”, então você pode estar certo de que ele não é um iluminado; a iluminação não é para ser alcançada. Ela não é algo que você consegue passo a passo, como se estivesse subindo uma escada. A iluminação não está nas mãos do tempo. (…) A compreensão de “o que é” é imediata.(7)

Só quando, interiormente, você é “como nada”, por ser um ente livre, encontra-se a possibilidade de não se fazer uso da desigualdade para engrandecimento próprio, para implantar a ordem e a paz. Mas “ser como nada” não é uma simples frase; (…) e isso só é possível quando a mente não está entregue ao “vir-a-ser”.(8)

Mas há um “não sei”, um estado de não saber, de significado completamente diferente. Até agora existiram sempre o pensador e o pensamento. Você diz “não sei”, mas na verdade está esperando saber. Quando, afinal, você o sabe, o que veio a saber será acrescentado aos conhecimentos que você já acumula, e estará apto a responder prontamente, na próxima vez que lhe fizerem a mesma pergunta. Assim, seu “não sei” é, realmente, processo de acumulação.(9)

Ora, há um “não sei” que é completamente diferente, no qual não há pensador nem acumulação de pensamento. Trata-se de um fato: você não sabe. E, para a maioria de nós, esse estado de não saber é um tanto assustador. Realmente nunca dizemos “não sei”; há sempre essa vaidade de saber, o sentimento de “superior e inferior”, etc. Mas quando dizemos “não sei”, sem nenhuma tendência para desejar ou esperar saber, não há então pensador nem pensamento. Esse é um estado de completa negação. Nesse estado de negação, pode-se olhar negativamente o inconsciente, o total conteúdo da consciência. Não há então condicionamento, nem conflito entre pensador e pensamento; por conseguinte, a mente está fresca, jovem, nova, viva.(10)

Quando uma pessoa está cônscia de que é virtuosa, torna-se respeitável; a pessoa respeitável nunca poderá achar o que é real.(11)

Só pode haver cooperação quando você e eu somos “o mesmo que nada”. (…) Que significa esse estado de nulidade? Só conhecemos o estado de atividade do “eu”, (…) egocêntrico. Esse estado, evidentemente, cria malefícios, infelicidade, agitação, confusão e falta de cooperação.(12)

Você tem de começar como se nada soubésse, pois só assim realizará um descobrimento fecundo e libertador; só assim encontrará, com o seu descobrimento, a felicidade e a alegria.(13)

Afinal de contas, nós nos conformamos porque somos ignorantes e sentimos medo; mas não é um fato que o não-saber é essencial para que se manifeste o desconhecido?(14)

Esse estado de criação só se manifesta quando o “eu”, que é o processo do reconhecimento e da acumulação, deixa de existir; porque, afinal de contas, a consciência como “eu” é o centro do reconhecimento (…) Mas temos medo de ser nada, porque todos desejamos ser alguma coisa. O homem pequeno quer ser um grande homem, o não-virtuoso quer ser virtuoso, o fraco e obscuro aspira ao poder, à posição, à autoridade.(15)

É estranho como ninguém jamais diz: “não sei”. Para que possamos realmente dizer e sentir isso, é preciso haver humildade; mas ninguém admite o fato de nada saber. É a vaidade que busca o conhecimento. (…) Porém, ao reconhecermos a nossa ignorância a respeito de alguma coisa, interrompemos o processo mecânico do saber.(16)

Mas, interiormente (…) queremos ser alguém, na família, num grupo, na sociedade, na nação. Ambicionamos o poder. Não nos contenta ser nada, porque somos arrastados pelo desejo de estimulantes externos, de aparato exterior, porque interiormente estamos vazios - e isso nos horroriza. Por essa razão, vivemos a amontoar posses (…) E é justamente quando nos contentamos em “ser nada”, quando nos contentamos com o que é, o que requer uma compreensão extraordinária de todas as vias de fuga, só então haverá paz.(17)

Precisamos romper o nosso condicionamento e ser como nada. Temos medo de não ser nada, e por essa razão nos evadimos, alimentando assim o nosso temor com a avidez, o ódio e a ambição. O problema não é a maneira de nos defendermos, mas, sim, (…) de transcendermos o desejo de expansão pessoal, o anseio de vir a ser. Só os indivíduos que abandonarem as suas paixões, seus anseios de fama e imortalidade pessoal, poderão concorrer para uma paz e uma felicidade fecundas.(18) 

Existe o desejo de ser pessoa importante, mundanamente, espiritualmente. É possível atingirmos e desarraigarmos essa coisa, para nunca mais seguirmos um guia, não termos mais o sentido de nossa própria importância, não desejarmos mais ser alguém (…)? Podemos ser ninguém, mesmo quando a corrente de existência esteja toda a mover-se em sentido contrário e a impelir-nos (…) a nos tornarmos alguém? (…) E é possível nos libertarmos desse espírito de competição (…) instantaneamente (…)?(19)

Você não é ninguém; mas quando diz que é budista, é alguém. Isso lhe dá colorido. Conseqüentemente, o seu desejo de ser alguém, (…) de identificar-se com algo que é grande, lhe condiciona. Por certo, ser o que é, constitui o começo da virtude; o contentamento é a compreensão do que é.(20)

Você é nada. Pode ter seu nome e seu título, propriedades e depósitos nos bancos, pode ter poder e fama; todavia, apesar de todas essas defesas, é o mesmo que nada. Você pode não estar perfeitamente cônscio desse vazio, desse nada, ou pode simplesmente não desejar estar cônscio dele; ele existe, entretanto, não importa o que você faça para evitá-lo.(21)

Quanto maior a ostentação exterior, maior a pobreza interior, mas a libertação desta pobreza não é a tanga. A causa do vazio interior é o desejo de vir a ser; e tudo o que fizermos nunca será capaz de encher este vazio. Você pode fugir dele de maneira rudimentar ou requintada; ele continuará, porém, tão perto de você como a sua sombra. (…) Com suas atividades interiores e exteriores, procura o “eu” enriquecimento, que ele chama experiência.(22)

O “eu” não suporta o anonimato; poderá cobrir-se com um manto novo, tomar um nome diferente; a identidade, entretanto, é sua própria essência. (…) Todo esforço do “eu” no sentido de ser ou não ser é um movimento para longe do que é. Separado do seu nome, seus atributos, idiossincrasias e posses, que é o “eu”? (…) Existe ainda o “eu”, se lhe são retiradas as suas qualidades? É o medo de ser nada que impele o “eu” à atividade, mas ele é nada, ele é um vazio.(23)

Se formos capazes de enfrentar esse vazio, de ficar em companhia daquela solidão dolorosa, então o medo desaparecerá completamente e ocorre uma transformação fundamental. Para que isso possa acontecer, precisamos conhecer aquele estado de ser nada, o que não é possível se existe o experimentador. O conhecer o que é, sem lhe dar nome, é que traz a nossa libertação do que é.(24)

Toda a nossa educação (…) está baseada no cultivo do temor. Você deseja ser alguém; do contrário, não é ninguém; por isso, luta, compete e se destrói. Só o homem que não tem medo é ninguém. Ser ninguém é que é a verdadeira educação. Há o espírito do anonimato nas grandes coisas da vida criadora. A verdade é anônima.(25)

Eis o que todos queremos; (…) aspiramos a ser grandes homens. A grandeza consiste em ter publicidade, ter o nome nos jornais, exercer autoridade sobre outros, impor-lhes obediência graças a uma vontade forte, (…) uma mente astuciosa? Ora, sem dúvida, a verdadeira grandeza é coisa muito diferente.(26)

Grandeza é anonimato, e ser anônimo é a maior das coisas. As grandes catedrais, as grandes coisas da vida, as grandes esculturas, são obras anônimas. Não pertencem a ninguém, em particular, tal como a Verdade. A Verdade não pertence nem a vós, nem a mim; ela é de todo impessoal e anônima. Se você afirma possuir a Verdade, não é então anônimo, e é muito “mais importante” do que a Verdade. Mas uma pessoa anônima pode não ser, jamais, um grande homem.(27)

Provavelmente nunca será um grande homem, porque não deseja ser grande, no sentido mundano ou mesmo no seu mundo interior, - porque ele é ninguém. Ele não tem seguidores. Não tem santuários e não anda cheio de vento. Infelizmente, porém, nós, em geral, queremos encher-nos de vento, ser grandes, conhecidos, ter muito sucesso. O sucesso conduz à fama, mas a fama é coisa vazia (…) É só cinzas. Todo político é muito conhecido; seu ofício é fazer-se conhecido, e, portanto, ele não é grande. A grandeza está em ser desconhecido, ser nada, tanto interior como exteriormente; e isso exige muita penetração, (…) compreensão e afeição.(28)

O que geralmente chamamos de criatividade é o que é feito pelo homem: pintura, música, literatura, (…) arquitetura (…) tecnologia. (…) Muitas coisas feitas pelo homem são muito belas; (…) e nós não sabemos nada das pessoas que as construíram. Mas agora, entre nós, o anonimato quase que desapareceu. Com o anonimato há uma espécie diferente de criatividade, não baseada no sucesso, no dinheiro.(29)

Afinal de contas, que é você?

A maioria de nós aspira à satisfação de ocupar certa posição na sociedade, porque temos medo de ser ninguém. A sociedade é formada de tal modo que o cidadão que ocupe posição respeitável é tratado com toda cortesia (…) Esse anseio de posição, de prestígio, de poder, de ser reconhecido pela sociedade como pessoa de destaque, representa desejo de dominar os outros, e esse desejo de domínio é uma forma de agressão. (…) E qual é a causa dessa agressividade? O medo, não?(30)

O marajá gosta de mostrar que é algo, ostentando seus carros, seus títulos, sua posição, suas riquezas. (...) Você deseja também mostrar que é “alguma coisa” entre seus colegas de classe.(31)

Se você é interiormente rico, não sente nenhuma necessidade de se ostentar, porque essa riqueza é bela em si mesma. Mas visto temermos a nossa pobreza interior, assumimos ares importantes. Assim faz o “sannyasi”, assim fazem os primeiros-ministros e os ricos. Tire deles o poder, o dinheiro, a posição, e veja como ficam sem brilho, estúpidos, vazios!(32)

Todos nós, velhos e jovens, desejamos ser altamente respeitáveis (…) Respeitabilidade implica reconhecimento por parte da sociedade; e a sociedade só reconhece o que teve êxito, o que se tornou importante, famoso, e despreza o resto. Por isso, adoramos o êxito e a respeitabilidade. E quando pouco lhe importa se a sociedade lhe considera respeitável ou não, quando você não busca êxito, não deseja se tornar alguém, existe então intensidade - e isso significa que não existe medo, nem conflito, nem contradição, interiormente; por conseguinte, você dispõe de abundante energia para acompanhar o fato “até o fim”.(33)

Sabem o que a palavra “respeitabilidade” significa? Vocês são respeitáveis quando são considerados (…) pela maioria (…) E o que a maioria das pessoas respeita (…)? Respeitam as coisas que elas mesmas desejam e que projetaram como meta ou ideal; (…). Se você é rico e poderoso, ou tem grande reputação política, ou escreveu livros de sucesso, você é respeitado pela maioria.(34)

Um dos empecilhos ao viver criador é o medo, e a respeitabilidade constitui manifestação desse medo. Os indivíduos respeitáveis, moralmente agrilhoados, não conhecem o integral e verdadeiro significado da vida. Estão encerrados dentro dos muros da sua virtude, nada podem enxergar além deles.(35)

Sua “moralidade de vidraças coloridas”, com base em ideais e crenças religiosas, nada tem em comum com a realidade; e, quando atrás delas se abrigam, estão vivendo no mundo das próprias ilusões. A despeito da moral pessoalmente imposta, e com que se comprazem, as pessoas respeitáveis acham-se também em confusão, sofrimento e conflito.(36)

A respeitabilidade é um flagelo, um mal que corrói a mente e o coração. Insinua-se furtivamente; destrói o amor. Ser respeitável é sentir-se vitorioso, é talhar para si mesmo uma posição no mundo, construir em torno de si uma muralha de segurança, daquela segurança que vem com o dinheiro, o poder, o sucesso, e a capacidade ou a virtude. Este isolamento arrogante gera ódios e antagonismos nas relações humanas que constituem a sociedade.

Os homens respeitáveis são sempre a nata da sociedade, e, como tais, causadores de conflitos e sofrimentos. (…) Estão sempre na defensiva, cheios de medo e de suspeitas. O medo habita-lhes os corações, e por isso a indignação é sua virtude. A virtude e a piedade são suas defesas. (…) Os homens respeitáveis nunca podem estar abertos para a Realidade, (…). A felicidade lhes é negada porque evitam a Verdade.(37)

Se quisermos criar uma sociedade sã e feliz, precisamos principiar por nós, (…). Em lugar de conferirmos importâncias a nomes, rótulos e termos, geradores de confusão, devemos desembaraçar a mente de tudo isso.(38)

Os títulos, sejam títulos espirituais, sejam títulos mundanos, são meios de explorar os outros. (…) É só isso que você faz; não percebe que é, você mesmo, explorado e que portanto cria o explorador (…). Vivemos sob a influência de títulos, de palavras, de frases, destituídos de significação; eis porque interiormente estamos vazios e sofremos.(39)

Somos entes humanos, não separados por nomes e rótulos. Quando os rótulos se tornam mais importantes do que tudo o mais, ocorre a divisão, e lá vêm as guerras e outros choques.(40)

Os rótulos parecem dar satisfação. Aceitamos a categoria a que supostamente pertencemos, como uma explicação satisfatória da vida. Somos adoradores de palavras e de etiquetas; parecemos nunca ultrapassar o símbolo, (…). Intitulando-nos isto ou aquilo, seguramo-nos contra futuras perturbações, e quedamo-nos satisfeitos.(41)

Aquele que busca a verdade é um homem religioso e não tem necessidade de etiquetas, tais como “hinduísta”, “muçulmano”, “cristão”. (…) Se tivéssemos amor, (…) caridade em nossos corações, não faríamos o menor caso de títulos (…). Porque os nossos corações estão vazios, enchem-se de coisas pueris (…). Francamente, isso é falta de maturidade.(42)

Se você fosse realmente sensato, pouco lhe importaria o nome que lhe dessem; não veneraria os rótulos. Mas rótulos, palavras, se tornam coisas importantes quando o coração está vazio.(43)

Para sermos entes humanos amadurecidos, precisamos nos desfazer desses brinquedos absurdos, que são o nacionalismo, a religião organizada, o seguir alguém, política ou religiosamente. Se você tem verdadeiro interesse nisso, então, naturalmente, se libertará de todos os atos infantis, de adotar determinados rótulos: nacionais, políticos ou religiosos; e só então teremos um mundo pacífico.(44)

Afinal de contas, os títulos, as posições, os diplomas, as riquezas, são utilizados como meios (…) de sobrevivência psicológica, de certeza, de segurança psicológica. E enquanto estivermos à procura de segurança psicológica, através das coisas, tem de haver disputa em torno das coisas.(45)

Não há compreensão no culto das personalidades. Os rótulos que você adora carecem de significação. Bem sei que (…) a verdade nada tem que ver com as personalidades mesquinhas e tirânicas que adorais, (…). A verdade transcende todas as graduações, porquanto essas graduações só existem por causa das limitações humanas.(46)

Afinal de contas, se você tirar o nome, o título, a propriedade, os seus diplomas de B.As e M.As, que resta de você? Perde toda a importância, (…). Sem a sua propriedade, sem suas medalhas, etc., você não é nada.(47)

Reflitamos juntos. Por que desejam as pessoas ser famosas? Em primeiro lugar, porque é vantajoso (…); e, também, porque proporciona muito prazer, (…). Se você é conhecido em todo o mundo, se sente importante, (…) imortalizado. Você deseja ser famoso, conhecido e falado no mundo inteiro, porque interiormente não é ninguém.(48)

Interiormente, nenhuma riqueza você possui, (…) e, por isso, deseja ser conhecido no mundo exterior. Mas, se você é rico interiormente, então pouco lhe importa ser conhecido ou desconhecido.(49)

Minha mente, percebendo a sua própria insuficiência, sua pobreza, se põe a adquirir posses, diplomas, títulos (…); e desse modo se fortalece no “eu”. Sendo o centro do “eu”, a mente diz: “Preciso me transformar” - e se põe a criar incentivos para si.(50)

Você pode ter todos os graus acadêmicos do mundo, mas, se não conhece a si mesmo, é extremamente estúpido. (…) Sem autoconhecimento, o cuidar meramente de colecionar fatos (…) é uma maneira muito estúpida de existir.(51)

Você pode ser capaz de citar o Bhagavad Gita, o Upanishads, o Alcorão e a Bíblia, mas, se não conhece a si mesmo, é tal qual um papagaio a repetir palavras.(52)

Psicologicamente, terminar o conflito é “ser nada”; e a maioria de nós tem medo de enfrentar o “ser nada” (…). Mas, afinal de contas, que é você? Que são todos os VIPs (very important people) - a gente muito importante?(53)

Tirem-lhes os títulos, as posições, as decorações, todas essas bugigangas, e eles ficam reduzidos a nada. E quer-me parecer que nós, a gente comum, também estamos tentando, de várias maneiras, nos tornar algo; mas, interiormente, não somos absolutamente nada. E por que não ser nada? Seja nada.(54)

É possível viver neste mundo sem ambição, apenas sendo o que você é? Se você começa a compreender “o que você é” sem tentar de mudá-lo, então “o que você é” sofre uma transformação. Eu penso que cada um pode viver neste mundo anonimamente, completamente desconhecido, sem ser famoso, ambicioso, cruel. Cada um pode viver muito feliz quando nenhuma importância é dada ao “eu” e isto também é parte de educação correta. O mundo inteiro adora o êxito! Ouvem-se histórias de como o rapaz pobre estudou a noite e eventualmente tornou-se um juiz, ou como começou vendendo jornais e acabou multimilionário. Somos alimentados na glorificação do sucesso. Com a conquista do sucesso existe também enorme sofrimento, mas a maioria de nós está presa ao desejo de vitória, e o sucesso é muito mais importante para nós do que a compreensão e a dissolução do sofrimento.(55)

Textos de Krishnamurti, extraídos de: Seleta de Krishnamurti
Fontes das citações:
(1) A Educação e o Significado da Vida, pág. 147)
(2) O Homem Livre, pág. 164
(3) O Homem Livre, pág. 165
(4) O Homem Livre, pág. 165
(5) O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 40-41
(6) Claridade na Ação, pág. 98
(7) Perguntas e Respostas, pág. 70
(8) As Ilusões da Mente, pág. 49
(9) O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 73
(10) O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 73
(11) Quando o Pensamento Cessa, pág. 219-220
(12) Quando o Pensamento Cessa, pág. 219-220
(13) A Arte da Libertação, pág. 27
(14) Nosso único Problema, pág. 49-59
(15) Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 25
(16) Diário de Krishnamurti, pág. 171
(17) Nós Somos o Problema, pág. 20
(18) O Egoísmo, e o Problema da Paz, pág. 98
(19) Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 224
(20) Nosso Único Problema, pág. 73
(21) Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 89
(22) Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 51
(23) Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 51-52
(24) Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 52
(25) As Ilusões da Mente, pág. 74
(26) Debates sobre Educação, pág. 160-161
(27) Debates sobre Educação, pág. 161
(28) Debates sobre Educação, pág. 161
(29) Perguntas e Respostas, pág. 47
(30) Liberte-se do Passado, pág. 37
(31) Debates sobre Educação, pág. 126
(32) Debates sobre Educação, pág. 126-127
(33) O Passo Decisivo, pág. 171
(34) O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 117
(35) A Educação e o Significado da Vida, 1ª ed., pág. 147
(36) A Educação e o Significado da Vida, 1ª ed., pág. 147-148
(37) Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 25-26
(38) Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 19
(39) Novo Acesso à Vida, pág. 45
(40) A Luz que não se Apaga, pág. 121
(41) Comentários sobre o Viver, pág. 172
(42) A Arte da Libertação, pág. 19-20
(43) A Arte da Libertação, pág. 20
(44) A Arte da Libertação, pág. 21
(45) Nós Somos o Problema, pág. 31
(46) Que o Entendimento seja Lei, pág. 5
(47) Da Insatisfação à Felicidade, pág. 36-37
(48) A Cultura e o Problema Humano, pág. 48
(49) A Cultura e o Problema Humano, pág. 48
(50) Claridade na Ação, pág. 107
(51) A Cultura e o Problema Humano, pág. 117
(52) A Cultura e o Problema Humano, pág. 117
(53) O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 40
(54) O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 54
(55) Krishnamurti 

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Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)