O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Onde está o homem que se libertou do ego?


Onde está o homem que se libertou do ego? Diante dele, precisamos curvar-nos com profunda reverência, com maravilhada admiração, com humildade contrita. Eis um indivíduo que descobriu seu verdadeiro eu, sua independência pessoal, seu próprio ser. Aí está, enfim, um homem livre, alguém que encontrou seu valor real num mundo de falsos valores. Aí está, enfim, realmente um grande homem, um homem verdadeiramente sincero.

Quem quer que chegue a esta realização se torna um sol humano que irradia iluminação, emana força e amor para todos os seres.

Será digno de ser chamado um sábio aquele que une em si maturidade no julgamento e na experiência, prudência na fala e na conduta, racionalização correta e conhecimento adequado, santidade humanizada e iluminação espiritual.

Na solitude da presença divina ele será sempre silenciosamente humilde. Na presença de seus semelhantes humanos, ele demonstrará, de forma incomparável, autodomínio, de forma tranquila, dignidade, e de forma sutil, autoridade. 

Possuir um halo espiritual não o faria mais feliz; ele não está interessado em ser visto como uma pessoa ‘espiritual’. Para ele, a espiritualidade não é uma característica especial e separada, mas algo que deveria ser o estado natural do ser humano. Consequentemente, ele considera o pensamento de que seja destacado por essa qualidade, ou que seja elevado por isso, como algo desinteressante para ele. 

Esse paradoxo é a situação extraordinária dele: aceita o ego, mas, ao mesmo tempo, o repudia. Embora tenha alcançado um nível divino, ele nunca será arrogante e pretensioso, sempre mantendo uma dignidade simples e natural. 

Assim como não há nenhuma virtude em ir dormir, nada para se orgulhar por isso, da mesma forma o sábio considera o fato de seu ser estar no Ser não menos natural do que isso, como nada a ser exibido diante dos outros. Isso parece uma humildade inapropriada para o mundo, mas será algo bem natural para ele.

Para o sábio, é fato de uma certeza total e cientificamente observável, o de que Deus existe, de que o ser humano tem uma alma, de que ele está aqui na Terra para unir-se a ela e o de que só poderá alcançar a felicidade verdadeira se seguir o bem e evitar o mal. 

Ele nunca poderia fazer de sua elevação espiritual um negócio comercial, nem uma carreira profissional remunerada. Quão diferente ele é desses líderes ambiciosos cuja motivação e pretensão de servir à humanidade é de fato uma fachada para o serviço ao próprio ego.

Tal sábio não possui inimigos, embora haja aqueles que o considerem assim. O ódio não pode penetrar no seu coração; a boa vontade em relação a todos é a fragrância em sua atmosfera. 

Aquele que encontrou seu eu genuíno não necessita de uma pose para o benefício de entusiásticos discípulos. Ele obtém a satisfação mais profunda somente em ser ele mesmo. O que os outros possam dizer louvando-o não poderá acrescentar mais nada ao prazer que sua consciência mais elevada lhe traz.

As limitações do Intelecto


É verdade que nenhum ser humano poderá chegar á verdade sobre Deus através de seu próprio pensamento, o qual, meramente, é o pensamento do ego. Mas também é verdade que, através de uma penetrante, incisiva e persistente reflexão, ele poderá chegar á verdade que percebe as limitações do ego, as limitações do intelecto e, dessa maneira, saber o momento quando deverá suspender seus esforços, parando-os e entregando-os, através da meditação mística, ao seu lado não pensante de seu ser.

A ideia não é a realidade última, é somente uma manifestação de algo que é a realidade suprema, a qual parece ser uma abstração. Intelectualmente, assim ela deve ser por estar além do poder finito da mentalidade humana de concebê-la. Mas não estará além do poder de uma faculdade superior, latente em nós, de se ter a experiência dessa realidade – pelo menos por certo tempo. Só se saberá se isso é verdade ou não se o intelecto, humildemente, compreender suas próprias limitações e, em certo estágio e de forma voluntária, abrir mão de si mesmo. Na maioria dos casos, isso acontece prematuramente e, como consequência, surgem as decepções e alucinações que são comuns nos círculos místicos. No caso do místico filosófico, tal renúncia do intelecto só viria após o uso máximo do pensamento crítico e da razão analítica. Então, esse seria o momento apropriado para o suicídio do ego, já que, no final, ele será levado a essa mudança repentina. Talvez a afirmação de Jesus, “A não ser que te tornes criança não entrarás no reino dos céus,” seja aqui apropriada, se a compreendermos como um convite à entrega de todo o orgulho humano e não à sua estupidez. 

O pensamento chega ao seu propósito mais elevado quando ele leva ao seu próprio silêncio e a mente transcende todos os pensamentos. 

A mente continuará a ter dúvidas, a formular questões, a criar problemas e ilusões para si, como sempre o fez no passado. Quer dizer, fará isso até chegar à Verdade e descansar no Silêncio.

Ao nos dizer aonde o conhecimento deverá terminar e o mistério começar, ao ser forçado a descrever o Absoluto, nos dizendo o que Ele não é, e então confessar que não pode ir além, o intelecto entregará suas limitações e adquirirá a qualidade da humildade, que é a condição essencial para se receber a graça divina. 

As limitações do intelecto deverão ser reconhecidas, pois só então o ser humano estará pronto para tentar as técnicas filosóficas aonde as palavras são utilizadas para se elevar acima das palavras e os pensamentos direcionados de tal maneira que o aspirante poderá se retirar de todos os pensamentos. 

Corretamente usado, suas limitações compreendidas, suas distorções emocionais e egoístas descartadas, o intelecto poderá então capacitar ao ser humano a pensar corretamente. Dessa maneira, poderá trazer um efeito liberador; de outra forma, provavelmente terá um efeito corruptor.

Desenvolver o intelecto e então saber quando renunciá-lo, será se tornar seu mestre. Ele então terá cumprido seu propósito e servirá ao ser humano em vez de dominá-lo e assim o desequilibrar. 

A mente silenciosa recebe orientações espirituais e permite à Graça que se aproxime; a mente pensante lida com o mundo atendendo às suas atividades.

Paul Brunton – Notebook 5/2 – Capítulo 1
Fonte: Comunidade Facebook Paul Brunton em Português

Por que exercitar a escuta atenta?


Vá a um templo JAINA e você verá vinte e quatro estátuas dos TIRTÂNKARAS JAINAS — as pessoas que são como Jesus, Buda, Zarathustra — e você se surpreenderá: eles parecem ser exatamente o mesmo. Não é possível: você não pode encontrar vinte e quatro pessoas exatamente iguais. Nem JAINAS podem fazer a distinção de quem é quem. Eles não podem dizer quem é Mahavira e quem é Neminath e quem é Parshwanath e quem é o primeiro e quem é o último, porque eles parecem absolutamente iguais — os mesmos rostos, os mesmos narizes, os mesmos olhos, os mesmos corpos, a mesma posição. Para distinguir que eles são pessoas diferentes, os JAINAS descobriram os símbolos: o símbolo mostra um leão ou algo assim, que mostra de quem é a estátua. 

Por que eles a fizeram iguais? Certamente elas não são históricas. Elas são iguais porque os escultores jainas não estavam interessados na História, eles estavam interessados no FENÔMENO INTERIOR. Aqueles homens tinham atingido à MESMA EXPERIÊNCIA... — como representar isso? E como representá-lo em mármore? Eles atingiram à mesma IMOBILIDADE, ao mesmo CENTRAMENTO, ao mesmo FUNDAMENTO, à mesma CRISTALIZAÇÃO. Daí, as estátuas iguais — a mesma posição, o mesmo corpo representando algo do MUNDO INTERIOR — o mesmo estado espiritual, o mesmo SAMADHI. 

Você se surpreenderá sobre muitas coisas, ao olhar aquelas vinte e quatro tirtânkaras e suas estátuas. Você verá que suas orelhas são muito grandes, seus lóbulos encostam-se nos ombros. Você não encontrará orelhas assim. Isso representa algo: diz que aquelas pessoas atingiram seu supremo estado de consciência PELO OUVIR ABSOLUTO — ouvir as canções dos pássaros, ouvir o vento passando entre os pinheiros, ouvir o som das águas, ouvir silenciosamente TUDO QUE VAI ACONTECENDO AO SEU REDOR. 

Ouvir era o método deles. Assim como o método budista é o de observar a respiração, o método JAINA é o de ouvir os sons. Ouvir corretamente é o suficiente. Se a pessoa puder ouvir SEM O TAGARELAR INTERIOR DA MENTE, se a mente tornar-se completamente calma... este cão latindo lá longe, ou o pássaro piando. Se você puder apenas ouvir SEM PENSAR, sem pensar nem que "o cão está latindo", "os passarinhos estão piando", APENAS OUVIR SEM NENHUM PENSAMENTO, SEM QUALQUER INTERPRETAÇÃO, você atingirá cada vez mais e mais profundos reinos de silêncio: atingirá à suprema consciência. 

Qualquer espécie de consciência alerta conduz ao Supremo. Ora, a consciência alerta pode vir dos sentidos, de qualquer um dos cinco. Você poderá ouvir música e funcionará... pode ouvir qualquer coisa e funcionará. Pode olhar as nuvens e o pôr-do-sol e os pássaros voando no espaço e, ao ver, funcionará. O único ponto a ser lembrado é este: SUA MENTE NÃO PODE FUNCIONAR — seus sentidos não podem ficar anuviados pela mente. 

Para representar isso, as longas orelhas. Ora, como representar em mármore o método de ouvir? Esta é uma bela representação. Mas há tolos eruditos jainas, tão tolos quanto os cristãos, que pensam que todo tirtânkara tem aquelas longas orelhas — sem as tais longas orelhas, não pode ser um tirtânkara. Tirtânkara quer dizer exatamente o mesmo que Buda, ou Cristo — essa é a terminologia jaina. Isso é estupidez, falta de compreensão, abordagem nada compreensiva. E depois, isso pode ser cristalizado muito facilmente. 

OSHO

O iluminado é livre para escolher como servir


É um erro acreditar que todos os adeptos místicos possuem os mesmos e invariáveis poderes supranormais. Pelo contrário, eles manifestam o poder ou poderes que estejam de acordo com sua linha anterior de desenvolvimento e aspiração. O indivíduo que tenha vindo ao longo de uma linha intelectual de desenvolvimento, por exemplo, manifesta mais naturalmente poderes intelectuais excepcionais. A situação foi bem apresentada por São Paulo na primeira epístola aos Coríntios: “Há uma diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há uma diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há uma diversidade de trabalhos, mas Deus que tudo trabalha em todos é o mesmo.” Quando o Eu Superior ativa a recém-criada psique do adepto, o efeito se revela em alguma parte ou faculdade; em outro adepto produz efeito diferente. Assim, a fonte é sempre a mesma, mas a manifestação é diferente.
 
Será necessário dar a certos termos uma definição mais clara, pois, com frequência, são erradamente usados de forma alternada e confusa. O SANTO realizou com sucesso disciplinas ascéticas e regimes purificatórios com propósitos devocionais. O PROFETA ouviu as palavras de Deus e comunicou Sua mensagem de predição, advertência ou aconselhamento. O MÍSTICO experimentou intimamente a visão da cosmogonia de Deus enquanto esteve concentrado em meditação. O SÁBIO alcançou os mesmos resultados de todos esses três, adicionou a isso um conhecimento sobre a realidade eterna e infinita e levou todas as coisas a uma união equilibrada. O FILÓSOFO é um sábio que também se engaja na educação espiritual dos outros.
 
Aquele que alcançou alguma medida de conhecimento não está obrigado a servir à sua época dentro de qualquer forma rígida específica. Ele realizará sua tarefa de acordo a nenhuma regra ou regulamentos, mas dentro de suas circunstâncias e oportunidades pessoais e as relacionará como possa às necessidades de seu meio. Ele é livre para escolher a maneira de como servir assim como é livre para escolher aqueles que pessoalmente ajudará. Dessa maneira, estará completamente justificado para estabelecer seu próprio método de trabalho e não cegamente seguir o que seus críticos impingem sobre ele.
 
O sábio é tanto uma criatura de sua época e herdeiro de sua herança histórica como o é os outros, pois terá de se expressar numa língua que possa ser compreendida. Entretanto, se a algumas almas iluminadas lhes é dada uma missão para impulsionar o mundo para os ideais mais elevados, outros não sentirão tal obrigação e permanecerão quietos ou mesmo obscuramente reclusos.
Não há nenhuma obrigação sobre o sábio para que permaneça estacionário em um lugar ou para que viaje de cidade a cidade. Sua orientação interna por si decide a questão assim como seu carma pessoal também dará sua contribuição a essa decisão.
 
Se alguns reconhecem e aceitam a responsabilidade que acompanha sua elevação espiritual, outros preferem deixar a humanidade nas mãos de Deus e por si mesma!
Paul Brunton – Notebook 16 – Cap. 3

O Que é a Meditação?

A meditação se eleva ao seu nível apropriado quando o que medita só pense sobre a relação ou aspiração existente entre si mesmo e o Eu Superior; e elevar-se-á ao seu nível mais supremo quando elimine mesmo tais ideias e ele não pense em mais nada a não ser no Eu Superior.

Esta arte da meditação, em síntese, é uma questão de se chegar a profundidades cada vez maiores dentro de si mesmo até que se penetre por trás do ego dentro do puro ser.

O estudo apropriado sobre isso terá de levar em conta uma divisão tripla: primeiro, a natureza da mente de acordo com a filosofia; segundo, os trabalhos da mente; terceiro, o método de obtenção do controle sobre esses trabalhos, isto é, o yoga.

Começamos a prática sendo ativos na mente, mas após suficiente prática, só poderemos prosseguir se ficarmos mentalmente passivos.

Esta arte da meditação é realizada através de dois estágios progressivos: primeiro, pela concentração mental e segundo, pelo relaxamento da mente. O primeiro é positivo e o segundo passivo.

É um propósito dela chegar mais e mais próximo do Centro do próprio ser...

Um processo que leva a consciência ao desapego das coisas, das racionalizações, dos eventos e de todos os objetos possíveis, para centralizá-la no próprio ser.

Uma arte que ensina, primeiro, a que se retire do seu meio circundante pela concentração em único pensamento e, posteriormente, a que submerja na Mente Espiritual ao pôr de lado qualquer pensamento.

O primeiro passo será capturar os pensamentos e recolhê-los em si pelo poder da vontade. O segundo será pôr a atenção dentro de si mesmo, afastando-a dos cinco sentidos relacionados à experiência física. É um processo de retirada da atenção do que o circunda e do direcionamento dela para dentro de si mesmo.

Durante a meditação, o propósito principal será liberar a mente das preocupações mundanas e dos desejos pessoais, possibilitando assim que ela torne-se um receptáculo claro e vazio para que seja preenchida pelo divino – no momento em que seja atraída devido ao preparo feito para isso. Ao retirar todos os pensamentos da mente ela será vivenciada pelo que é – pura e sem misturas.

Se quisermos ter sucesso na meditação, duas condições fundamentais devem ser lembradas: a primeira será que tragamos nossa atenção de volta a nós mesmos quando ela se disperse; a segunda, que sempre penetremos mais e mais profundamente no nosso interior até que o Vazio seja alcançado e, por fim, que nos tornemos unos com esse Vazio.

A essência divina está dentro de nós mesmos e não em algum outro lugar. Isso nos mostra a direção correta de onde encontrá-la. A atenção, com seus interesses e desejos que a movimentam, terá de ser recolhida das coisas e seres externos.

A meditação primeiro reúne nossas forças em um único canal e, depois, as direciona para o Eu Superior. É um trabalho de direcionar a atenção mais e mais para dentro até que chegue a um plano, por trás dos pensamentos, aonde somente o ser em paz exista e esteja bem-aventurado.

(Paul Brunton – Notebook 4 – Cap. 1)

A Verdade e o Silêncio

"Há um silêncio que nasce da ignorância e outro que nasce do conhecimento — do conhecimento místico. 
A interpretação correta só vem através da faculdade intuitiva, e não através do intelecto. 

Essa quietude é a parte divina de todo ser humano. Ao deixar de procurá-la, o indivíduo deixa de tirar o máximo de proveito de suas possibilidades. 

Se, procurando, ele a perde no caminho, isso acontece porque ela é um vazio: simplesmente não há nada lá! Isso quer dizer: não há coisa alguma, nem mesmo coisas mentais, ou seja, pensamentos. 

O espírito (Divino) não é a quietude, mas é encontrado pelos seres humanos que estão na condição prévia de quietude. 

A quietude é a reação humana deles à presença do Divino, presença que entra no seu campo de consciência. 

A Quietude é não só uma Compreensão ou um insight da mente, mas também uma Experiência do Ser. Todo movimento ou vibração pára.

Não é fácil traduzir esse silêncio sagrado de modo a tornar-se compreensível, descrever um conteúdo onde não há forma, ascender de uma tão profunda quanto a de Atlântida, hoje submersa, e falar abertamente sobre isso em linguagem familiar e inteligível; mas é preciso tentar.

À medida que o centro de um indivíduo se desloca para uma profundidade maior de ser, a paz de espírito torna-se cada vez mais uma companheira constante. Isso, por sua vez, influencia o modo com que ele lida com suas atividades mundanas. A impaciência e a estupidez desaparecem; e a ira e a malignidade são disciplinadas; a falta de coragem em situações adversas é controlada, e a tensão quando ele está sob pressão é diminuída.

A verdade jaz escondida no silêncio. Revele-a, e a falsidade irá insinuar-se nela, fazendo murchar a imagem dourada. A comunicação através da fala ou da escrita não era necessária. A verdade pode ser escrita ou falada, divulgada em sermões ou publicada, mas a sua mais duradoura expressão e comunicação é transmitida, através do mais profundo silêncio, para a natureza mais profunda do homem.

A razão por que essa iniciação na quietude — iniciação sem imagens, interior e silenciosa — é afinal tão mais poderosa, é que atinge o próprio homem, ao passo que todos os outros tipos de iniciação atingem apenas seus instrumentos, veículos ou corpos.

Quando os pensamentos e desejos pessoais do ego são desnudados, eis que nos vemos tal como éramos no nosso primeiro estado e tal como seremos no último. Somos, então, apenas o Ser Real, na sua quietude e solidão Divinas. Quando o homem atinge temporariamente essa condição sublime, ele deixa de pensar, pois a sua mente se emudece com a paz celestial.

Não importa quão escuro ou tortuoso seja o passado, quão miserável seja o emaranhado que o indivíduo tenha feito de sua vida, essa paz inefável tudo apaga. Dentro desse abraço angélico não se conhecem erros, não se sente a miséria, não se relembra o pecado. Uma profunda purificação toma posse do coração e da mente.

Nessa profunda quietude, na qual todo traço do eu pessoal se dissolve, ocorre a verdadeira crucificação do ego. 
Esse é o real sentido da crucificação, como a ela se era submetido nas antigas iniciações do templo do Mistério e como a ela foi submetido Jesus. A morte subentendida é mental, e não física.

Aquele que alcança essa bela serenidade está remido da miséria dos desejos frustrados, está curado das feridas das lembranças amargas, está liberado da carga das lutas terrenas. Ele criou um centro invulnerável e secreto dentro de si mesmo, um jardim do espírito que não pode ser tocado nem pelos sofrimentos, nem pelas alegrias do mundo. Ele encontrou uma transcendental unicidade da mente.

Só é capaz de formular seu próprio pensamento, sem influência de outros, aquele que se treinou para entrar na Quietude, onde sozinho, é capaz de transcender todo o pensamento.

A Verdade que conduz um homem à liberação de todas as ilusões e escravidões é percebida nas profundezas mais interiores do seu ser, lá onde ele está completamente isolado de todos os outros homens. O homem que atingiu esse conhecimento encontra-se numa solidão sublime. É pouco provável que se afaste dela com a intenção de iluminar seus semelhantes, já que eles estão acostumados à escuridão e já que se sentem tão à vontade dentro dela. Ele só sairá dessa solidão se alguma outra força de compaixão, propulsora, surgir dentro dele e o levar a fazê-lo.

Se o aspirante conseguiu manter a mente de certo modo calma e vazia, seu próximo passo é encontrar o centro de si mesmo. Não basta alcançar a paz de espírito. O aspirante precisa penetrar o Real ainda mais profundamente, e conseguir a alegria do coração.

Se a mente pode atingir um estado do fique livre de suas próprias ideias, projeções e desejos, ela pode atingir a verdadeira felicidade. Aquele belo estado no qual a mente se reconhece pelo que ela é, no qual toda atividade é aquietada, com exceção apenas da atividade da consciência, e assim mesmo de uma consciência sem um objeto — esse é o coração da experiência. Essa é a solidão suprema, à qual todos os seres humanos estão destinados."

Paul Brunton

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Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)