O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Os subterfúgios do Ego - parte 2


Se o ego puder enganar o aspirante a ponto de desviá-lo da questão central de sua própria destruição para alguma questão lateral menos importante, certamente o fará. O número de êxitos nesse esforço é muito maior que o de fracassos. Poucos escapam de serem enganados. O ego usa os meios mais sutis para se inserir no pensamento e na vida do aspirante. Trapaceia, engana, exalta e avilta-o alternadamente; basta que ele o permita. Anatole France escreveu que é na habilidade de enganar a si mesmo que se revela o maior talento. É um hábito constante e uma reação instintiva defender o ego contra a evidência dos resultados infelizes de sua própria atividade. O aspirante precisará resguardar-se disso repetidamente, pois os próprios poderes do ego são pateticamente inadequados, e sua própria capacidade de prever está visivelmente ausente.
 
Ele é arrogante, soberbo, presunçoso e autoenganador. Mente para si mesmo, mente para o homem que se identifica com ele e mente para os outros homens, pois gira incessantemente em torno de si mesmo. Todos são crucificados pelo próprio ego. Ele, por natureza, é enganador e, em suas ações, um mentiroso. Pois, se ele revelasse as coisas como realmente são, ou falasse o que é profundamente verdadeiro, teria de expor seu próprio eu como um arqui-impostor que finge ser o próprio homem e oferece a ilusão da felicidade. Ele não reverencia a nenhum Deus senão a si mesmo. Se não pode se afirmar abertamente, o fará insidiosamente. Ele se posiciona como o único eu, o verdadeiro eu – o eu por completo. Se autoestabeleceu por inteiro e, só poderia ter feito isso, ao estabelecer uma ficção no lugar da realidade, se supondo ser o que de fato nunca foi.
Nenhum aspirante sabe o quanto o ego pode fazer para enganar sua mente com fantasias e desviar seus passos com vaidades, pois existem muitas maneiras através das quais ele escapa de suas mãos quando tenta segurá-lo. E, se tenta opor-se ao ego, poderá, através desse mesmo ato, mudar a área de atuação dele que o iludirá fazendo-o crer que o está enfraquecendo em sua atividade!

Também poderá mascarar seu desejo de poder e proeminência com um interesse em servir à humanidade. O verdadeiro altruísmo, de natureza filosófica, não é realizado pelo eu, mas através dele, e nem pelo ego, mas pelo Eu Superior, que o utiliza. Poucos alcançam este grau. A maioria pratica seu altruísmo misturado com motivações egoístas ou, em outros casos, mascarando inteiramente seus motivos, para que isso não venha a perturbar suas ilusões e nem as das outras pessoas. Externamente, o indivíduo poderá estar trabalhando somente pelos propósitos de uma causa, movimento, partido ou instituição. Ele até poderá dizer que é assim que o faz. Mas, internamente, estará na verdade trabalhando para o seu próprio ego, quer dizer, para si mesmo!
 
O poder do ego é tal que logo apaga da mente uma ideia sobre uma reforma moral, revelada no silêncio interno como necessária. Sua postura assume várias formas: tanto elevada como vulgar ou tanto supostamente espiritual como diretamente materialista. 

Ele joga com suas emoções em toda a sua amplitude, utilizando as mais opostas e conflitantes, em situações diferentes, para que se adequem aos seus propósitos.
 
Um homem poderá ser o maior dos tolos e, mesmo assim, seu ego o será mais ainda, impedindo-o dessa forma que se perceba como de fato é.

Os subterfúgios do Ego - parte 1

Dizer que o ego nos mantém cativos, é somente uma maneira de expor o problema. A outra será a de que nos sentimos enaltecidos com isso.

Os homens não somente se permitem ser iludidos pelas ilusões geradas pelo ego, mas também lhes dão as boas vindas. 

Não há limite para as pretensões do ego. Hoje, se mostra como o humilde aprendiz e, amanhã, como o pomposo mestre. 

Que ele se autoexamine e veja como seu ego conduz o conjunto de suas faculdades, se oculta e se reafirma entre elas e o ilude. Caso o ego possa se perpetuar através da vaidade e grandiosidade, exibirá suas altas virtudes engrandecidas o tornando desagradável e presunçoso; caso isso seja feito pela submissão, realçará seu triste acúmulo de falhas, tornando-o mórbido e neuroticamente autocentrado. 

O ego simula algumas das qualidades do Eu Superior e reflete algo de sua consciência. Mas a imagem assim criada será falsa. 

Ele é compelido a imitar o não ego e assim ocultar a estreiteza de sua atitude por trás de uma máscara de uma suposta justiça, verdade e altruísmo.

Ocultará assim seus motivos obscuros que o estimulam nas suas ações.

Ele sabe do perigo mortal que corre caso permita que o indivíduo penetre no seu refúgio e o encare diretamente em seus olhos. 

Por isso, sabe muito bem como se proteger e impedir que o aspirante escape de seu poder sobre ele. 

Ele é tão poderoso quando é aquiescido como quando é condenado, pois, em ambos os casos, estará mantendo o indivíduo envolvido numa busca autocentrada. 

Cada movimento dele tem sua base no desejo de manter sua própria sobrevivência ou autopreservação. 

Quanto dessas declamações de serviço à humanidade em verdade apontam para uma direção oposta – a de servir ao ego? Quanto nesses palavreados sobre sacrificar o ego na verdade se está é dando excessiva atenção a ele, tornando-o assim mais forte? E quanto disso de fato mascara o desejo de maior poder?

O ego detém muitos esconderijos. Exposto em um, logo ocupa outro. Pois parece ter uma capacidade colossal para o engano e decepção voltados para seus próprios motivos. Chegará a aceitar a disciplina e o sofrimento para que não seja eliminado.

Se essas verdades parecerem demasiado frias para alguns ou cruéis para outros, tal reação emocional será compreensível e perdoável. Mas isso as torna menos verdadeiras?

Pois o ego usará de toda a sua astúcia de seu intelecto lógico, e toda a sedução de sua natureza sensual, para manter o aspirante distante da busca.

Mecanismos de defesa do ego


O ego, que tão rapidamente reage diante dos maus comportamentos dos outros voltados para si, e que é tão lento em reconhecer sua má conduta, é o seu primeiro e maior inimigo.

O ego possui defesas muito poderosas, a maioria de natureza emocional, às quais recorre de forma instantânea. 

Ele sempre buscará, e encontrará desculpas para si mesmo. Fará qualquer outra coisa do que confessar sua própria vileza, fraqueza ou erro. Fixar-se-á obstinadamente a eles em vez de admitir a necessidade de uma mudança radical.

O ego tem uma capacidade infinita de arquitetar construções favoráveis para si ou justificativas para todas as suas ações, não importa quão erradas ou estúpidas possam ser. 

Quando percebe algum perigo à continuidade de sua própria existência, diante de uma decisão ou ação, cria medos, inventa falsas esperanças e exagera as dificuldades, com a intenção de impedi-las. 

As autojustificativas do ego são uma contraparte para todos os seus pecados e estupidez. Suas autocontradições são uma demonstração de aspirações elevadas que são ridicularizadas por suas ações inferiores. 

Quando é ferido, surgem inflados sentimentos de orgulho nele.

Tão forte e profundo é o domínio que mantém sobre o indivíduo que, quando ocorrem lisonjas que o adulam, facilmente as aceita, mas quando são críticas que o enfraquecem, irritadamente as rejeita. 

O ego realiza astutos esforços para persuadi-lo a que transfira seus problemas e irritações a qualquer coisa que não seja a causa primária deles – a qual está dentro dele mesmo – e a qualquer pessoa, contanto que não seja ele mesmo. Ele sabe muito bem como encobrir suas atividades as mais feias com autojustificativas as mais nobres. 

Está tão cercado por mecanismos de defesa que se torna difícil chegar a penetrar em seu esconderijo. Pois teme ser desalojado definitivamente daí. Para evitar isso, entra em guerra usando qualquer arma desde uma resistência direta até insidiosas decepções. É cheio de subterfúgios para impedir que o indivíduo se distancie dele, que vão desde uma total megalomania até a sugestão de que ele mesmo não exista. Ressente-se de críticas a si, embora verdadeiras, mas aceita elogios, embora não merecidos. 

Infelizmente o ego persegue o ser humano aonde quer que ele vá. Isso já é um mal em si, mas quando nega o reconhecimento disso e somente culpa aos outros egos pelos seus problemas, torna-se patético e mesmo entristecedor. 

Se estivesse predisposto a se autocondenar como se autojustifica, ou justificar os outros em vez de condená-los, quão fácil e rápido seria a busca espiritual.

A importância de se desapegar do ego - parte 1


Nossa liberação das misérias da vida dependerá inteiramente de nossa libertação do domínio do ego.

Uma importante razão pela qual os instrutores espirituais sempre impunham aos seus discípulos a necessidade de abandonar o ego, de renunciar ao eu, é a de que quando a mente está continuamente preocupada com suas próprias questões pessoais, ela cria uma limitação estreita sobre suas próprias possibilidades. Assim, ela não poderá chegar à verdade impessoal, a qual é bem diferente e está bem distante dos tópicos trazidos pela mente no dia a dia ou ano após ano. Somente ao romper com sua autoimposta estreiteza é que a mente humana poderá chegar à percepção do Infinito, da alma divina que seu ser mais interno é. 

Uma avaliação correta da força do ego mostrará porque alguns aspirantes conseguem tão lentamente seu progresso. 

Para todas as coisas há um preço equivalente. Para se obter a consciência do Eu Superior, pagamos com o que obstrui o caminho – com o sacrifício do ego.

Nenhum ser humano comum conhece de fato a si mesmo. Ele só conhece a IDEIA que faz de si mesmo. Caso queira conhecer seu verdadeiro eu, primeiro deverá se libertar dessa sua ideia falsa sobre si mesmo, desse eu imaginário.

Ele se identifica com todos os movimentos do pensamento, da emoção ou de suas paixões-deixando assim escapar seu verdadeiro ser. 

Sem que haja esse desenraizamento do ego, todas as nossas soluções de nossos problemas, cedo ou tarde, elas mesmas se tornarão problemas. 

Se o ser humano deseja ter acesso constante ao Eu Superior, deverá lembrar-se que isso não vem livre de um alto preço a ser pago – a submissão contínua do ego. 

Sem uma purgação interna, ele meramente transferirá para o nível religioso ou místico, o mesmo egoísmo que expressava no nível materialista. 

Você poderá erradicar muitos preconceitos e eliminar muitas ilusões como assim quiser; mas, se a origem delas – o ego – permanecer, novas ilusões e preconceitos ocuparão o seu lugar. 

Enquanto não for reconhecido e dominado, o ego é Satã, o demônio, o princípio do mal.

Enquanto seu ego for o que estiver na frente em cada situação, ele estará impedindo as suas melhores oportunidades. 

Renascimentos, memórias, poderes ocultos – todas essas coisas existem e continuarão a existir porque elas perpetuam o ego; o elemento do qual deveríamos tentar escapar. 

A consciência como ego nos separou da Origem. Mas não precisa ser assim para sempre. Através da busca espiritual, poderemos chegar mais e mais perto da reintegração do ego com sua Origem, a qual a partir de então agirá através de nós.

A importância de se desapegar do ego - parte 2


Enquanto o ser humano estiver apegado à crença de que seu ego é real e permanente, ou pensa e age como se o fosse, ele continuará a estar apegado às posses materiais e aos desejos mundanos. Pois um é a raiz do outro.

Se quiser o melhor do que a vida lhe possa oferecer, ele deverá, em retorno, oferecer o melhor que possui – deverá oferecer a si mesmo. Não poderá haver nesta oferta, para que ela seja aceita, quaisquer reservas ocultas ou subterfúgios astutos. 

O ego terá de ser descartado antes que o Eu Superior possa ser descoberto.

Esse pequeno ego poderá sofrer diante da verdade tão dura e implacável. Mesmo assim, no final, ele deverá reconhecer que a verdade não e tão implacável, pois ela se encaixa perfeitamente dentro da ordem divina. 

Somente quando o ego houver definhado é que ele conhecerá o que a verdadeira paz interna é. 

O Eu Superior sempre exige esta relação consciente; o ego sempre se recusa a cumprir com tal exigência. 

Enquanto o eu inferior se julga sábio o suficiente para tomar todas as decisões e solucionar todos os problemas, sempre haverá uma barreira entre ele e o Poder Superior. 

O ser humano só pode manter um pensamento  de cada vez na mente . Mesmo quando parece manter dois pensamentos diferentes (ao fazer duas ações diferentes simultaneamente), uma análise mais acurada evidenciará que as ideias são sucessivas, embora tão rápidas que pareçam estar juntas. Utilizando tal constatação, se evidenciará que é devido à manutenção do pensamento do seu ego pessoal separado, SOMENTE, que ele se vê impedido de chegar à identificação com o Eu Superior. Não foi dito isso, de outra maneira, por Jesus?

Essas injúrias causadas ao ego são o preço que teremos de pagar para obter as bênçãos do Eu Superior. 

Teremos que adquirir um padrão de conhecimento que transcenda a mera opinião individual. Só poderemos fazer isso, entretanto, se percebermos as coisas de forma impessoal, e não pessoal. Se excluirmos o ego de nossas medições e cálculos. 

Aquele que vive totalmente dentro do seu ego, vive num mundo fechado, embora dentro de si mesmo. Ele não poderá adquirir o conhecimento direto do Eu Superior divino assim como nenhuma experiência confirmatória daquelas verdades apresentadas nas revelações dos grandes profetas. Esta é uma das razões porque duvida ou mesmo se opõe a elas. 

Deveremos descobrir a verdade sobre quem de fato somos na medida em que descubramos o erro de acreditarmos que somos o ego e somente ele. Essa descoberta acontecerá e nos levará ao caminho da realização e da liberação somente na extensão em que a vivamos; pois a filosofia não será filosofia a não ser que seja posta em prática na vida.

A verdade não pode ser encontrada com o ego

O ser humano que não tem nenhum outro suporte para suas atividades e empreendimentos do que seu ego, assim como nenhum outro centro para seus pensamentos e sentimentos, verdadeiramente é inseguro. Ele prossegue através dos eventos e situações da vida com medos e ansiedades trazidos de seu passado ou relacionados ao seu futuro.

Se você deseja estar em harmonia com a ordem do universo, cooperar com ela e não resistir a ela, terá de parar de impor o ego – seu ego – sobre ela. 

Na consciência do ego, o homem compete com o outro e o mais agressivo ou o mais talentoso terá sucesso. Mas na consciência do Eu Superior não existe competição entre eles. 

Se seu Eu Superior continuamente permanece fora do campo de sua consciência, isso será devido a que a consciência de seu ego esteja demasiado dentro dela. 

Quão verdadeira é a afirmação metafórica da Bíblia de que o homem não poderá olhar a face de Deus e permanecer vivo. Sim, ele, o ego, terá de morrer para que Deus se faça presente. 

O que ele acredita ser, como fato egóico, oculta o que em verdade é, como essência espiritual. 

Enquanto seu ego afirmar sua supremacia em tudo o que ele faz, enquanto for ele que organiza todas as coisas para ele, ele será vítima de sua própria ignorância e cegueira.

Existem vários obstáculos ao caminho da verdade, mas o maior deles é o próprio aspirante – suas limitações, seus apegos ao ego.

Ninguém o está impedindo de chegar a esta iluminação a não ser ele mesmo. 

A verdade não pode ser encontrada com base no que traz satisfação ao ego. Esse próprio sentimento de gratificação se tornará um obstáculo à sua descoberta assim como um desvio para a mente. 

Todas as nossas relações com os outros serão marcadas pela maneira como usamos e funcionamos no nosso ego. 

Como podem as pessoas encontrar a paz se vivem com contradições internas, onde a parte mais profunda de seu ser é suprimida pela que é mais superficial?

O ego penetra em todas as emoções e terá de ser retirado delas para que sejamos livres. 

Quando cada pensamento e sentimento são direcionados pelo seu pequeno ego, quando as grandes questões da vida não são levadas em conta por serem consideradas irrelevantes, uma apreciação verdadeira disso terá de concluir que sua vida privada fracassou mesmo que sua vida pública haja sido bem sucedida. 

Perdidos na miséria do ego, ele não ouvirá a voz jubilosa que o chama do nível mais profundo de seu próprio ser e não sabe que existe uma graça da qual possa ter esperança.

Enquanto o ser humano viver à parte da consciência de seu Eu verdadeiro, não poderá viver em paz. Mas quando puder descansar completamente neste Eu, não haverá segunda coisa que o tire dessa paz.

Efeitos após a iluminação


Quando a parede entre seu pequeno ego e o Ser Infinito colapsar, é dito, por alguns orientais, que ele chegou ao Nirvana, ao Vazio, e, por outros, que uniu sua alma a Deus.

É o clímax espiritual da existência, o momento dramático quando a consciência se reconhece e se compreende. Pois, à proporção que o ser humano cresça em compreensão, ele se deslocará de uma mera existência para a autêntica essência.
E será a descoberta de que todo o universo existe na mente, a qual virá com a revelação da Realidade. Será a atualidade da segurança interna, da benção da paz, que veio para ficar.

Ele se verá eclipsado pelo Eu Superior, o qual se apossará de seu corpo; ocorrerá então uma união mística de sua mente com seu corpo e o ego ficará inteiramente subordinado a isso.

A partir do momento em que esta grande mudança de consciência ocorra, esse próprio acontecimento, assim como seus efeitos tremendos, deverão ser mantidos em segredo e revelados somente sobre uma orientação genuinamente superior. Pois, diante daquele que se iluminou, um observador com discernimento poderá perceber tal fato a partir de suas ações e de sua postura corporal, mas um outro ignorante poderá não perceber nada.

Ele não poderá existir neste estado mágico sem que transforme sua experiência no mundo. De um jeito ou de outro, isso servirá ao propósito de Deus, transformando mesmo defeitos externos em vitórias internas.

Compreenderá ele então o que significa não fazer nada por si mesmo, pois claramente perceberá que o poder superior age através dele para que faça o que quer que haja a ser feito, e que o faça corretamente. Enquanto isso acontece, ele apenas observa.

A experiência da iluminação traz consigo um sentimento estupendo de bem estar.

Assim como este Estado Iluminado não o impede de receber as impressões físicas do mundo ao redor, também não o impedirá de receber as impressões psíquicas das pessoas à sua volta. Mas ele não se prende a nenhuma dessas impressões e nem permite que suas emoções se envolvam com elas.

Sua serenidade na vida será oculta. Não dependerá dos cursos flutuantes da fortuna.

A natureza dos sentimentos de uma pessoa que chegou à iluminação se abrirá para reações puramente impessoais, com um sentimento tranquilo e não cheio de emotividade.

Nesta Mente Universal, aonde agora habita, ele não encontrará nenhum ser humano ao qual possa ser chamado de inimigo, ao qual odeie ou despreze. Ele tornar-se-á amigável com todos, não como uma atitude deliberadamente cultivada, mas como uma compulsão natural a qual não poderá resistir.

O renascimento espiritual


Um dia, o evento misterioso chamado por Jesus de “renascer novamente”, ocorrerá. Acontecerá então um deslocamento sereno do eu inferior pelo Eu Superior. Com isso, no segredo do coração do discípulo, virá um poder estupendo ao qual o intelecto, o ego e o lado animal nele poderão resistir, mas resistirão em vão. Ele foi levado a essa experiência pelo Eu Superior tão logo pôde penetrar nas regiões mais profundas de seu coração.

Somente quando houver abandonado todas as atrações terrenas, todas as expectativas e desejos que, previamente, o dominavam, somente quando tiver a coragem de arrancá-las de si pela raiz e as jogar fora para sempre, somente então é que encontrará essa misteriosa e não terrena compensação por todo esse seu imenso sacrifício. Pois então será untado com o óleo sagrado da nova e mais elevada vida. A partir de então, ele estará verdadeiramente salvo, redimido e iluminado. O eu inferior terá morrido para que desse lugar ao seu sucessor divino. Saberá então que esse foi o dia de seu renascimento espiritual, que a luta da vida foi assim substituída pela serenidade, e que a vida na aparência foi transformada na vida na realidade. Suas capacidades, que haviam sido lentamente  incubadas durante todos esses anos de busca espiritual, irromperão de súbito na consciência no momento em que o Eu Superior se apossar dele.

O que antes fora intermitentes vislumbres espirituais agora se tornam realidade permanente. A presença divina se tornou para ele um presença íntima e imediata. 

Aquilo que tal sábio mantém em seu coração existe para todos sem distinção. Se poucos desejam receber isso, tal falha não está nele. Ele não rejeita nem discrimina a ninguém. São os outros que o rejeitam, que o discriminam.

A necessidade da Graça - parte 1

A subjugação do ego é uma Graça a ser conferida e não um ato que possa ser feito pelo indivíduo.

O ataque frontal sobre as fraquezas e faltas do ego poderá levar a certos resultados benéficos, tais como a redução do tamanho delas e a diminuição de seu poder, ou á total repressão superficial delas, mas não poderá levar à sua total eliminação. Todos os métodos que dissolvem as falhas e fraquezas do eu ainda mantêm o próprio ego não dissoluto. Todas as técnicas que transformam as qualidades e atributos do ego ainda mantêm a raiz do ego sem mudanças.

Ele descobrirá que nenhum indivíduo poderá negar totalmente seu ego e nem sair dele através de suas próprias tentativas; alguma ajuda, alguma intervenção, alguma Graça vinda de fora será necessária.

Não haveria nenhuma esperança de algum dia se livrar dessa posição centrada no ego se não soubéssemos das três coisas seguintes: primeiro, que o ego é somente um acúmulo de memórias e uma série de desejos, quer dizer, ele é pensamento, uma entidade fictícia. Segundo, a atividade do pensamento pode chegar ao fim dentro do silêncio. Terceiro, a Graça – esta radiação do Poder além do ser humano – sempre está presente e irradiando a Si mesma. Se conseguirmos que a mente se torne profundamente silenciosa e profundamente observadora do instinto de autopreservação do ego, abriremos uma porta para a Graça que, amorosamente, nos absorverá.

Na última batalha, quando ficarmos face a face com nosso ego, quando retirarmos todos os seus disfarces de proteção e expusermos sua vulnerabilidade, teremos de apelar para a ajuda da Graça, pois não poderemos vencer essa batalha só através de nossos próprios poderes.

Aquilo que nos mantém ocupados com um tipo de atividade uma atrás da outra – tanto mental como física – até que, cansados, caiamos de sono, não passa do ego. Dessa forma, ele desvia nossa atenção da necessidade de nos engajarmos na atividade de suprema importância – a luta e destruição do próprio ego.

Esta redução do ego poderá ocupar toda uma vida e, mesmo assim, não parecer ter sido bem sucedida. Contudo, ela é da maior importância como um processo preparatório para a total remoção do ego para que a Graça, de súbito, venha a ascender ao coração. 

O interesse do ego na sua própria transcendência é espúrio. Por isso, se faz necessário a Graça. 

O ego terá de ser arrebentado em pedaços, se isso for necessário, para que a Graça desça e abra o caminho, substituindo assim a arrogância pela passividade.

A destruição de nosso egoísmo terá de vir de fora, caso nós voluntariamente, não a façamos de dentro. No primeiro caso, ela virá implacável e esmagadoramente. Pois não há como o ego permanecer.

A necessidade da Graça - parte 2

É tão difícil para o ego julgar-se honestamente e observar as suas ações a partir de uma perspectiva correta, como é, para o ser humano, erguer-se por seus próprios pés. O ego simplesmente não pode fazê-lo; sua capacidade para encontrar desculpas para si próprio é ilimitada – mesmo a desculpa da retidão, mesmo a desculpa da busca da verdade. Tudo o que o aspirante pode esperar fazer é diminuir o volume das influências do ego e enfraquecer a sua força; mas livrar-se do ego inteiramente é algo que está além da sua capacidade. Consequentemente, um poder exterior precisa ser convocado. Existe apenas um poder assim disponível para ele, embora possa manifestar-se de dois modos diferentes – é o poder da Graça. Esses modos são: a ajuda direta do seu próprio eu mais elevado, ou a ajuda pessoal de um ser mais elevado, isto é, um instrutor iluminado. Ele pode buscar o primeiro a qualquer momento, mas não pode, justificadamente, buscar o segundo antes de ter trabalhado suficientemente em si mesmo, antes de ter avançado o suficiente para justificar isso.

Quando o ego é forçado a ajoelhar-se no pó, humilhado aos seus próprios olhos, embora conceituado ou temido, invejado ou respeitado aos olhos dos outros homens, o caminho está aberto para o influxo da Graça. Esteja seguro de que esse ato do indivíduo interior, de tornar-se completamente humilde, acontecerá repetidamente até que ele esteja purificado de todo o orgulho.

Como poderia ele ver na clara luz seu egocentrismo Inabalável, como confessar isso a si mesmo se o ego, por si mesmo, teria de ajudar a fazer emergir tal confissão?

A virtude e a compaixão diminuem o ego, mas não trazem a iluminação.

Os sentidos que o tentam para que se desvie do seu caminho de conduta escolhido, no devido tempo, poderão ser subjugados através dos pensamentos corretos. Os pensamentos que o distraem do caminho de meditação escolhido poderão ser subjugados através do esforço permanente. Mas o ego, que impede sua entrada no reino dos céus, se recusa, e só pretende, subjugar a si mesmo. 

Onde está o homem que não assume a realidade do ego? Ele está iludido, por certo, mas o que mais poderia ele fazer se tem de atender às solicitações da vida diária? A resposta é que ele não pode fazer muito mais – a não ser que a Graça venha e atenda suas necessidades por ele!

Sobre os pensamentos que vêm na meditação

Sua meditação tem o propósito de chegar ao significado real, ao significado interior da declaração, "Eu e meu Pai somos um". Mas, como principiante, você não pode manter isso por muito tempo. Você perde rapidamente o fio da meada e se surpreende pensando que está perdendo sua entrevista no escritório, ou que vai perder o ônibus ou o trem. A primeira coisa que percebe é que seus pensamentos estão vagando. 

Nesse ponto, traga suavemente de volta seu pensamento para "Eu e meu Pai somo um". Não fique impaciente, não se condene e não pense que não há esperança para você. Não dê atenção a esses passeios da mente, mas suavemente traga seu pensamento ou atenção de volta e comece novamente, refletindo sobre esta ideia, ou até mesmo poderá surgir, nessa ocasião, outra ideia, provavelmente bem melhor para o momento. Quantas vezes seu pensamento fugir da ideia, retorne a ela novamente, sem impaciência, sem crítica ou autojulgamento. 

Neste estado inicial, não só os seus pensamentos vagam, mas se mantêm viajando para dentro e para fora — toda espécie de pensamentos indesejáveis. Você pode pensar que eles são seus pensamentos. MAS NÃO SÃO. Eles estão apenas tocando em você, procurando perturbá-lo, distraí-lo; portanto, NÃO OS COMBATA, NÃO TENTE PARAR DE PENSAR NO QUE ESTÁ PENSANDO porque você não terá êxito, e saber disso pode poupar-lhe uma enorme quantidade de problemas. Você nunca terá êxito parando de pensar; portanto, deixe que esses pensamentos entrem e saiam e faça o que desejam fazer. NÃO SE PREOCUPE COM ELES. Apenas RETORNE AO SEU CENTRO, para o assunto específico de sua meditação. 

Chegará um momento, à medida que você avançar nesta prática, quando não surgirão pensamentos estranhos, poque você os terá eliminado por desatenção, você terá se tornado tão sem receptividade para eles, não os combatendo, que eles não retornarão. Mas se você os combater, eles estarão lá para sempre, porque seu combate contra eles é exatamente o que os mantém vivos. "Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele". Todos esses pensamentos errados que sempre surgem não são perigosos nem nocivos; ninguém saberá deles; e eles não lhe causarão nenhum mal. Deixe que venham; deixe que se vão; MAS NÃO LHES DÊ ATENÇÃO. 

Lembre-se sempre de que você está em meditação apenas com um propósito — compreender Deus. E, assim, você reflete sobre essas verdades das escrituras: "Eu e meu Pai somos um... Meu reino não é deste mundo... Conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti". Escolha uma que lhe seja própria, ou você pode chegar a um ponto onde alguma coisa de que necessite para esse determinado dia virá a você, e você refletirá sobre ela. 

Posso lembrar-me por quantos meses vivi com esta declaração: "Não pela força, nem pela violência, MAS PELO MEU ESPÍRITO". Finalmente, cheguei ao lugar onde isso traduziu-se para mim nestas palavras: "Não pela força FÍSICA, nem pela violência MENTAL, mas pelo MEU ESPÍRITO — pela realidade de meu próprio ser." Pratiquei isso durante oito meses, cinco, seis, oito vezes por dia, antes de chegar ao lugar onde houvesse um segundo de paz e sossego dentro de mim. 

Mas você jamais terá de passar pelos vários estágios do desenvolvimento de quem quer que seja... Você pode começar com o mais alto ponto de desenvolvimento alcançado até este momento; você pode começar no mais alto nível revelado à consciência, porque todas as pessoas que passaram por estas coisas aplainaram o caminho para você. 

Assim é com a meditação. Você constatará muito cedo que as ideias ou citações originais virão a você — uso a palavra "originais" no sentido de que essas ideias não foram dadas a você por qualquer pessoa, mas que elas lhe ocorreram diretamente — e você consegue ficar em paz por um minuto, dois, três ou quatro. 

Joel Golsdmith em, União consciente com Deus

Os inimigos estão dentro de nossa própria casa

Não devemos perturbar, nem ficar alarmados, quando virmos os erros que aparecem na esteira desses movimentos de vanguarda, como se houvesse alguma dúvida quanto aos seus resultados. Poderia haver dúvida se essas coisas estivessem à mercê do homem; mas não dependem dele, e sim de Deus, que está forçando a passagem, porque sempre haverá os que reagem contra essas mudanças. Não obstante, elas se consumarão, alcançando plenamente seu objetivo, visto que constituem um desdobramento das atividades do Espírito, que é Deus.

Isto se aplica não só ao mundo em geral, mas também ao indivíduo em particular. Só pode aplicar-se ao mundo aquilo que se aplica ao indivíduo. O fato de virmos buscando a verdade durante cinco, dez, vinte ou trinta anos e ainda não termos encontrado a Utopia, esse estado de perfeição ideal, não deveria perturbar-nos.

Quando a luz da verdade irrompe pela primeira vez em nossa consciência, só encontra inimizade dentro de nós. Os inimigos do homem são aqueles que vivem na própria casa do homem, isto é, em sua consciência. Portanto, quando o Espírito, a luz da verdade força sua passagem para dento de nossa consciência, necessariamente terá de eliminar todas as nossas ideias humanas. Muitas delas constituem aquilo que julgamos ser bom para nós, e por isso nos rebelamos contra a própria vida espiritual que procura penetrar em nós.

Se estivéssemos profundamente apercebidos da causa e finalidade desse processo de eliminação de nossas ideias humanas, não haveria luta contra ele, ou, se houvesse, seria breve; mas, como ignorantes o que está ocorrendo dentro de nós, não sabemos que estamos combatendo as ideias espirituais e os impulsos mais elevados que estão chegando à nossa consciência para destruir “o homem velho”.

O “homem velho”, que tem de “morrer diariamente”, deseja apegar-se à vida. Esse apego ao maná de ontem é um instinto humano que vem de muito antes de Moisés. É natural apegar-se à vida aquilo que deve “morrer”.

Foi-nos dito eu o mais elevado instinto humano é o de autopreservação. Entretanto, este é o maior inimigo de nosso desenvolvimento espiritual. O instinto humano mais profundo, o mais forte, é ao mesmo tempo o mais feroz inimigo de nossa evolução espiritual. Por que? Que é o que sempre queremos conservar de nossa personalidade, senão o que julgamos bom para nós? Se isso não é o que nos convém, então, que e o que constitui o apogeu do progresso espiritual? — É não só a “morte” para o “eu”, mas também a perda do senso humano da vida. O instinto humano diz: “preserva-te”! O impulso de desenvolvimento espiritual diz: “perde tua vida”! Ambos estão sempre em luta um com o outro. [...]

A ideia da autopreservação persiste, é o inimigo do progresso espiritual, que no diz: “Dá, reparte, sacrifica, ajuda; se necessário, morre pelo teu próximo. Não há maior demonstração espiritual do que esta.” Os maiores inimigos de nosso progresso espiritual somos nós mesmos, tu e eu, porque insistimos em apegar-nos a essas ideias do passado. Apegamo-nos ao desejo de autopreservação e, com isso, criamos oposição dentro de nós próprios individualmente e coletivamente.

Isto não é dito como julgamento, crítica ou condenação a ninguém, mas para mostrar aquilo que está dentro de nós e que retarda e até impede a nossa própria expansão espiritual, a paz e a prosperidade de todo o mundo. É dito com a intenção de alertar-nos para que não percamos a paciência com nós mesmos e não esperemos alcançar a Utopia, aquele estado de perfeição ideal, logo no dia seguinte, porque dentro de cada um de nós estão esses inimigos que ainda precisam ser derrotados: a autopreservação e o senso pessoal de “eu” ou “ego” e cada uma de suas múltiplas manifestações.

É evidente que nós não podemos vencê-los, mas, à medida que nos expomos à luz da verdade, absorvendo-nos na leitura dos escrito místicos e espirituais que existem no mundo — os quais lemos porque a Luz que é Deus, já nos tocou a alma e a mente, — essas leituras inspiradas vão despertando em nosso íntimo algo que lhes responde: “Sim, sim, sim, é isto mesmo”. Então vamos entrando em sintonia com elas, e sua essência se vai transfundindo em nós e modificando nossa maneira de sentir.

Esta é a garantia de que fomos tocados pela Consciência divina, infinita, a qual, pacientemente, está abrindo caminho e estabelecendo o cerco decisivo para a vitória sobre os nossos inimigos internos. Ela destruirá, por nós, aquilo que dentro de nós se apega ao maná de ontem, às ideias e ideais do passado, e extirpará a crença em nós enraizada de que a autopreservação é a primeira lei da Natureza, permitindo-nos, assim, compreender que, pelo contrário, a mais importante lei da expansão espiritual  é o auto-sacrifício, isto é, o sacrifício do interesse particular, pessoal, pelo Universal, divino, que é o da fraternidade.

O Mestre revelou que de nada nos aproveita orar, pedir, para nós mesmo. Para sermos filhos de Deus, para que essa Consciência divina efetivamente se expresse em nós, precisamos orar pelos nossos inimigos. Em outras palavras: o “eu”, o “ego” humano precisa esvaziar-se a tal ponto que a dedicação do nosso tempo e de nossas orações, exclusivamente em favor de nós mesmos e de nossos amigos, se amplie e converta num estado de consciência em que haja o verdadeiro amor ao próximo.

Joel Goldsmith - Setas no "Caminho do Infinito"

Sobre destruição e paciência

Aonde quer que tu vires um grande fim, fica seguro de um grande começo. Onde uma monstruosa e dolorosa destruição estarrece tua mente, consola com a certeza de uma grande e vasta criação. Deus está não apenas na pequenina voz tranquila, mas também está no fogo e no turbilhão. Quanto maior a destruição, mais profusas são as chances de criação, mas a destruição é frequentemente longa, demorada e opressiva. A criação tardia em seu aparecimento ou interrompida em seu triunfo. A noite retorna outra vez e mais outra e o dia tarda a chegar ou parece mesmo ter sido um falso alvorecer. Não te desesperes, portanto, mas vigiai e trabalhai. Aqueles que esperam impacientemente, desesperam-se rapidamente, não esperes nem tenha medo, mas fique certo do propósito de Deus e de Sua vontade em realizar. Deus tem todo tempo diante de si e não necessita estar sempre correndo, e ele está certo de Seu objetivo e sucesso e não se importa em quebrar seu trabalho centenas de vezes para trazê-lo mais perto da perfeição. Paciência é a nossa grande lição, mas não é aquela paciência apática, lenta que move o tímido, o cético, e nem o fraco, nem o preguiçoso, nem o débil; mas uma paciência cheia de força, calma, concentrada, que observa e prepara-se para a hora das grandes passadas rápidas, poucas mas suficientes para mudar o nosso destino. Você pergunta porque Deus martela tão fortemente seu mundo, pisa-o, trabalha-o como se fosse uma massa e lança-o tão frequentemente num banho de sangue, no calor de um inferno rubro de uma fornalha, é porque a massa da humanidade é ainda um minério duro, grosseiro e de outra forma não será fundido e moldado. Este é o seu método, que isso ajude a transmuta-lo, esse mental num metal mais nobre, mais puro, e a sua maneira de trata-la será sempre mais gentil e mais suave. Eu pergunto porque Ele selecionou ou fez tal material quando tinha todas as infinitas possibilidades de escolha? É por causa de sua divina ideia, que viu diante de si não apenas beleza, doçura e pureza, mas também força, vontade, grandeza. Então não despreze a força nem a odeie pela feiura de algumas de suas faces, nem pense que Deus é apenas amor; toda perfeição perfeita deve ter algo de si, do estofo do herói e mesmo do titã. Mas eu afirmo, a maior força nasce da sua maior dificuldade. 

Sri Aurobindo

Os padrões que ocultam a "substância do Ser"


O jogo mágico da mente contém todas as 
possibilidades de crescimento e mudança. 

[... ] Enxergamos nossa vida como tendo começo, uma duração e um fim: uma história escrita no tempo. Nós nos sentimos caminhando através do tempo como um ator que caminha através do palco, desempenhando uma cena depois da outra. Vivemos a história da nossa vida, imaginando que estamos avançando, à medida que tentamos realizar nossos sonhos: as coisas que desejamos para nós e para as gerações do futuro. Entretanto, parece que estamos reencenando a mesma história, vez por outra.

Dentro desta história, vemos apenas o resultado final das mudanças. Olhamos e vemos as mesmas imagens, as mesmas formas, as mesmas pessoas, dia após dia. Atravessamos as mesmas rotinas, dizemos as mesmas palavras, fazemos os mesmos gestos, reagindo de acordo com os mesmos padrões, ano após ano. Desejo, prazer, tédio, entusiasmo, decepção, novo desejo, expectativa, frustração — padrões entrelaçados e reforçados por lembranças e associações nos aprisionam; não temos como nos libertar e nos ver tal como somos. Nossa consciência é hipnotizada pela mesmice e pela repetição.

A partir do momento em que nos envolvemos com um pensamento, repetimos padrões arcaicos de rotulação, congelando em conceitos a realidade viva à nossa frente. Dentro de uma infinitude de potencialidades, construímos entidades distintas, por meio de um processo de rotular, delinear, medir, definir, particularizar e nomear. Como é que conseguiríamos sequer funcionar se tivéssemos que renomear todas as coisas a cada instante? Ao dividir o tempo em momentos isolados, e o espaço em formas sólidas, nós apreendemos "coisas reais" movimentando através do tempo e do espaço. 

Estabelecemos regras inquestionáveis para definir as "coisas reais", e nos vemos em um mundo de coisas que "conhecemos e sabemos". "Sabemos" o que é felicidade ou liberdade; "sabemos" o que é sofrimento e "sabemos" quem somos. Quando reunimos todos os nomes que "sabemos", temos o corpo de conhecimento que usamos para viver em nosso mundo. Até o conhecimento se torna uma "coisa" que particularizamos por meio de infindáveis distinções, cada vez mais elaboradas. 

Para onde quer que olhemos, em nosso idioma, podemos dar ênfase no concreto e no real. Damos substância a ideias intangíveis, tais como liberdade e progresso, e a palavras que denotam processos, tais como movimento e mudança. Podemos tornar as coisas ainda mais sólidas ao dizer: "isto é"; "isto não é"; "nós somos". 

Nós ingressamos no mundo "real" e amortecidos das coisas quando dizemos "eu sou". Ignorando o campo aberto e mutável das potencialidades, transformamo-nos em seres isolados e solitários, que existem em um mundo de coisas isoladas e congeladas. Ficamos trancados em uma definição de "real" que não conseguimos mudar sem colocar em questão a nossa própria existência. Nós nos agarramos a estas noções de existência; sustentamos esta visão com a nossa própria vida, acreditando em "eu sou" como o nosso fato mais certo. Ele nos dá um lugar, uma posição, da mesma forma que todas as coisas a que podemos dar nomes têm uma posição. Mas o que sabemos nós sobre a sua substância — qual a natureza do nosso ser?  

Ao negar a natureza vibrante do mundo, não temos liberdade em relação às coisas que "sabemos". Não temos liberdade em relação às coisas que damos nomes, às coisas que podemos ver e sentir, às coisas que despertam nossos desejos e aversões. Não somos livres de vontades, frustrações e ansiedades; não temos liberdade em relação à solidão, raiva, culpa ou arrependimento. Não temos liberdade em relação aos nossos próprios pensamentos, 

Quando tomamos conhecimento de tudo isso, adquirimos alguma compreensão da nossa situação: durante incontáveis eras de condicionamento, vimos sendo enganados para aceitar a visão da vida que nos deixa presos à repetição de padrões, limita nossa liberdade e perpetua sofrimento. Podemos ver como os nossos próprios sentidos nos apresentam coisas fixas, esquecendo o fluxo cambiante da vida. Podemos começar a ver como nossos pensamentos e desejos nos seduzem e nos induze a repetir os mesmos dramas, até que o nosso tem se esgota e nossas histórias chegam a um final de velhice e morte.

Talvez vejamos a futilidade de ficar repetindo os mesmos temas; talvez queiramos ser livres. Mas onde haveria um conhecimento amplo o suficiente para nos libertar? Nossa forma atual de conhecimento expande-se apenas em direções específicas; seguindo velhos padrões, estamos caminhando inexoravelmente em direção a uma maior especialização. Ao confinar o conhecimento em compartimentos cada vez menores e mais isolados, estamos perdendo de vista o conhecimento que dá sentido à vida humana. Nosso conhecimento é como um grande cone que se abre para uma vasta paisagem, Quanto mais avançamos sobre sua superfície, mais larga parece ser a nossa visão, e maior o sentimento de que dispomos de um potencial ilimitado para estender o seu alcance. No entanto, ao nos limitarmos à superfície do cone, ficamos suscetíveis a uma visão afunilada.

Será que a nossa forma atual de entender a nós mesmos e ao nosso mundo poderá algum dia nos proporcionar real liberdade? Como é que podemos confiar em nosso conhecimento quando ele continuamente nos conta histórias que nos fazem pensar que já somos livres? Embora nossas vidas sejam permeadas de profundo sofrimento e insegurança, negamos nossa falta de conhecimento; rejeitamos a incerteza que poderia nos impelir a iniciar uma busca de conhecimento e liberdade. Mesmo quando tentamos forjar uma abertura no padrão, a mente transfere o foco da atenção de volta para as palavras: em vez de liberdade, recebemos palavras que justificam a nossa dor e pensamentos que nos confinam dentro de padrões que perpetuam o nosso sofrimento. Palavras, porém, não nos colocam em liberdade. Elas nos embalam com razões do nosso sofrimento, razões as nossas limitações, das nossas vontades, ódios, agressões e violência contra nós mesmos e todas as demais coisas do nosso mundo. Nossas apalavras nos faze girar em círculo, enquanto pensamos que estão apontando o caminho para a liberdade. 

Quando enxergamos, em toda a sua extensão, as implicações de continuarmos como somos, e perguntamos "O que podemos fazer?", nossos pensamentos instantaneamente nos exibem um arsenal de soluções, embora todas elas nos envolvam novamente nos mesmos padrões. As noções fixas que temos sobre nós mesmos e sobre o que podemos nos tornar, fecham as portas das possibilidades do que podemos vivenciar, conhecer e fazer. Nossas palavras, nossa linguagem e nossos pensamentos trancaram a porta e esconderam a chave. Dentro dessa prisão interna, nossas escolhas são limitadas e a liberdade é uma palavra vazia. 

Parece que, acidentalmente, não iremos escapar desta prisão que é a nossa forma de conhecer. Suas paredes são mantidas por nossa sensação de separação, nossas ações míopes e nossa incapacidade de enxergar além do interesse próprio. Nossas estruturas e padrões habituais exercem uma força sobre a mente semelhante à atração magnética, puxando-a para imagens, objetos e pensamentos "sólidos", e conservando-a atada a este mundo sólido. Mesmo que consigamos enxergar nossos padrões e tentemos nos libertar, somos arrastados de volta para os mesmos padrões, quase que por reflexo.

Agora, porém, mais do que nunca, precisamos acordar e reconhecer as limitações do nosso conhecimento, não apenas para nosso benefício, mas também para benefício do futuro de todos os seres humanos. Nas últimas décadas, começamos a direcionar nosso conhecimento por canais que são veículos de destruição, colocando em perigo a sobrevivência de todas as formas de vida no planeta. 

Como é que podemos nos libertar desta prisão, quando os padrões nos mantêm amarrados com tanta força? E,bora talvez difícil de reconhecer e de usar, a chave que abre a porta da prisão encontra-se em nosso interior. O conhecimento que nos amarra pode também ser o conhecimento que abre o caminho para a liberdade. Já possuímos estre conhecimento em profusão: conhecemos a extensão das nossas limitações; conhecemos os ciclos estreitos de vontades e frustrações que restringem a nossa visão; sabemos da inutilidade de continuar onde estamos. Agora precisamos dar o passo seguinte e colocar nosso conhecimento em liberdade. 

Assentando-nos no conhecimento que possuímos, podemos acordar uma determinação de nunca mais ficarmos presos em repetições. Esta determinação é a confiança de que precisamos para romper com os padrões que nos amarram. A cada esforço, aliviamos a pressão das respostas habituais e experimentamos um novo influxo de conhecimento. Embora os nossos esforços iniciais talvez não sejam bem sucedidos, podemos nos encorajar, sabendo que o conhecimento irá nos apoiar. Quando sustentamos a determinação com novos conhecimentos, e os aplicamos imediatamente em nossa vida, fortalecemo-nos com cada experiência. Ao recordar e colocar em prática tudo o que sabemos, refinamos o nosso conhecimento continuamente. Com o tempo, poderemos criar um impulso dinâmico capaz de sobrepujar por completo a força dos nossos padrões. [...]

Depois de termos aliviado os padrões limitativos que marcam o nosso pensamento, poderemos encontrar um meio de abrir as paredes do cone e enxergar todo o campo de potencialidades que o tempo e o conhecimento nos proporcionam. Tudo o que agora parece tão aglomerado e sólido — nosso mundo físico, nossas complexidades, pensamentos, sentimentos, emoções — pode se abrir numa esfera de infinitas possibilidades. Liberados do desgaste da repetição, poderemos encontrar o caminho da liberdade, e convidar um conhecimento maior a entrar em nossa vida.  

Tarthang Tulku em, Conhecimento da Liberdade      

É possível transcender nossas estruturas conceituais?

É possível que a energia da consciência humana possua uma afinidade com a luz que ainda não compreendamos. 

Nestes tempos críticos, em que o ritmo das mudanças talvez esteja ultrapassando a nossa capacidade de dirigi-las com sabedoria, nossas alternativas estão diminuindo rapidamente. O conhecimento que aplicarmos agora irá decidir se o ser humano será dominado ou liberado por tudo o que estamos criando. Estamos diante da necessidade de oferecermos uma nova visão à humanidade, uma visão capaz de elevar os povos de todas as nações, e de servir como base para uma nova compreensão da paz e da prosperidade. 

A inspiração para se criar e sustentar uma visão mais ampla do ser humano somente poderá surgir a partir de um maior conhecimento da consciência humana. No entanto, ao nos concentrarmos nos aspectos da mente que podem ser avaliados e analisados, passamos a crer que não nos é possível conhecer a nossa consciência. Como é que podemos adotar esta suposição com tanta facilidade, se continuamente estamos utilizando a nossa mente? Nós vivemos dentro da nossa consciência: ela é a nossa vida, a nossa morada, a essência do nosso ser humano. Dizer que não podemos conhecer a nossa consciência é como dizer que não podemos ver os nossos lábios se moverem quando falamos. De uma determinada perspectiva isto pode ser verdade, mas a solução é olharmos num espelho. Pode ser que simplesmente não tenhamos ainda descoberto o espelho capaz de revelar a verdadeira natureza da nossa consciência. 

Talvez este espelho se encontre dentro da nossa própria consciência. Atrás ou entorno de nossos pensamentos, é possível percebermos um campo refletor, ou uma qualidade cristalina semelhante a um espelho. Talvez o mundo objetivo seja espelhado em nossa mente de modo mais completo do que saibamos. Se desenvolvêssemos meios para examinar nossa mente de forma mais direta, utilizando as nossas descobertas sobre a natureza da realidade física como indicações do que poderíamos encontrar internamente, teríamos oportunidade de descobrir uma maneira inteiramente nova de enxergar a nós mesmos e à nossa relação com o mundo. 

De alguns séculos para cá, vimos utilizando métodos científicos para explorar o mundo à nossa volta. Olhando para o céu, descobrimos que o sol não era o centro, mas apenas uma parte de uma grande galáxia, uma dentre muitas. Atualmente especula-se que a nossa galáxia faça parte de um sistema ainda maior. Ao investigar as formas sólidas, verificamos que eram compostas de moléculas; indo além, descobrimos que as moléculas eram compostas de átomos; indo mais longe, encontramos os elétrons, prótons e, por fim, partículas ainda mais estranhas, que oscilam entre a matéria e a energia. 

Em nenhum momento, encontramos algo que fosse plano, linear ou estático. Desde as menores até as maiores unidades de matéria, o universo físico parece exibir padrões recorrentes. Os corpos giram em ciclos, uns em torno dos outros; a matéria se torna energia, matéria. O espaço vibra com interações dinâmicas que, em última instância, transforma-se em luz. 

Será que a nossa mente também segue padrões semelhantes? Será que os pensamentos são estruturações complexas de energia? Estas questões são hoje apenas especulações, pois não desenvolvemos meios para examinar, a este nível básico, o espectro da consciência humana, em toda sua extensão. 

No passado, nos momentos em que sentimos uma necessidade premente de um maior conhecimento, fizemos árduos esforços para criar melhores meios de observação. Talvez possamos aplicar este mesmo sentido de urgência à compreensão do ser humano, e desenvolver formas de pesquisar nossa consciência mais a fundo. Como ponto de partida das nossas pesquisas, poderíamos começar com os recursos que dispomos: nossos sentidos, processos cognitivos e nossas faculdades analíticas. Vimos utilizando os sentidos para adquirir conhecimentos sobre o mundo físico; talvez sejamos capazes de usar nossa visão para "olharmos para dentro", em um sentido que não seja apenas metafórico; talvez sejamos capazes, também, de dirigir os demais sentidos para o nosso interior. 

Ao "sentir internamente", podemos verificar que nossos sentidos possuem um aspecto sutil que está ligado a uma consciência mais ampla. Normalmente, dizemos que os nossos sentidos estão "cientes de" alguma coisa, o que deixa implícita uma relação entre nós e aquilo que estamos vendo. Talvez também seja possível simplesmente "estar ciente", sem referência a quem está ciente do que, transferindo a ênfase para o "interior" da experiência. Pode ser que haja "ver" e "ouvir" em maior profundidade e amplitude do que saibamos. Porém, até que tenhamos uma experiência mais direta, não dispomos de palavras para expressar a diferença que existe entre nossa compreensão comum da consciência, e a consciência que vai além de um sujeito que interage com um objeto. 

Ao aprender a "ler a linguagem" das nossas capacidades cognitivas mais sutis, podermos encontrar um reino fascinante que havíamos deixado de notar. Por meio de observações e análises continuadas, podemos expandir nossas estruturas conceituais para abarcar novos conhecimentos a respeito da consciência humana. Uma vez que nossa perspectiva da consciência humana tenha começado a se modificar, cada nova descoberta do mundo físico poderá nos inspirar a olhar para dentro, equilibrando nossos conhecimentos do mundo observável com conhecimentos sobre o observador. 

Onde está o homem que se libertou do ego?


Onde está o homem que se libertou do ego? Diante dele, precisamos curvar-nos com profunda reverência, com maravilhada admiração, com humildade contrita. Eis um indivíduo que descobriu seu verdadeiro eu, sua independência pessoal, seu próprio ser. Aí está, enfim, um homem livre, alguém que encontrou seu valor real num mundo de falsos valores. Aí está, enfim, realmente um grande homem, um homem verdadeiramente sincero.

Quem quer que chegue a esta realização se torna um sol humano que irradia iluminação, emana força e amor para todos os seres.

Será digno de ser chamado um sábio aquele que une em si maturidade no julgamento e na experiência, prudência na fala e na conduta, racionalização correta e conhecimento adequado, santidade humanizada e iluminação espiritual.

Na solitude da presença divina ele será sempre silenciosamente humilde. Na presença de seus semelhantes humanos, ele demonstrará, de forma incomparável, autodomínio, de forma tranquila, dignidade, e de forma sutil, autoridade. 

Possuir um halo espiritual não o faria mais feliz; ele não está interessado em ser visto como uma pessoa ‘espiritual’. Para ele, a espiritualidade não é uma característica especial e separada, mas algo que deveria ser o estado natural do ser humano. Consequentemente, ele considera o pensamento de que seja destacado por essa qualidade, ou que seja elevado por isso, como algo desinteressante para ele. 

Esse paradoxo é a situação extraordinária dele: aceita o ego, mas, ao mesmo tempo, o repudia. Embora tenha alcançado um nível divino, ele nunca será arrogante e pretensioso, sempre mantendo uma dignidade simples e natural. 

Assim como não há nenhuma virtude em ir dormir, nada para se orgulhar por isso, da mesma forma o sábio considera o fato de seu ser estar no Ser não menos natural do que isso, como nada a ser exibido diante dos outros. Isso parece uma humildade inapropriada para o mundo, mas será algo bem natural para ele.

Para o sábio, é fato de uma certeza total e cientificamente observável, o de que Deus existe, de que o ser humano tem uma alma, de que ele está aqui na Terra para unir-se a ela e o de que só poderá alcançar a felicidade verdadeira se seguir o bem e evitar o mal. 

Ele nunca poderia fazer de sua elevação espiritual um negócio comercial, nem uma carreira profissional remunerada. Quão diferente ele é desses líderes ambiciosos cuja motivação e pretensão de servir à humanidade é de fato uma fachada para o serviço ao próprio ego.

Tal sábio não possui inimigos, embora haja aqueles que o considerem assim. O ódio não pode penetrar no seu coração; a boa vontade em relação a todos é a fragrância em sua atmosfera. 

Aquele que encontrou seu eu genuíno não necessita de uma pose para o benefício de entusiásticos discípulos. Ele obtém a satisfação mais profunda somente em ser ele mesmo. O que os outros possam dizer louvando-o não poderá acrescentar mais nada ao prazer que sua consciência mais elevada lhe traz.

As limitações do Intelecto


É verdade que nenhum ser humano poderá chegar á verdade sobre Deus através de seu próprio pensamento, o qual, meramente, é o pensamento do ego. Mas também é verdade que, através de uma penetrante, incisiva e persistente reflexão, ele poderá chegar á verdade que percebe as limitações do ego, as limitações do intelecto e, dessa maneira, saber o momento quando deverá suspender seus esforços, parando-os e entregando-os, através da meditação mística, ao seu lado não pensante de seu ser.

A ideia não é a realidade última, é somente uma manifestação de algo que é a realidade suprema, a qual parece ser uma abstração. Intelectualmente, assim ela deve ser por estar além do poder finito da mentalidade humana de concebê-la. Mas não estará além do poder de uma faculdade superior, latente em nós, de se ter a experiência dessa realidade – pelo menos por certo tempo. Só se saberá se isso é verdade ou não se o intelecto, humildemente, compreender suas próprias limitações e, em certo estágio e de forma voluntária, abrir mão de si mesmo. Na maioria dos casos, isso acontece prematuramente e, como consequência, surgem as decepções e alucinações que são comuns nos círculos místicos. No caso do místico filosófico, tal renúncia do intelecto só viria após o uso máximo do pensamento crítico e da razão analítica. Então, esse seria o momento apropriado para o suicídio do ego, já que, no final, ele será levado a essa mudança repentina. Talvez a afirmação de Jesus, “A não ser que te tornes criança não entrarás no reino dos céus,” seja aqui apropriada, se a compreendermos como um convite à entrega de todo o orgulho humano e não à sua estupidez. 

O pensamento chega ao seu propósito mais elevado quando ele leva ao seu próprio silêncio e a mente transcende todos os pensamentos. 

A mente continuará a ter dúvidas, a formular questões, a criar problemas e ilusões para si, como sempre o fez no passado. Quer dizer, fará isso até chegar à Verdade e descansar no Silêncio.

Ao nos dizer aonde o conhecimento deverá terminar e o mistério começar, ao ser forçado a descrever o Absoluto, nos dizendo o que Ele não é, e então confessar que não pode ir além, o intelecto entregará suas limitações e adquirirá a qualidade da humildade, que é a condição essencial para se receber a graça divina. 

As limitações do intelecto deverão ser reconhecidas, pois só então o ser humano estará pronto para tentar as técnicas filosóficas aonde as palavras são utilizadas para se elevar acima das palavras e os pensamentos direcionados de tal maneira que o aspirante poderá se retirar de todos os pensamentos. 

Corretamente usado, suas limitações compreendidas, suas distorções emocionais e egoístas descartadas, o intelecto poderá então capacitar ao ser humano a pensar corretamente. Dessa maneira, poderá trazer um efeito liberador; de outra forma, provavelmente terá um efeito corruptor.

Desenvolver o intelecto e então saber quando renunciá-lo, será se tornar seu mestre. Ele então terá cumprido seu propósito e servirá ao ser humano em vez de dominá-lo e assim o desequilibrar. 

A mente silenciosa recebe orientações espirituais e permite à Graça que se aproxime; a mente pensante lida com o mundo atendendo às suas atividades.

Paul Brunton – Notebook 5/2 – Capítulo 1
Fonte: Comunidade Facebook Paul Brunton em Português

Por que exercitar a escuta atenta?


Vá a um templo JAINA e você verá vinte e quatro estátuas dos TIRTÂNKARAS JAINAS — as pessoas que são como Jesus, Buda, Zarathustra — e você se surpreenderá: eles parecem ser exatamente o mesmo. Não é possível: você não pode encontrar vinte e quatro pessoas exatamente iguais. Nem JAINAS podem fazer a distinção de quem é quem. Eles não podem dizer quem é Mahavira e quem é Neminath e quem é Parshwanath e quem é o primeiro e quem é o último, porque eles parecem absolutamente iguais — os mesmos rostos, os mesmos narizes, os mesmos olhos, os mesmos corpos, a mesma posição. Para distinguir que eles são pessoas diferentes, os JAINAS descobriram os símbolos: o símbolo mostra um leão ou algo assim, que mostra de quem é a estátua. 

Por que eles a fizeram iguais? Certamente elas não são históricas. Elas são iguais porque os escultores jainas não estavam interessados na História, eles estavam interessados no FENÔMENO INTERIOR. Aqueles homens tinham atingido à MESMA EXPERIÊNCIA... — como representar isso? E como representá-lo em mármore? Eles atingiram à mesma IMOBILIDADE, ao mesmo CENTRAMENTO, ao mesmo FUNDAMENTO, à mesma CRISTALIZAÇÃO. Daí, as estátuas iguais — a mesma posição, o mesmo corpo representando algo do MUNDO INTERIOR — o mesmo estado espiritual, o mesmo SAMADHI. 

Você se surpreenderá sobre muitas coisas, ao olhar aquelas vinte e quatro tirtânkaras e suas estátuas. Você verá que suas orelhas são muito grandes, seus lóbulos encostam-se nos ombros. Você não encontrará orelhas assim. Isso representa algo: diz que aquelas pessoas atingiram seu supremo estado de consciência PELO OUVIR ABSOLUTO — ouvir as canções dos pássaros, ouvir o vento passando entre os pinheiros, ouvir o som das águas, ouvir silenciosamente TUDO QUE VAI ACONTECENDO AO SEU REDOR. 

Ouvir era o método deles. Assim como o método budista é o de observar a respiração, o método JAINA é o de ouvir os sons. Ouvir corretamente é o suficiente. Se a pessoa puder ouvir SEM O TAGARELAR INTERIOR DA MENTE, se a mente tornar-se completamente calma... este cão latindo lá longe, ou o pássaro piando. Se você puder apenas ouvir SEM PENSAR, sem pensar nem que "o cão está latindo", "os passarinhos estão piando", APENAS OUVIR SEM NENHUM PENSAMENTO, SEM QUALQUER INTERPRETAÇÃO, você atingirá cada vez mais e mais profundos reinos de silêncio: atingirá à suprema consciência. 

Qualquer espécie de consciência alerta conduz ao Supremo. Ora, a consciência alerta pode vir dos sentidos, de qualquer um dos cinco. Você poderá ouvir música e funcionará... pode ouvir qualquer coisa e funcionará. Pode olhar as nuvens e o pôr-do-sol e os pássaros voando no espaço e, ao ver, funcionará. O único ponto a ser lembrado é este: SUA MENTE NÃO PODE FUNCIONAR — seus sentidos não podem ficar anuviados pela mente. 

Para representar isso, as longas orelhas. Ora, como representar em mármore o método de ouvir? Esta é uma bela representação. Mas há tolos eruditos jainas, tão tolos quanto os cristãos, que pensam que todo tirtânkara tem aquelas longas orelhas — sem as tais longas orelhas, não pode ser um tirtânkara. Tirtânkara quer dizer exatamente o mesmo que Buda, ou Cristo — essa é a terminologia jaina. Isso é estupidez, falta de compreensão, abordagem nada compreensiva. E depois, isso pode ser cristalizado muito facilmente. 

OSHO

O iluminado é livre para escolher como servir


É um erro acreditar que todos os adeptos místicos possuem os mesmos e invariáveis poderes supranormais. Pelo contrário, eles manifestam o poder ou poderes que estejam de acordo com sua linha anterior de desenvolvimento e aspiração. O indivíduo que tenha vindo ao longo de uma linha intelectual de desenvolvimento, por exemplo, manifesta mais naturalmente poderes intelectuais excepcionais. A situação foi bem apresentada por São Paulo na primeira epístola aos Coríntios: “Há uma diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há uma diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há uma diversidade de trabalhos, mas Deus que tudo trabalha em todos é o mesmo.” Quando o Eu Superior ativa a recém-criada psique do adepto, o efeito se revela em alguma parte ou faculdade; em outro adepto produz efeito diferente. Assim, a fonte é sempre a mesma, mas a manifestação é diferente.
 
Será necessário dar a certos termos uma definição mais clara, pois, com frequência, são erradamente usados de forma alternada e confusa. O SANTO realizou com sucesso disciplinas ascéticas e regimes purificatórios com propósitos devocionais. O PROFETA ouviu as palavras de Deus e comunicou Sua mensagem de predição, advertência ou aconselhamento. O MÍSTICO experimentou intimamente a visão da cosmogonia de Deus enquanto esteve concentrado em meditação. O SÁBIO alcançou os mesmos resultados de todos esses três, adicionou a isso um conhecimento sobre a realidade eterna e infinita e levou todas as coisas a uma união equilibrada. O FILÓSOFO é um sábio que também se engaja na educação espiritual dos outros.
 
Aquele que alcançou alguma medida de conhecimento não está obrigado a servir à sua época dentro de qualquer forma rígida específica. Ele realizará sua tarefa de acordo a nenhuma regra ou regulamentos, mas dentro de suas circunstâncias e oportunidades pessoais e as relacionará como possa às necessidades de seu meio. Ele é livre para escolher a maneira de como servir assim como é livre para escolher aqueles que pessoalmente ajudará. Dessa maneira, estará completamente justificado para estabelecer seu próprio método de trabalho e não cegamente seguir o que seus críticos impingem sobre ele.
 
O sábio é tanto uma criatura de sua época e herdeiro de sua herança histórica como o é os outros, pois terá de se expressar numa língua que possa ser compreendida. Entretanto, se a algumas almas iluminadas lhes é dada uma missão para impulsionar o mundo para os ideais mais elevados, outros não sentirão tal obrigação e permanecerão quietos ou mesmo obscuramente reclusos.
Não há nenhuma obrigação sobre o sábio para que permaneça estacionário em um lugar ou para que viaje de cidade a cidade. Sua orientação interna por si decide a questão assim como seu carma pessoal também dará sua contribuição a essa decisão.
 
Se alguns reconhecem e aceitam a responsabilidade que acompanha sua elevação espiritual, outros preferem deixar a humanidade nas mãos de Deus e por si mesma!
Paul Brunton – Notebook 16 – Cap. 3

O Que é a Meditação?

A meditação se eleva ao seu nível apropriado quando o que medita só pense sobre a relação ou aspiração existente entre si mesmo e o Eu Superior; e elevar-se-á ao seu nível mais supremo quando elimine mesmo tais ideias e ele não pense em mais nada a não ser no Eu Superior.

Esta arte da meditação, em síntese, é uma questão de se chegar a profundidades cada vez maiores dentro de si mesmo até que se penetre por trás do ego dentro do puro ser.

O estudo apropriado sobre isso terá de levar em conta uma divisão tripla: primeiro, a natureza da mente de acordo com a filosofia; segundo, os trabalhos da mente; terceiro, o método de obtenção do controle sobre esses trabalhos, isto é, o yoga.

Começamos a prática sendo ativos na mente, mas após suficiente prática, só poderemos prosseguir se ficarmos mentalmente passivos.

Esta arte da meditação é realizada através de dois estágios progressivos: primeiro, pela concentração mental e segundo, pelo relaxamento da mente. O primeiro é positivo e o segundo passivo.

É um propósito dela chegar mais e mais próximo do Centro do próprio ser...

Um processo que leva a consciência ao desapego das coisas, das racionalizações, dos eventos e de todos os objetos possíveis, para centralizá-la no próprio ser.

Uma arte que ensina, primeiro, a que se retire do seu meio circundante pela concentração em único pensamento e, posteriormente, a que submerja na Mente Espiritual ao pôr de lado qualquer pensamento.

O primeiro passo será capturar os pensamentos e recolhê-los em si pelo poder da vontade. O segundo será pôr a atenção dentro de si mesmo, afastando-a dos cinco sentidos relacionados à experiência física. É um processo de retirada da atenção do que o circunda e do direcionamento dela para dentro de si mesmo.

Durante a meditação, o propósito principal será liberar a mente das preocupações mundanas e dos desejos pessoais, possibilitando assim que ela torne-se um receptáculo claro e vazio para que seja preenchida pelo divino – no momento em que seja atraída devido ao preparo feito para isso. Ao retirar todos os pensamentos da mente ela será vivenciada pelo que é – pura e sem misturas.

Se quisermos ter sucesso na meditação, duas condições fundamentais devem ser lembradas: a primeira será que tragamos nossa atenção de volta a nós mesmos quando ela se disperse; a segunda, que sempre penetremos mais e mais profundamente no nosso interior até que o Vazio seja alcançado e, por fim, que nos tornemos unos com esse Vazio.

A essência divina está dentro de nós mesmos e não em algum outro lugar. Isso nos mostra a direção correta de onde encontrá-la. A atenção, com seus interesses e desejos que a movimentam, terá de ser recolhida das coisas e seres externos.

A meditação primeiro reúne nossas forças em um único canal e, depois, as direciona para o Eu Superior. É um trabalho de direcionar a atenção mais e mais para dentro até que chegue a um plano, por trás dos pensamentos, aonde somente o ser em paz exista e esteja bem-aventurado.

(Paul Brunton – Notebook 4 – Cap. 1)

A Verdade e o Silêncio

"Há um silêncio que nasce da ignorância e outro que nasce do conhecimento — do conhecimento místico. 
A interpretação correta só vem através da faculdade intuitiva, e não através do intelecto. 

Essa quietude é a parte divina de todo ser humano. Ao deixar de procurá-la, o indivíduo deixa de tirar o máximo de proveito de suas possibilidades. 

Se, procurando, ele a perde no caminho, isso acontece porque ela é um vazio: simplesmente não há nada lá! Isso quer dizer: não há coisa alguma, nem mesmo coisas mentais, ou seja, pensamentos. 

O espírito (Divino) não é a quietude, mas é encontrado pelos seres humanos que estão na condição prévia de quietude. 

A quietude é a reação humana deles à presença do Divino, presença que entra no seu campo de consciência. 

A Quietude é não só uma Compreensão ou um insight da mente, mas também uma Experiência do Ser. Todo movimento ou vibração pára.

Não é fácil traduzir esse silêncio sagrado de modo a tornar-se compreensível, descrever um conteúdo onde não há forma, ascender de uma tão profunda quanto a de Atlântida, hoje submersa, e falar abertamente sobre isso em linguagem familiar e inteligível; mas é preciso tentar.

À medida que o centro de um indivíduo se desloca para uma profundidade maior de ser, a paz de espírito torna-se cada vez mais uma companheira constante. Isso, por sua vez, influencia o modo com que ele lida com suas atividades mundanas. A impaciência e a estupidez desaparecem; e a ira e a malignidade são disciplinadas; a falta de coragem em situações adversas é controlada, e a tensão quando ele está sob pressão é diminuída.

A verdade jaz escondida no silêncio. Revele-a, e a falsidade irá insinuar-se nela, fazendo murchar a imagem dourada. A comunicação através da fala ou da escrita não era necessária. A verdade pode ser escrita ou falada, divulgada em sermões ou publicada, mas a sua mais duradoura expressão e comunicação é transmitida, através do mais profundo silêncio, para a natureza mais profunda do homem.

A razão por que essa iniciação na quietude — iniciação sem imagens, interior e silenciosa — é afinal tão mais poderosa, é que atinge o próprio homem, ao passo que todos os outros tipos de iniciação atingem apenas seus instrumentos, veículos ou corpos.

Quando os pensamentos e desejos pessoais do ego são desnudados, eis que nos vemos tal como éramos no nosso primeiro estado e tal como seremos no último. Somos, então, apenas o Ser Real, na sua quietude e solidão Divinas. Quando o homem atinge temporariamente essa condição sublime, ele deixa de pensar, pois a sua mente se emudece com a paz celestial.

Não importa quão escuro ou tortuoso seja o passado, quão miserável seja o emaranhado que o indivíduo tenha feito de sua vida, essa paz inefável tudo apaga. Dentro desse abraço angélico não se conhecem erros, não se sente a miséria, não se relembra o pecado. Uma profunda purificação toma posse do coração e da mente.

Nessa profunda quietude, na qual todo traço do eu pessoal se dissolve, ocorre a verdadeira crucificação do ego. 
Esse é o real sentido da crucificação, como a ela se era submetido nas antigas iniciações do templo do Mistério e como a ela foi submetido Jesus. A morte subentendida é mental, e não física.

Aquele que alcança essa bela serenidade está remido da miséria dos desejos frustrados, está curado das feridas das lembranças amargas, está liberado da carga das lutas terrenas. Ele criou um centro invulnerável e secreto dentro de si mesmo, um jardim do espírito que não pode ser tocado nem pelos sofrimentos, nem pelas alegrias do mundo. Ele encontrou uma transcendental unicidade da mente.

Só é capaz de formular seu próprio pensamento, sem influência de outros, aquele que se treinou para entrar na Quietude, onde sozinho, é capaz de transcender todo o pensamento.

A Verdade que conduz um homem à liberação de todas as ilusões e escravidões é percebida nas profundezas mais interiores do seu ser, lá onde ele está completamente isolado de todos os outros homens. O homem que atingiu esse conhecimento encontra-se numa solidão sublime. É pouco provável que se afaste dela com a intenção de iluminar seus semelhantes, já que eles estão acostumados à escuridão e já que se sentem tão à vontade dentro dela. Ele só sairá dessa solidão se alguma outra força de compaixão, propulsora, surgir dentro dele e o levar a fazê-lo.

Se o aspirante conseguiu manter a mente de certo modo calma e vazia, seu próximo passo é encontrar o centro de si mesmo. Não basta alcançar a paz de espírito. O aspirante precisa penetrar o Real ainda mais profundamente, e conseguir a alegria do coração.

Se a mente pode atingir um estado do fique livre de suas próprias ideias, projeções e desejos, ela pode atingir a verdadeira felicidade. Aquele belo estado no qual a mente se reconhece pelo que ela é, no qual toda atividade é aquietada, com exceção apenas da atividade da consciência, e assim mesmo de uma consciência sem um objeto — esse é o coração da experiência. Essa é a solidão suprema, à qual todos os seres humanos estão destinados."

Paul Brunton

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O curandeiro não "faz" ou "dá" algo ao paciente, mas ajuda-o a voltar para o Todo, para o caminho da "Unidade" com o Universo; neste "encontro" o paciente se torna mais completo, e isto é cura. Nas palavras de Arthur Koestler: "Não há linha divisória nítida entre a auto-reparação e a auto-realização". - Lawrence LeShan

Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)