O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Milagre da Graça

          Que é a graça? É uma descida do Eu Superior na zona da consciência. É a visita de uma potência tão inesperada e imprevisível, quanto feliz e fecunda. É mão invisível que se estende até nós para nos guiar no meio das trevas em que titubeamos. É a voz do Eu Superior falando de repente através do silêncio cósmico que nos rodeia. É como um raio glorioso de esperança que rebrilha no instante em que tudo parece perdido.
          Mais precisamente, é a energia mística, o princípio ativo emanando do Eu Superior, que pode dar resultados no campo do pensamento, do sentimento, mesmo da. carne, em parte, e nas relações kármicas, de outra parte. É uma vontade cósmica e não um piedoso desejo ou pensamento amável, que pode produzir verdadeiros milagres, de acordo com suas leis desconhecidas. Sua potência é tal que pode conferir a capacidade de penetração até a realidade última, tão facilmente como dar vida ao moribundo a dar a um outro, e de novo, o uso de um membro paralisado.
          Por existir em cada homem o Eu Superior, a graça existe em estado potencial. Quando nele desperta, dá-lhe imediatamente a consciência de mudança enorme no sentido em que opera; trata-se de mutação moral, física, sentimental ou material. Esta potência é tal que pode freqüentemente destruir seu equilíbrio no domínio sentimental ou intelectual.
          O Eu Superior não está muito longe, além do coração. Se se julga de outra maneira, é uma ilusão, da qual devemos libertar-nos para a busca metafísica ou a prática mística. A afirmação de que Deus reside no coração do homem não é somente de caráter poético, mas de caráter científico. E, portanto, o nascimento da graça é primeiro sentido no coração, não na cabeça, porque o coração é o mais íntimo habitat no corpo humano.
          Ela se manifesta de dois modos: primeiramente, por um sentimento que faz considerar a vida exterior como insuficiente por si mesma, em segundo lugar, por um desejo ardente da realidade interior. O nascimento começa por uma chamada da atenção sobre c peito. A força interior age por uma força centrípeta que desvia a atenção do exterior e da ambiência física. Se o paciente obedece a essa solicitação e a concentra cada vez mais, no sentido interior, achará sua recompensa. Começa a sentir que existe nele alguma coisa oculta de que deve, conscientemente, tomar posse, sob pena de experimentar todas as dores da frustração e da privação. A noção do que pode ser essa "alguma coisa" não é nítida na sua mente, mas tem a intuição de que se trata de elemento sagrado da alma divina. O efeito final é, primeiramente, de canterizar o "eu pessoal" no coração e em seguida, estando assim a via preparada, de conferir a capacidade de penetração na realidade última. O primeiro efeito, por etapas, pode-se estender por vários anos, enquanto que o segundo se produz sempre instantaneamente.
          O homem pode compreender que a primeira atividade acontece nele por causa das agonias que lhe causam os anelos e aspirações nascidas espontaneamente em seu coração, como conseqüência. Essas agonias são, às vezes, acompanhadas de lágrimas. Em conseqüência, a graça sobrevêm como ponto culminante de uma luta emocional. Em certos casos, manifesta-se sob a forma de luz mística, que é apenas passageira e não se repete. Neste instante sublime em que um poder superior toma conta do ego e o atrai para si, o homem pode compreender que a graça lhe foi concedida. É preciso então que se submeta, sem reticências, ao condutor divino. Se a revelação tem a duração de um relâmpago, as suas conseqüências se fazem sentir durante semanas e meses e, às vezes, durante anos. Dispondo desta graça, o caminho que segue o aspirante durante semanas e meses e, às vezes, durante anos. Dispondo desta graça, o caminho que segue o aspirante, abre-se em perspectivas até então insuspeitadas.
          É talvez no domínio moral que a ação da graça se faz sentir a princípio com força de natureza revolucionária. Os psicanalistas e seus discípulos são inclinados a considerar o que chamam de subconsciente do homem como um poço sem fundo, onde pululam unicamente desejos malsãos e idéias lúbricas. Eles necessitam aprender que encerra um fundo infinito de bondade, verdade e beleza tal, que os esmagaria com sua grandeza, pudessem eles ter conhecimento apenas momentâneo. Muito falaram dos tormentos causados ao homem por seus desejos sexuais afogados. Suspeitam dos tormentos causados ao homem pelo recalque inconsciente de seu desejo de vida superior, de realidade interior? Sabem eles, porventura, que existe um "subconsciente" muito mais profundo e mais vasto que o que indicam e que espera por ser reconhecido?
          Mesmo no coração do pecador mais endurecido subsiste um núcleo que permanece imaculado; a alma não cessa, silenciosamente, de mostrar a via do bem e da sabedoria. A graça é ao menos tanto, senão mais, para aqueles que um mundo farisaico despreza e que uma sociedade rígida demais rejeita. A seu toque místico, a lembrança dos pecados já passados se apaga, as angústias dos sofrimentos do presente se adoçam, o passado abominável se esgarça, os piores rancores se apaziguam e os tormentos causados pela decepção dos desejos se dissolvem no ar. O fraco recupera forças, o aflito é consolado.
          Todas as nossas melhores e mais nobres qualidades, nossas faculdades de pensar, de imaginar, de sentir mais elevadas, se ligam a esta corrente entre o homem e Deus, este intermediário que é capaz de partilhar ao mesmo tempo da vida tanto da pessoa como da Mente-Mundial, e assim ligar o efêmero com o eterno. Para o homem, ele constitui meta para a qual devem dirigir-se seus esforços intelectuais, um foco quotidiano, uma incitação constante para elevar-se acima de sua natureza animal. Ele o incita a praticar a virtude, a fazê-lo apreciar a verdadeira beleza. É um buraco na fechadura pelo qual o homem pode lançar um golpe de vista sobre a realidade. É o eu central que o homem tem que descobrir se quiser saber o que é e o que Deus é, verdadeiramente. É também o guia interior de que falam certos místicos.
          Esta luz que não é vista, esta voz que não é ouvida, se acham escondidas por detrás de todas as aspirações humanas. Todas as coisas se esforçam inconscientemente para realizar sua divindade inerente, progredir no sentido do eu ideal, transformar em fato o que elas já são em seu princípio oculto e em sua possibilidade final. Por que sua existência garante que o homem se arrependerá um dia e se lançará suplicante aos seus pés? Porque agirá um dia como o filho pródigo. Escravo ou potentado, uma nostalgia divina invadirá seu coração. Esta nostalgia ou, à falta dela, os amargos insucessos da vida, o levarão a se virar para a última esperança que lhe resta, a melhor das esperanças. Cada ser finito é inconsciente e imperceptivelmente atraído para o ser infinito que é o Eu Supremo, como a mosca para a luz. Não existe felicidade, paz verdadeira, satisfação duradoura enquanto esta meta não for alcançada. Ninguém experimentaria esta nostalgia lancinante para a vida beatífica se esta não existisse realmente. Aí se acha a garantia de que cada ego se voltará para a luz a fim de ser salvo, finalmente, e reconquistado.
          Mas o Eu Superior não desempenha sempre um papel de testemunha. Embora seja silencioso e imóvel, não é, no entanto, sua presença que, paradoxalmente, torna possíveis todas as atividades e movimentos do homem. Em sentido mais amplo, não é somente o Observador oculto, mas é também, por participar da Mente-Mundial, o senhor interior da pessoa. É ele que observa o karma da encarnação seguinte porque conhece todas as possibilidades kármicas do passado; é o agente secreto que as transpõe no tempo e no espaço para seu progresso último. Em certos momentos da vida pessoal, pode intervir repentina e dramaticamente, fazendo surgir acontecimentos imprevistos ou inspirando irresistivelmente uma certa decisão. É igualmente um ato da graça. No resultado, o homem se acha guia-do de maneira supra-racional ou milagrosamente protegido.
          Quem recebe a graça do Eu Superior sai de seu torpor moral ou mental, e experimenta, ordinariamente por certo tempo, e às vezes definitivamente, uma notável mudança de caráter. A cabeça é afetada mais que o coração, os pensamentos mais que os sentimentos, a vontade mais que os desejos. Porque, na verdade, o Eu Superior é a consciência mais alta de cada ser humano, é seu verdadeiro anjo da guarda, que do alto vela por ele. Intervém, às vezes, na vida pessoal, em caso de comportamento moral pernicioso para si e para os outros, dando aviso claro e nítido. Por alguns instantes eleva a pessoa a seu ponto de vista transcendental e a faz perceber a verdade oculta da situação, com uma luminosidade marcante. Um sentimento de exaltação estranho acompanha necessariamente a experiência que se torna bastante intensa e toma um caráter de devaneio profundo. Mas, isso desaparece depressa, infelizmente, e o homem recai quase sempre em seu antigo ponto de vista familiar, continuando a enganar-se por um raciocínio, sem compreender a paixão, a emoção, o interesse particular, as aparências; a falta de experiência pode permitir que se dissimule nele o verdadeiro estado das coisas. É preciso meditar longo tempo sobre elas e interessar-se fundamente por elas, por essas visitas raras do nosso Eu divino, porque se não tivermos cuidado, o Eu Superior falará outra vez com voz mais firme — a do sofrimento kármico. Temos sempre o direito de esperar do Eu Superior socorro para nossas dificuldades, até mesmo ajuda milagrosa, se estivermos no bom caminho que nos indica. Contrariamente, se não tomamos em consideração, veremos cedo a manhã cinzenta levantar-se em nossos dias, cobrindo a rósea cor dos nossos sonhos.
          Se a resistência egoísta do homem é muito obstinada, se preocupa demais com seus negócios ou com seus prazeres, e seu espírito não se desprende deles um momento sequer, durante sua vida desperta; se o falacioso prestígio de sua personalidade o impede de ver a mensagem recebida de outro modo, o Eu Superior pode lançar-lhe o aviso durante o sono. Aqui, o homem receberá a comunicação, em seu espírito consciente, algumas vezes no curso de um sonho, simbólico ou não, mas muitas vezes ao sair imediatamente de um sono sem sonhos. É então muito importante examinar atentamente as idéias que num período de exaltação do espírito surgem de modo inesperado, e não deixar escapar sua significação.
          O Eu Superior age, em silêncio e segurança, e modifica a vida do ser profundamente e sem teatralidade. Toma conta do homem sem anúncios berrantes; as outras conversões são apenas turbações emotivas. O divino age de maneira profunda. Por que não manifesta ele mais abertamente seu poder, não intervém com mais clareza na vida da consciência? É porque, sabendo-se imortal e conhecendo a natureza efêmera da pessoa, pode permitir-se esperar com maravilhosa paciência que cresça, amadureça e desapareça a força da pessoa. Isso explica por que não podemos obrigar que a graça desça sobre nós. Ela vem à sua hora não à nossa; bruscamente, sem a esperarmos. É dom que não se obtém, nem por manhas nem com lutas e artifícios. Mas, podemos nos preparar para sua vinda e tirar da espera o maior proveito, preparando-nos tão somente. A vinda da graça se ressente de modo reconhecível, mas somente depois que o homem foi humilhado e castigado, tornado modesto. Quando descobriu, pois, que os resultados obtidos na via oculta eram de valor duvidoso, se não perigoso, e constatou que tinha necessidade de socorro exterior, que não lhe chega senão é solicitado com efusão. Momento de saturação moral em que a intervenção celeste se manifesta abruptamente. A manifestação, pois, não nos chega sem o preparo prévio, sem a maturação dos esforços e sem, finalmente, a solicitação fervorosa. A base da atração entre aquele que pede e o que dá, deve ser a fé e o amor. Desde seu sonho inicial até seu êxito definitivo, o aspirante deve crer indefectivelmente que esse Eu Superior existe, alcançá-lo constitui a meta oculta de sua encarnação.
          Precisamos mudar de atitude e erguer os olhos com amor para o Eu Superior. Devemos nos prender a ele mais que a qualquer outra coisa. Este poder que dirige a vida universal pode igualmente dirigir a nossa vida, se o deixamos que pense, sinta e aja através de nós; devemos dizer ungidos — "Que tua vontade seja feita". Em verdade a graça vem do céu como o orvalho, mas os homens não a recebem. Somente a humildade ante este Eu Superior pode abrir a barreiras que trancam o acesso aos subterrâneos do rei, na pirâmide em que reside.
          A graça sobrevêm unicamente por uma operação do Eu Superior, mas o homem pode recebê-la através de seu desejo constante e da oração, desviando freqüentemente o olhar de sua mesquinha pessoa pousando-o no Eu Superior. Todo grito sincero que lançamos, no curso de uma crise, no vazio aparente, é ouvido pelo Eu Superior sempre presente. Não esqueçamos de ser sinceros, isto é, que o anseio corresponda aos atos do homem, tanto quanto aos seus pensamentos; que seja uma aspiração permanente e não simplesmente um desejo momentâneo. Quem invoca a potência suprema não deve faze-lo em vão, embora a resposta possa tomar uma forma inesperada que nem sempre é de seu gosto, e vã, às vezes, além de suas esperanças, agindo sempre em seu benefício verdadeiro e não somente na aparência. Perde-se, às vezes, muito tempo em reclamar favores imerecidos. A sabedoria prática e a sinceridade moral consistem em acolher no coração esta verdade: arrepende-te e serás remido.
          No cômputo geral, todos os nossos valores do bem e do mal são relativos. São apenas idéias transitórias. É no Eu Superior que achamos o valor supremo e absoluto, porque transcende o plano da ideação. O Eu Superior não pode separar-se do karma cósmico, mas não está sujeito à operação da causalidade pessoal, visto que não é sujeito à personalidade, a mudanças, relatividades; estando além dos limites destas idéias, que aparecem em seu interior. Saberemos por que isso é assim quando estudarmos a natureza da realidade última. Daí que o karma pessoal não pode operar neste plano de natureza absoluta, qualquer que seja a inflexibilidade com que age no interior, do mundo espaço-tempo da existência relativa. O fato de que a condição pessoal não exista no plano mais profundo da existência, constitui uma grande esperança para a humanidade, porque torna possível a introdução na vida humana do fator da graça inteiramente novo e inesperado, e que representa o que chamaríamos uma bóia de salvação à qual podem agarrar-se os mortais que se desesperam. O maior pecador pode receber o que não mereceu se deseja arrepender-se sinceramente, corrigir-se em toda a medida do possível e voltar-se para a sublime fé. Qualquer que tenha sido sua vida anterior, mudando seus pensamentos e seus atos, poderá comungar com o Eu Superior e fazer ouvir sua voz nesta região mais alta, donde é sempre possível surgir o dom da graça. O que os místicos sentem, às vezes, na fase mais profunda de seu transe, como se fosse a presença do amor infinito, não existe para eles somente, mas irradia sobre todos os seres. A salvação é para todos. A doutrina do perdão dos pecados formulada por Jesus não é outra coisa senão a expressão desta verdade, em termos facilmente inteligíveis a todos. Os novos princípios dos quanta e a lei da indeterminação representam a expressão científica da mesma verdade, mas não são inteligíveis senão para mentalidades técnicas. Estes princípios, entretanto, não derrogam a lei kármica que governa o universo, que lhe dá sua existência primeira e o dissolve em seguida em sua inanidade final. Ela permanece tão poderosa e dominante como dantes. É preciso que completemos o círculo e percebamos que a verdade, relativamente à vida humana, é bastante ampla para englobar a ação do karma e a liberdade do que o próprio karma se origina. O que se acaba de dizer é que nós não alcançamos nossos fins, materiais ou espirituais, unicamente pelo nosso mérito ou somente pela graça de Deus, mas pelos dois ao mesmo tempo. O primeiro nos prepara para receber p segundo.
          Ninguém pode permitir-se afastar a graça da ordem da natureza. Também não pode permitir-se de não sentir o desejo. Ninguém deve ser orgulhoso para não orar, e isto suscita a questão da necessidade e da utilidade da oração. Ninguém tem o direito de desdenhá-la. Enquanto formos imperfeitos, a oração nos é indispensável. Somente o sábio que não nutre mais desejos pode dispensar-se dela, embora a possa fazer em benefício dos outros, a seu modo misterioso. Não podemos igualmente dizer que é um erro orar para fins materiais, o que é justo, às vezes. A oração dirigida a um ser sobrenatural com o fim particular de libertar o pedinte das aflições que mereceu, não pode ter outro resultado senão a consolação psicológica que traz. Ela não modificará, certamente, de uma letra a penalidade kármica. A oração, porém, que se combina com um esforço de arrependimento para corrigir os defeitos que deram crescimento à aflição e que completa uma tentativa real a reparar o mal eventualmente causado a outrem, pode não ser vã. O arrependimento e a reparação são os fatores capitais para tornar uma oração eficaz. Representam uma força que pode afetar o karma pessoal, introduzindo no processo kármico um karma novo e favorável. Nada pode ser mais ilusório que a prática observada entre budistas, indus e cristãos ao proferirem automaticamente orações lidas num livro ou recitadas de memória, à maneira de papagaio. É vão o elogio a Deus; é vão procurar seduzir a Divindade; é vão manifestar uma fidelidade puramente mecânica e efêmera.
          Se as pessoas cometem esses erros, é evidentemente porque não compreendem as implicações kármicas decorrentes dos acontecimentos bem como se enganam sobre a verdadeira natureza da Divindade à qual atribuem os mesmos sentimentos que elas têm. Percebem através de uma bruma sentimental doentia, que consola durante certo tempo, mas que é afinal decepcionante. Notemos que o Deus invocado pelo homem reside antes de mais nada em seu próprio coração, onde tem raízes. Se a oração deixa um sentimento de paz, é sinal de que foi bem dirigida, mas se o fardo inicial dos tormentos não foi de fato aliviado, é isso um índice de que é preciso orar de verdade, ou se orou sem a concentração necessária. Ela não é útil sem aprimoramento, sem espontaneidade, sem respeito profundo Quando a oração exalta o homem acima das mesquinharias e cuidados pessoais só pode ser útil a seu aperfeiçoamento. Quando é puramente material, torna-se um apelo hipócrita a uma entidade antropomórfica e por isso resulta vã, tanto do ponto de vista espiritual como do prático. A única maneira de fazer apelo contra os sofrimentos infligidos pelo princípio do karma, não é orar, mas transformar os pensamentos.
          A oração produz sua floração mais luminosa quando pode exprimir-se por estas palavras: "Que tua vontade, ó Deus, seja feita". Não é uma aceitação fatalista do karma, nem uma referência a alguma potência afastada daquele que murmura. No fim deste ensino, sua maravilhosa significação aparecerá plenamente.
          Podemos, entretanto, antecipar completando assim a fórmula: "Que tua vontade seja feita" — diga-se — "Que tua vontade seja feita (por mim)" e não (para mim). Não a repitamos, porém, na ponta dos lábios; procuremos vivificá-la por experiência interior. O esforço para alçar a consciência até o Eu Superior deve ser feito simultaneamente. O êxito pode não ser senão momentâneo, mas neste momento magnífico a fórmula terá seu alcance verdadeiro e será ouvida de mais alto. Então — e somente então — alguma coisa descerá no suplicante e aliviará seu fardo de preocupação. Esta sufusão misteriosa será a manifestação da graça que responde à renúncia verdadeira do eu e a recompensa. O homem conhecerá a paz no instante em que, sentindo a relação impalpável com Deus, aceita a colaboração na ordem universal.

Paul Brunton em, a sabedoria do eu superior


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Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)