O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Os três princípios mentais do homem

O homem tem três princípios mentais ou subdivisões da mente e que eles pertencem a um plano inferior ao do espírito. O «Eu» é espírito, mas os seus princípios mentais são de ordem inferior.[...]

Em primeiro lugar, temos a mente instintiva, que é comum ao homem e aos animais inferiores. É o primeiro princípio mental que aparece na escala da evolução. Nas suas fases mais baixas, a consciência é pouco perceptível e a mera sensação ocupa o seu lugar. Nos seus graus superiores, a mente instintiva atinge quase a razão ou o intelecto; pode-se dizer que ambos se entrelaçam. A mente instintiva desempenha uma tarefa importante, dirigindo a manutenção de vida animal no nosso corpo, tratando de restaurar as suas partes e forças, substituir, mudar, fazer digestão, assimilação, eliminação, etc., tudo que pertence às atividades sob o plano da consciência.

Tudo isto, porém, é apenas uma pequena parte da obra da mente instintiva; porque esta parte da mente armazena todas as experiências que temos feito nós e os nossos antepassados no decurso da evolução das mais baixas formas de vida animal até ao presente estado de evolução. Todos os velhos instintos animais (que foram todos bons no seu lugar e muito necessários para o bem-estar das formas inferiores da vida) deixaram vestígios nesta parte da mente, os quais podem aparecer à dianteira sob a pressão de certas circunstâncias, ainda que nos pareça que já há muito tempo que nos temos libertado deles. Nesta parte da mente, encontram-se vestígios do velho instinto animal de combater; todas as paixões animais; todo o ódio, inveja, ciúme e o resto, tudo isto é nossa herança do passado. A mente instintiva é também a sede dos hábitos; nela estão armazenados todos os hábitos, pequenos e grandes, de muitas vidas, ou antes, todos aqueles que não foram extintos por hábitos novos, de natureza mais forte. A mente instintiva é um interessante armazém, que contém muitas variedades de objetos, dos quais alguns são muito bons em si mesmos, mas outros pertencem à pior espécie de lixo e varreduras.
Esta parte da mente é também a sede dos apetites, paixões, desejos, instintos, sensações, sentimentos e emoções de ordem inferior, que se manifestam nos animais inferiores, no homem primitivo, no bárbaro e no homem atual, com a diferença que existe apenas no grau do domínio e controlo que as partes mais elevadas da mente exercem sobre eles. Há também desejes superiores, aspirações, etc., pertencentes à parte superior da mente, os quais mais adiante descreveremos; mas a «natureza animal» pertence à mente instintiva. Pertencem-lhe igualmente os «sentimentos» da nossa natureza emocional e apaixonável. Todos os desejos animais, como a fome e a sede; os desejos sexuais (no plano físico); todas as paixões, como o amor físico; o ódio, a inveja, a malícia, o ciúme, a vingança, etc., são partes da mente instintiva. O desejo de objetos físicos (quando não serve como meio para fins mais altos) e a aspiração a coisas materiais pertencem a esta região mental. A concupiscência da carne; a concupiscência da vista; o orgulho da vida, fazem parte da mente instintiva.
 
Notai, porém, que não estamos a condenar as coisas que pertencem a este plano da mente. Todas elas têm o seu lugar; muitas foram necessárias no passado e algumas ainda são necessária para a continuação da vida física. Todas são boas no seu lugar e para os que se acham no plano particular de desenvolvimento a que essas coisas pertencem; elas são más só quando nos deixamos dominar por elas ou quando alguém torna a entregar-se a alguma delas depois de a ter já abandonado, por ser indigna dele no seu desenvolvimento individual. Esta lição não se ocupa do bom e mau uso destas coisas (de que já temos tratado em outro lugar); mencionamos esta parte da mente para que compreendais que tendes essas coisas no vosso depósito mental e para que vos seja conhecido o pensamento que dali provém, quando chegarmos a analisar a mente mais adiante nesta lição. Por era pedimos unicamente que fiqueis compenetrados da convicção de que esta parte da mente vos pertence, mas não é vós mesmo: não é parte do vosso «Eu».

Logo acima da mente instintiva está o intelecto, isto é, aquela parte da mente de que nos servimos para raciocinar, analisar, «pensar», etc. Dela vos servis, estudando esta lição. Porém, notai isto: — servi-vos dela, mas ela não é vós mesmo, igualmente como não o foi a mente instintiva que consideramos um momento antes. Podereis fazer a separação, se pensardes um só instante. Não ocuparemos o vosso tempo com a consideração do intelecto ou razão. Em qualquer boa obra elementar de psicologia encontrareis uma boa descrição desta parte da mente, que nós mencionamos somente para poderdes fazer a classificação e para podermos mostrar-vos mais adiante que o intelecto não é o «Eu» real mesmo, como muitos pensam, mas apenas um instrumento do Ego.

O terceiro e o mais alto princípio mental é a mente espiritual, aquela parte da mente que é quase desconhecida à maioria da humanidade, mas que se desenvolve na consciência de quase todos os que lêem esta lição, porque o fato de o assunto desta lição vos atrair é uma prova de que esta parte da vossa natureza mental se está a desenvolver na consciência. Esta região da mente é a fonte daquilo que se chama «gênio», «inspiração», «espiritualidade», e de tudo aquilo que consideramos como «o mais alto» do nosso depósito mental. Todas as grandes ideias e pensamentos elevados fluem ao campo da consciência, emanando desta parte da mente. Toda a grande evolucão da raça provém daqui. Todas as mais altas ideias mentais que vieram ao homem na sua jornada evolucionária ascendente, que tem por fim ações nobres, verdadeiro sentimento religioso, afabilidade, humanidade, justiça, amor altruísta, graça, simpatia, etc., vieram-lhe através da sua mente espiritual que se desenvolve pouco a pouco. Dela lhe vem o amor de Deus e o amor do próximo. O conhecimento das grandes verdades ocultas lhe vem por este canal. O perfeito conhecimento do «Eu» , que nos esforçamos por vos ensinar nestas lições, há de vir-vos por meio da mente espiritual que desenvolve as suas ideias até ao campo da consciência.

Mas também esta grande e maravilhosa parte da mente não é senão um instrumento — muito perfeito, é verdade, mas apenas um instrumento — do Ego ou «Eu».

Queremos dar-vos um pequeno exercício de treinamento mental, com o fim de vos tornardes capaz de distinguir prontamente o «Eu» da mente ou dos estados mentais. Mas advertimos o estudante de que toda a parte, todo o plano e toda a função da mente são bons e necessários, sendo errôneo pensar que, porque lhe dizemos que deve deixar de se ocupar primeiro com esta e depois com aquela parte da mente, a estejamos menosprezando ou que a consideramos um lastro ou obstáculo. Longe disso, nós sabemos e reconhecemos que é servindo-se da mente que o homem se torna capaz de chegar ao conhecimento da suas verdadeira natureza e que ainda em muitos graus o seu progresso dependerá do desenvolvimento das suas faculdades mentais.

O homem serve-se atualmente apenas das partes mais baixas e inferiores da mente, tendo no seu mundo mental regiões ainda inexploradas de que não pode fazer ideia nem a mais forte imaginação. E um dos propósitos de «Raja Yoga» ajudar no desenvolvimento destas faculdades e regiões mentais superiores. E longe de desacreditarem a mente, os instrutores de «Raja Yoga» reconhecem os seus poderes e as suas possibilidades e estimulam o estudante a aproveitar as forças latentes que são inerentes à sua alma. 

É somente por meio da mente que podeis entender e compreender as lições que agora vos estamos a dar e que delas podeis tirar proveito e vantagem. Estamos agora a falar diretamente à vossa mente e fazemos-lhe apelo, para que se interesse e se abra ao que está pronto a vir até ela de suas próprias regiões superiores.

Exortamos o intelecto a dirigir a sua atenção a este importante assunto, para pôr menos resistência às verdades que aguardam para serem projetadas da mente espiritual até ele, que conhece a verdade.

Yogue Ramachara

O Real Conhecimento do "Eu"

O Aspirante há de familiarizar-se primeiramente com a realidade do «Eu», antes que possa chegar a conhecer a verdadeira natureza deste «Eu». Este é o primeiro passo. Entre o Aspirante no estado de meditação, acima descrito. Em seguida, deverá concentrar toda a sua atenção no seu Eu individual excluindo todos os pensamentos que se ocupam com o mundo exterior e com outras pessoas. Há de formar na sua mente a ideia de si mesmo como sendo uma coisa real, um ser que existe, uma entidade individual, um Sol ao redor do qual todo o mundo gira. Deve ver-se como um centro, ao redor do qual gira o mundo inteiro. Esta ideia não deve ser turbada por uma falsa modéstia nem por um sentido de depreciação, pois não negais a outros o direito de se considerarem igualmente como centros. Com efeito, vós sois um centro de consciência — o Absoluto assim vos fez e estais a despertar para este fato.

Enquanto o Ego não se reconhecer como sendo um centro de pensamento, influência e poder, não poderá manifestar estas qualidades. E à medida que reconhecer a sua posição como um centro, será capaz de manifestar as suas qualidades. Não é necessário que vos compareis com outros ou imagineis que sois maior ou mais alto do que eles. Tais comparações seriam lastimáveis, pois são indignas do Ego adiantado e indicam uma falta no desenvolvimento. Na vossa meditação, ignorai simplesmente toda a consideração das respectivas qualidades dos outros, e esforçai-vos por reconhecerdes o fato de que sois um grande centro de consciência — um centro de influência — um centro de pensamento; e que, como os planetas rodeiam o Sol, assim o vosso mundo gira ao redor de vós que sois o centro do vosso mundo.
 
Não é necessário que argumenteis isto, nem que vos convençais de que isto é verdade, por meio de raciocínio intelectual. O conhecimento não virá por este caminho; ele virá na forma de uma realização da verdade que gradualmente resplandecerá na vossa consciência por meio de meditação e concentração. («Realização» aqui significa reconhecimento intuitivo). Levai convosco este pensamento de vós mesmo como sendo um «centro de consciência — influência — poder», pois ele é uma verdade oculta e, à medida que puderdes realizar (ou reconhecer intuitivamente) esta verdade, podereis manifestar as qualidades enumeradas.

Por mais humilde que seja a vossa posição — por mais dura que seja a vossa sorte, por mais deficiente que seja a vossa educação —, não quereríeis permutar vosso «Eu» com o mais afortunado, o mais sábio e o mais respeitado homem (ou mulher) do mundo. Se duvidais, pensai um momento sobre isto e vereis que temos razão. Quando dizeis que «quereríeis ser como este ou aquele», pensais somente que quereríeis ter inteligência, poder, saúde, bem-estar, posição, etc., como eles têm. Desejaríeis ter alguma coisa que eles possuem ou semelhante ao que possuem. Não quereríeis, porém, nem por um instante perder a vossa personalidade, nem permutar o EGO (isto é, aquilo que faz que eu seja eu, e vós sejais vós, etc.); pois para serdes a outra pessoa, haveríeis de deixar de ser vós, haveríeis de morrer vós e, em vosso lugar, existiria a outra pessoa. O que vós realmente sois, seria destruído, cessaria de existir: não seria mais vós, mas seria o outro.

Se podeis compreender esta ideia, vedes que não desejais tal permuta nem por um instante. E, na realidade, tal permuta é impossível. O vosso «Eu» não pode ser destruído: é eterno, e irá passando a estados cada vez mais elevados — mas será sempre o mesmo; o vosso «Eu» é o mesmo que era na vossa infância, «Eu» (personalidade), mesmo reconhecendo que houve certamente algumas mudanças na vossa pessoa, desde a infância até à vossa idade atual. Igualmente, no futuro, não obstante atinjais mais conhecimento, experiência, poder e sabedoria, o vosso «Eu» será o mesmo. O «Eu» é a centelha divina que não pode ser extinta.

A maior parte do povo, no presente estado de desenvolvimento da raça, tem apenas uma fraca concepção da realidade do «Eu». Muitos aceitam a afirmação da sua existência e são conscientes de si mesmos como sendo criaturas que comem, dormem e vivem — algo mais alto do que os animais. Mas não chegaram à «percepção» ou realização do «Eu», que há de vir a todos os que devem tornar-se centros de influência e poder. Alguns homens caíram nesta consciência, pelo menos parcialmente, sem terem conhecimento do assunto. Eles «sentiram» a sua verdade e retiraram-se das fileiras da gente vulgar do mundo, tornando-se centros de poder para o bem ou para o mal. Isto é bastante mau porque esta «percepção» sem o conhecimento que a deve acompanhar, pode trazer sofrimento ao indivíduo e a outros.

O Aspirante há de meditar sobre o «Eu» e reconhecê-lo, — senti-lo como sendo um centro. Esta é a sua primeira tarefa. Gravai bem na vossa mente a palavra «Eu» neste sentido e deixai-a cair profundamente na vossa consciência, para que se tome uma parte de vós mesmo. E quando dizeis «Eu», deveis acompanhar esta palavra com a imagem do vosso Ego como um centro de consciência, pensamento, poder e influência. Vêdevos, rodeado pelo vosso mundo. Aonde quer que estejais, está o centro do vosso mundo. Vós sois o centro, e todo o vosso exterior gira ao redor deste centro. Esta é a primeira lição na vereda da Iniciação. Aprendei-a!

Os mestres yogues ensinam que os Aspirantes poderão acelerar a realização do «Eu» como um centro, se entrarem no silêncio ou estado de meditação, repetindo várias vezes o seu nome, lenta, refletida e solenemente. Este exercício tem o fim de concentrar a mente na ideia do «Eu», e muitos casos de aparecimento da aurora de iniciação resultaram desta prática. Alguns pensadores originais descobriram este método sem que lhes tivesse sido ensinado. Um exemplo notável é o de lorde Tennyson, que escreveu que tinha atingido um grau de iniciação por esta maneira. Ele repetia muitas vezes o seu próprio nome, meditando ao mesmo tempo sobre a sua identidade, e relatava que se tornou consciente e podia «perceber» a sua realidade e imortalidade — em poucas palavras, reconhecia-se como um centro real de consciência.

Julgamos que vos foi dada a chave para o primeiro estado de meditação e concentração. Antes de irmos adiante, citaremos um dos antigos mestres hindus. Diz ele a respeito deste assunto: «Quando a alma se vê como um centro circundado pela sua circunferência — quando o Sol sabe que é um Sol e que é rodeado por seus planetas que giram em torno dele — então está preparado para receber a Sabedoria e o Poder dos Mestres».

Yogue Ramachara

A mente serena e a luz da Consciência Pura

Ramana Maharshi tornou-se iluminado com dezessete anos por meio da auto-investigação. Ele não era exclusivamente hindu; não praticava nenhum ritual, e embora muitos de seus seguidores fossem cristãos e muçulmanos, ele nunca recomendou que mudassem de religião. Maharshi ensinava que o objetivo das escrituras religiosas era "fazer que um homem reconstitua seus passos até sua fonte original", uma ideia semelhante ao conceito cristão de "repousar em Deus".

Todas as grandes tradições espirituais do mundo falam dos clarões transitórios da grande introvisão ou iluminação que se dá inesperadamente e depois passa, deixando a quem a teve a certeza de que o estado de consciência comum é muito limitado e enganador. As religiões do mundo descrevem métodos para lograr e conservar um estado alterado de consciência expandida. Elas descrevem os objetivos de expandir e estabilizar esses estados transcendentes, e têm nomes para eles — salvação, SAMADHI, libertação, iluminação, Reino de Deus, divinização, autocompreensão, WU e MUKTI — tudo se referindo ao despertar, à liberdade e à libertação na consciência máxima. 

Esses estados alterados transformam a vida, física, mental, emocional e comportamentalmente. Melhoram a saúde e aguçam as percepções e o entendimento. Compreendemos com certeza a nossa ligação essencial com toda a vida no nível da consciência. Por meio desse conhecimento profundo, de que não estamos separados, a vida assume novo sentido, e nos tornamos mais tranquilos, felizes e piedosos. Os objetivos na vida mudam. Procuramos aprimorar mais a nossa capacidade para ter acesso a esse estado de consciência de amor e energia, e focamos um desejo de ajudar os outros a aprender a fazer o mesmo. 

A oração (centrante e sem som) está disponível para que possamos expandir nossa consciência. Nesse universo da mente não-localizada, quando algo muda, tudo muda. Nosso poder está em mudarmos — em mudar a nossa mente — e, ao fazer isso, elevar a consciência do mundo. 

Todos lemos ou já ouvimos que os seres que despertaram são muito raros no mundo. Isso pode ter sido verdade no passado, mas se continua a ser verdadeiro no presente e continuará a ser no futuro, isso cabe a nós. A luz da Consciência Pura está disponível para iluminar a mente serena. 

Russell Targ — O coração da mente - como ter a experiência de Deus sem dogma, ritual ou crença religiosa

O processo transformativo para a Existência Incondicionada

O relato verdadeiro e não enfeitado de uma vida normal desdobrado nestas páginas, antes do repentino desabrochamento da extraordinária condição mental e nervosa já descrita, suponho seja suficiente para fornecer a ampla corroboração para o fato de que inicialmente, como ser humano, eu não era nem melhor nem pior do que os demais e que não possuía quaisquer características totalmente incomuns, tais como as que estão comumente associadas com os homens de visão, habilitados por favores por um favor divino especial. E também que o atual e excepcional estado de consciência que contínuo possuindo até agora, também não apareceu de repente, mas simplesmente representou a culminância de um contínuo processo de reconstrução biológica, abrangendo não menos de quinze anos antes de que se desse o inconfundível sinal do novo desabrochamento. Este fenômeno continua processando-se em mim, mas mesmo após a experiência de mais de vinte e cinco anos, continuo perdendo-me no assombroso feitiço da misteriosa energia, responsável pelas maravilhas que eu testemunho dia após dia em minha própria constituição mortal. Encaro a manifestação com o mesmo sentimento de respeito, adoração e surpresa com que a observei na primeira ocasião. Meus sentimentos só tem aumentado em intensidade e não diminuído, como acontece geralmente com os fenômenos da esfera material. 

Contrariamente à crença que diz que os atributos espirituais vão crescendo simplesmente graças a causas psíquicas, como por exemplo uma renunciação extrema e autonegação, ou graças a um elevado grau de fervor religioso, constatei que um homem pode elevar-se a um nível de consciência superior, graças a um processo biológico contínuo, tão regular como qualquer outra atividade do corpo, e que em nenhum estágio é necessário ou mesmo desejável para ele que negligencie sua carne ou negue seus sentimentos humanos em seu coração. Um estado mais elevado de consciência, capaz de liberá-lo da escravidão dos sentidos, afigurar-se-ia incompatível, só se levássemos em consideração o prevalecimento de certos fatores biológicos, com uma existência física em que as paixões, os desejos e as necessidades animais do corpo, mesmo que restritas, existem lado a lado. Todavia, confidencialmente, posso dizer que um pouco de controle razoável sobre os apetites, associado com algum conhecimento do poderoso mecanismo e constituição própria, provaram ser um meio mais seguro e certo para o desenvolvimento espiritual do que qualquer tipo de automortificação ou fervor religioso anormal possa fazer.

Tenho todas as razões para crer que a vivência mística e o conhecimento transcendental podem vir ao homem tão naturalmente como a fluidez do gênio, e que para esta façanha não se precisa, salvo para os esforços bem dirigidos como o auto-enobrecimento e a regulação dos apetites, sair excentricamente do curso normal da conduta humana. Mesmo que o processo transformativo seja posto em movimento por esforços voluntários ou espontâneos, pureza de pensamento e conduta disciplinada são essenciais para minimizar a resistência à ação depuradora e remodeladora da poderosa força no organismo. O sujeito tem que emergir da grande provação metamorfoseado apenas mentalmente, e de qualquer maneira normal, sadio com um incomparável intelecto e emoção capazes de avaliar e experimentar por completo a felicidade suprema de uma união arrebatadora e ocasional com o indescritível oceano da consciência no estado transcendente, a fim de distinguir nele próprio a diferença entre o frágil elemento humano, de uma parte, e o espírito imortal, de outra. É somente desta maneira que a incomparável bem-aventurança da libertação pode ser realizada, posto que a Existência Incondicionada, estando além do pálido gozo e seu oposto, em realidade, o verdadeiro desfrutador atual na criatura humana condicionada e limitado pelo ego é o real vedor e ninguém mais.  

Gopi Krishna —Kundalini - A energia evolutiva no homem     

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O curandeiro não "faz" ou "dá" algo ao paciente, mas ajuda-o a voltar para o Todo, para o caminho da "Unidade" com o Universo; neste "encontro" o paciente se torna mais completo, e isto é cura. Nas palavras de Arthur Koestler: "Não há linha divisória nítida entre a auto-reparação e a auto-realização". - Lawrence LeShan

Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)