O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Sou eu capaz de vislumbrar o SER?

Paul Brunton: Quando tropeçamos e caímos no caminho, que devemos fazer?

Ramana Maharshi: Tudo dará certo no fim. Basta uma firme decisão de que você colocará seus pé novamente no caminho, mesmo depois da queda ou quebra. Com o tempo, pouco a pouco, os obstáculos vão se enfraquecendo e suas energias se tornando mais fortes. Tudo dará certo no fim. A única coisa que se pede é uma firme determinação. 

Paul Brunton: Minhas tendências inatas fazem com que me distraia. Podem ser cortadas pela raiz? 

Ramana: Sim. Os outros já o fizeram. Por conseguinte acredite nisso. Eles conseguiram porque acreditaram que podiam fazê-lo. Isso podia ter sido feito pela concentração. Naquilo que é livre de predisposições e continua sendo o âmago deles. Se o anseio estivesse aí, a Realização estaria forçada a vir, mesmo se você não quisesse.

Paul Brunton: É necessário desenvolver qualidades?

Ramana: Somente para os principiantes, por revelarem tendências a desenvolver diferentes tipos de qualidades. Para os adiantados é suficiente olhar para dentro de sua própria natureza. este é o método direto. Todos os outros caminham envovem o ego. Somente este responde a pergunta "o que é o ego?" A pergunta "que sou eu?" é um eixo que leva à raiz do ego e o destrói. 

Paul Brunton: receio que este último alvo não seja coisa fácil de buscar. 

Ramana: Por que ridicularizar a si próprio pelo receio a respeito de sucesso ou fracasso no percurso? Vá em frente! Entregue-se à meditação profunda. Afaste todas as outras compensações da vida. A vida calculista não será coroada de êxito espiritual. Sim, a entrega total é impossível no início. A entrega parcial é certamente possível para todos; no decorrer do tempo, isso levará à entrega completa. Bem, se a entrega parcial fosse impossível, como fazer então? A mente não tem paz. Você está impotente para trazê-la de volta. isso poderia ser feito somente pela entrega.(...) Todas as vezes que você tiver pensamento sobre a dificuldade, disponha dele completamente, procurando descobrir com que motivo e de onde ele surgiu. 

Paul Brunton: Sou eu capaz de vislumbrar o SER? Parece tão difícil?

Ramana: Você já é o SER. Não obstante, a percepção é para cada um. A conscientização não conhece diferença entre os aspirantes. Esta sua dúvida: "serpa que eu sou capaz de vislumbrar", ou a sentença: "ainda não me conscientizei" são obstáculos. Fique livre disso também. 

Paul Brunton: Não obstante, a menos que eu tivesse experiência, como posso me libertar desses conflitantes pensamentos?

Ramana: Também estes estão na sua mente. Ficam aí porque você se identificou com o corpo. Do momento em que essa errada identificação deixar de pertencer-lhe, a ignorância desvanecer-se-á e a Verdade lhe será revelada. 

A IMORTALIDADE CONSCIENTE 

Olhe para o seu coração e siga a sua natureza

" Buda disse : siga sua natureza. Esta é uma das mais belas declarações: 'Olhe para o seu coração. Siga a sua natureza'. Buda não falou que se deva seguir as escrituras. Ele não está dizendo, siga-me.
Ele não está dizendo, siga certas regras de conduta. Ele não está ensinando a você qualquer moralidade. Ele não está tentando criar um certo caráter em você, porque todo caráter é uma bela cela de uma prisão. Ele não está dando a você um certo caminho para viver. Ao invés disso, ele está lhe dando coragem para seguir a sua própria natureza. Ele quer que você seja corajoso o bastante para ouvir o seu próprio coração e seguir, de acordo com ele.

Siga a sua natureza' quer dizer: flua com você mesmo. Você é a escritura... e escondido lá no fundo de você ainda está uma pequena voz. Se você se tornar silencioso, você será guiado por ela.

O Mestre tem apenas que tornar você consciente de seu Mestre interior. Aí a sua função estará completa. Aí ele poderá deixar você consigo mesmo, ele poderá mandar você de volta para você mesmo. A proposta de um Mestre não é escravizar um discípulo, a proposta de um Mestre é libertá-lo, é lhe dar total liberdade. E essa é a única possibilidade de se atingir a liberdade total: 'Siga a sua natureza'.

Por 'natureza', Buda quer dizer Dhamma. Assim como é da natureza da água fluir para baixo e é da natureza do fogo se expandir para o alto, assim existe uma certa natureza escondida dentro de você. Se todos os condicionamentos que foram impostos a você pela sociedade forem removidos, de repente você irá descobrir a sua natureza.

A sua natureza é tornar-se Deus. Ais Dhammo sanantano - essa é a lei eterna e inesgotável: sua natureza é tornar-se Deus.

O homem é um Deus em potencial, um bodhisattva. O significado do homem é tornar-se Deus. Menos do que isso não irá satisfazer você, menos do que isso não terá utilidade. Você pode ter todo o dinheiro do mundo, todo o poder, todo o prestígio possível, e ainda assim você permanecerá vazio. A não ser que a sua natureza divina floresça, abra os seus botões, a não ser que você se torne um lótus, mil pétalas de lótus, a não ser que a sua divindade seja revelada a você, você nunca estará satisfeito.
Ao homem religioso comum é dito para que permaneça satisfeito e contente, em qualquer que seja a situação. Os chamados santos religiosos seguem ensinando às pessoas: 'fique satisfeito'. A satisfação é um de seus ensinamentos fundamentais. Esse não é o caminho dos verdadeiros Mestres."

Osho

Resgatando as faculdades da percepção

Onde não existe faculdade percipiente não há percepção, embora o objeto esteja presente. 
Exemplifiquemos: um cego não pode perceber a luz que o envolve, porque lhe falta o competente órgão perceptivo. O surdo não ouve a música que vibra na atmosfera ao redor dele, porque não tem o órgão necessário para essa percepção. A vista humana apreende cores do vermelho ao violeta, mas não apreende normalmente os raios infra-vermelhos e ultra-violeta, que são tão reais como as do conhecido espectro solar ou do arco-iris. Existem milhões de milhões de cores, tantas quantas são as várias vibrações da energia radiante, mas a natureza não nos deu órgãos para a percepção dessas cores ultra-sensíveis. Coisa análoga acontece com as vibrações aéreas; o ouvido humano percebe sins apenas entre 20 e 20.000 vibrações por segundo; vibrações de frequência inferior ou superior a esses dois limites extremos são, para nós, silêncio. Existem animais, como certos cães, que percebem até 35.000 por segundo; e o morcego é dotado de um ouvido tão apurado que percebe até 100.000 vibrações por segundo, sons silenciosos ou "super-sônicos" que esse radar volante também pode produzir com o próprio corpo, porque dele necessita para a sua vida. 

Todo homem normal adulto possui uma faculdade que percebe realidades que nenhuma animal irracional pode perceber; possui a faculdade da "inteligência", que percebe essa estranha realidade que em ciência e filosofia chamamos de "relações", sobretudo a relação da causalidade que vigora entre os seres individuais da natureza. 

Toda a cultura, civilização, ciência, arte e religião da humanidade estão essencialmente baseadas sobre a faculdade que o homem tem de perceber relações existentes entre as coisas do mundo. A ausência dessa faculdade é a razão única porque o irracional não possui cultura e civilização e seus derivados. 

Em resumo: existem ao redor de nós realidades, materiais e imateriais, que percebemos ou deixamos de perceber segundo a posse ou falta de órgãos ou faculdades percipientes. 

Ora, fato análogo ocorre nos domínios do mundo superior: existem realidades que o homem comum, no estado atual da sua evolução, não percebe, ou porque lhe falta a correspondente faculdade, ou porque essa faculdade, embora existente, não se acha devidamente desenvolvida no homem comum. Há, todavia, e tem havido em todos os tempos, homens, homens de elite, espécimes avançados de homo sapiens, que percebiam e percebem, contínua ou intermitentemente, essas realidades. Nessa percepção da Realidade mais ampla é que consiste a verdadeira grandeza dos gênios da humanidade, acima de todos, a grandeza única de Jesus de Nazaré, para o qual a visão intuitiva e perene dessa Realidade Suprema — céus, reino dos céus, reino de Deus — era o clima natural da sua vida e atividade. Se o resto dos seres humanos atingisse a mesma evolução, é certo que também nós seríamos iguais ao Cristo — e iguais a eles seremos, mais dia menos dia, como afirmam São paulo, São João, e outros videntes. 

O que comumente chamamos "sobrenatural" não é sobrenatural em si mesmo, absolutamente, senão apenas relativamente, isto é, com relação ao estado atual da nossa evolução. Do ponto de vista de Deus, e à luz de uma evolução humana superior, tudo aquilo que hoje chamamos "sobrenatural" é natural. Deus é infinitamente natura, e é esta a razão por que nós não o podemos compreender, por sermos apenas finitamente naturais. A sobrenaturalidade da nossa vida decrescerá e a naturalidade crescerá na razão direta da evolução das nossas faculdades percipientes. Quem percebe a Realidade total, como Deus, é santo (sano), perfeito; porque, a noção clara de Deus é idêntica ao amor universal, e santidade (sanidade) não é senão amor universal. 

Huberto Rohden

Nenhum mestre pode completar a jornada para o aluno - parte 4

Dentro da consciência de cada um de nós existe algo. É impossível revelar a verdadeira natureza disso, exceto interpretando como um pequeno botão, quase como um fresco botão de rosa. Ao virem até mim alunos, posso às vezes sentir algo neles, como um pequeno botão fechado em suas consciências, e sei que trata-se da sua natureza espiritual, o Cristo ou a divindade deles.

No oriente o ensinamento é simbolizado pelo Lótus. Se o Lótus se abre, representa um maior grau de iluminação espiritual, e pode-se observar em todo o Oriente, a arte com figuras representando o alcance da consciência espiritual, uma figura sentada ou em pé no meio da Flor de Lótus. Interpretado espiritualmente significa que eles criaram raízes, cresceram e se estabeleceram na Divina Consciência.

Com frequência vejo um pequeno botão na consciência de um indivíduo, e se o relacionamento do aluno com o mestre continua, posso observar que ele se abre e desenvolve-se, até que se torne uma flor desabrochada.

Alguns de nós não temos humanamente um mestre espiritual, ou nunca conhecemos algum, mas embora nenhuma ser iluminado jamais passou pela nossa consciência, todas as grandes luzes espirituais do passado permanecem ativas, e são tão acessíveis para você ou para mim, da mesma forma que um mestre vivo aqui e agora. Existem muitas pessoas que contataram um mestre inteiramente em sua consciência. Isso não significa que essas pessoas receberão a luz por si mesmas. Ninguém pode fazer isso. A luz é desertada por alguém que é Luz, tenha ou não contato na experiência humana, ou podem ter sido sempre cônscios da sua existência.

Se nos fosse necessário encontrar um mestre ou até mesmo contatar algum plano interno, que seria um instrumento para nos trazer sabedoria, ele iria aparecer. Quando estamos em meditação, nos voltamos para o EU que somos, a Fonte, e recebemos tudo que é necessário do Infinito.


Essa é a forma correta pela qual a sabedoria chega, desenvolvendo e revelando. Algumas vezes ela nos guia para um livro no qual encontramos aquilo que vínhamos procurando, mas isso acontece porque ainda não estamos completamente sintonizados para receber diretamente da Fonte. Existem outros momentos, quando as grandes luzes espirituais do passado nos servem de mestre. Deus nunca dá por acabada a atividade do iluminado espiritual, e essa iluminação é alcançável agora e está atuando na Terra, inspirando, ensinando e auxiliando a todos os que se voltam a Deus.

Por exemplo: hoje sou um instrutor revelando a Verdade, mas se amanhã acontecer aquilo a que chamamos "morte" e minha presença física deixar este mundo, isso não me levaria embora. Meu EU permaneceria aqui, o que acontece com meu corpo físico faz pouquíssima diferença porque o EU em mim permanecerá aqui e poderá continuar a instruir. E aqueles que buscam por esse ensinamento, percebem que não há morte, que estamos separados apenas pela visão física, mas não pela comunhão real. 

Se acreditamos realmente na imortalidade, sabemos que Lao-Tse, Guatama, o Buda, Jesus e João permaneceram atuando, mas por não podermos alcançar nada que esteja fora da nossa consciência, nela é o único lugar onde esses seres podem atuar: eles não podem estar no céu, nem no espaço. É perfeitamente possível, todavia, para qualquer grande mestre ser nosso guia, até o momento de termos completo acesso à Fonte, que fluirá por Si Mesma, sem nenhuma mediação. 

Muitas pessoas recebem comunicação em sua jornada, sem conhecimento de que tem um mestre, porque os mestres não se anunciam, ou revelam-se a si mesmos. Eles simplesmente trabalham através da consciência do indivíduo num sentido completamente impessoal. Seja porque já estejamos tocando o EU ou se é uma meditação, não é importante. Se as revelações vem através de um mestre, os buscadores devem se encaminhar para a Fonte, não para o mestre, mas através dele. Nunca poderá ser um Mestre se não for Um com a Fonte. 

Existe um vínculo invisível nos conectando com cada ser espiritual, pessoa, atividade, pensamentos e coisas no mundo inteiro.  Através dessa percepção, nos conectamos instantaneamente com a consciência espiritual, de todos os que viveram através dos tempos. Instantaneamente nos conectamos com a consciência espiritual de cada um que esteja atuando na Terra, e com todos aqueles que ainda estão por vir. 

Cada um existe aqui e agora. Mas onde, é aqui? estamos falando de um aposento, ou sobre a consciência? O EU em nós nunca pode estar ou ser circunscrito a um aposento. O espaço onde se encontra nosso corpo está em nossa consciência. É o que nos faz conscientes disso. Então, se estamos conectados com os mestres inspirados de todos os tempos, nós os temos conosco neste momento em nossa consciência

Neste ponto, abre-se uma tremenda revelação. Nunca estamos sós. Assim como atraímos as companhias que merecemos, num determinado momento em nossa vida invisível também há companhia. Assim como Jesus pode sacralizar-se em Moisés e Elias, que tinha-os como grandes mestres e profetas, assim nós temos hoje nossos companheiros no caminho espiritual. Você tem os seus e eu tenho os meus — e, se estivermos despertos para a percepção de que nenhum deles morreu, eles estarão conosco e nosso próprio mestre estará dentro de nós. Seu mestre pode ser um homem ou uma mulher vivendo num parêntese, ou pode ser uma Presença e um Poder invisível. Assim é a vida mística. 

Essa comunhão é sempre com o divino estado de consciência, não com a consciência humana existente neste plano. Independente de quantas gerações possam ter decorrido, a possibilidade de contato simplesmente existe, e mesmo possuindo uma forma diferente, a situação não muda. Não estamos limitados ao corpo; não existimos apenas fisicamente, mas como o EU que somos. Aquele que sabemos que somos. 

Se desejo me comunicar com você, fecho meus olhos, esqueço a aparência e mergulho no fundo da minha consciência. Então encontro o EU que você realmente É — a Alma, o divino Filho de Deus, o EU que vive no seio do Pai e nunca o deixou. Não necessitamos ir muito longe para nos voltarmos para o EU, a fim de receber as comunicações da Verdade e Sabedoria vindas da Fonte, porque o EU É UM COM A FONTE. na mesma cadeira em que estamos sentados existem dois, o Pai e o Filho — Deus, o Pai e Deus, o Filho. Temos apenas de voltar-nos para o íntimo, e o EU que é o Pai, passa a revelar-Se a Si mesmo, Sua Verdade, Sua Sabedoria. 

Porém, essas comunicações não nos vem em forma de palavras ou pensamentos, pois isso não faria nenhuma diferença: elas surgirão como efeitos. Não temos consciência de coisa alguma acontecendo, mas quanto mais nos aprofundamos internamente, permanecendo em estado de receptividade, estaremos seguros de que algo irá acontecer no plano visível.

Não devemos nos esquecer que não temos de sair procurando por mestres, nem dar voltas e voltas em nossa mente para encontrá-los. O que devemos fazer é buscar o Reino de Deus, desejando a Sua Consciência e Sua Compreensão, e se isso for para nos levar através da Inspiração Divina, com certeza seremos encontrados. Não é necessário conhecermos a identidade daqueles que estão destinados a nos guiar. 

Existe muitos homens e mulheres inspirados e iluminados na Terra, que desconhecem a identidade ou a fonte individual de sua inspiração e força. Outros conscientemente estão cônscios de específicas identidades, mas nunca soube de alguém que teve o despertar alcançado pela procura. Foi a Graça de Deus que trouxe esse despertar. 

Se procuramos iluminação em algo que não seja Deus, certamente cairemos na idolatria. Mas, se procuramos em Deus, e a resposta vem através de um instrumento d'Ele, através de um iluminado de Deus, não há idolatria e não há personalização nisso. Se compreendemos que os mestres são simplesmente aqueles indivíduos que, através do seu preparo espiritual foram iluminados por Deus, nós não os adoraremos; vamos apreciá-los e ser gratos a eles por serem instrumentos através dos quais Deus se apresenta a nós. Se os olharmos como seres separados ou apartados de Deus, provavelmente estaremos cometendo um erro adorando-os como mestres, o que nos levará a problemas, porque adoramos mestres humanos neste plano, ao invés de compreender qual a função deles e o que os torna mestres. 

Mestres não são mestres por si mesmos, são mestres porque tiveram uma preparação , que os transformou em transparências através das quais Deus e a Verdade se revelam à consciência humana. Quando compreendermos mestres nessa luz, seremos gratos a eles pela vida que levaram, mas não poderemos ir longe se nos determos em adorá-los. Quando eles partirem desta existência, saberemos que a Verdade não se foi com eles. Melhor ainda, se compreendermos que, apesar de tudo, a Verdade nos chegará do íntimo de nosso ser, ou se ainda não tivermos chegado a esse estado, um outro instrutor ou mestre virá até nós.

(...) O verdadeiro instrutor sabe que o EU era antes de Abrão e que esse EU está com ele até o fim do mundo. Se não estamos aptos para ver esse mestre ou esse EU com nossos olhos humanos, não importa, porque o EU não é algo físico: o EU é Espírito; EU é Consciência; EU é Vida Eterna, e quando pudermos compreender isso, se o EU do mestre é físico também não importa, porque o EU sempre estará onde estivermos, até o fim do mundo, até o final dos tempos.

O EU estará onde estamos, uma vez que p EU do mestre é o EU em nós; podemos ter o EU individualizado conosco, onde quer que estejamos, através do conhecimento de que o EU do nosso ser está onde o EU do mestre está: somos inseparáveis e indivisíveis.

Num certo momento, quando todos os requisitos necessários estiverem preenchidos, a luz da Consciência do mestre iluminará o aluno, e então ele segue para o completo despertar da sua verdadeira identidade e tem a experiência transcendental. Quando esse estado se instala, o aluno se torna livre e independente como o mestre, e na plena percepção de sua identidade e da identidade de cada homem, mulher e criança no mundo.

Através da visão do desenvolvimento espiritual, vemos o coração do indivíduo e o coração da natureza: o coração da folha, da flor, e até o coração da pedra. Não existe coisa alguma que seja matéria morta. Tudo vive e respira, e tudo tem uma alma. existe alma nas pedras, alma nas árvores e essas almas são uma única Alma interpretada em diferentes níveis. Observando materialmente, uma pedra é uma pedra. Vendo espiritualmente, uma pedra é realmente uma pequena centelha de Deus — uma jóia, uma gema — e curiosamente é incorpórea. Tem forma, estrutura, cor e beleza, mas não tem densidade. Assim como a árvore: ela tem forma, luz, beleza, cor, graça, mas não tem densidade quando a observamos através da Consciência transcendental.

Nenhum homem por si mesmo pode outorgar o Santo Espírito para o outro, mas apenas como instrumento de Deus, o mestre se torna a transparência através da qual Deus alcança a consciência humana, eleva e purifica, libertando-a do estado de imobilidade para o estéril, e do estéril para o fértil.

Joel S. Goldsmith

Nenhum mestre pode completar a jornada para o aluno - parte 3

Uma função do instrutor espiritual é revelar os princípios com os quais o aluno deve trabalhar, na sua devida ordem, a fim de que conscientemente tenha compreensão do Divino (Perene Consciência Amorosa Integrativa). Jesus deu a seus discípulos um caminho onde eles necessitariam orar por seus inimigos, orar por todo aqueles que os ofendiam, orar em segredo, dar esmolas em segredo e perdoar até setenta vezes sete. Os seguidores de Jesus esperavam por seus ensinamentos na prática, à medida em que Ele difundisse certos princípios. Assim como hoje, um mestre de sabedoria recebe suas próprias revelações espirituais e as revela a seus alunos. Se esses ensinamentos não são valorizados, porém, são meramente instruções de mestre para aluno. Elas somente se tornam importantes e efetivas quando o aluno as põe em prática

Algumas pessoas pensam que a razão e a lógica são suficientes para atingir a vida espiritual, mas tenho aprendido através do tempo que nenhum ensinamento espiritual pode ser partilhado intelectualmente.  A leitura de livros apenas, não dará para a maioria dos buscadores a real aquisição de um verdadeiro ensinamento, a menos que as pessoas estejam sintonizadas espiritualmente. 

Apenas através da consciência a Verdade pode ser partilhada: é por essa razão que deve-se devotar tanto tempo à meditação, tanto da parte do mestre, como do aluno. Se o aluno liberta a si próprio do raciocínio comum, colocando a mente na área da consciência, onde as faculdades intuitivas tem um seu lugar, ele pode compreender e discernir o que o mestre está comunicando. De outra forma, estará apto a ouvir apenas com seus ouvidos físicos, e tentando assimilar com eles, assim a mensagem espiritual se torna incompreensível. 

Após serem revelados os princípios com os quais o estudante deve trabalhar, a segunda função do mestre espiritual é a de abrir sua consciência, a fim de que um caminho seja encontrado por ele próprio, para chagar ao âmago do próprio ser, onde Deus Se revela Deus não discrimina pessoas. Deus não escolhe dentre toda humanidade um Lao-Tse, Buda, Shankara, Jesus, João e Paulo, esperando que todo o restante do mundo se sente aos seus pés. Não, o mundo senta-se aos pés do iluminado para prender como ele se tornou uma luz, e como fazer para se tornar também.

Se o aluno é fiel, o mestre espiritual pode abrir sua consciência para a receptividade do Pai em seu íntimo, mas apenas quando efetivamente a Experiência Divina acontece. Algumas pessoas recebem a luz espiritual muito rapidamente, outras mais lentamente, dependendo do seu desenvolvimento individual: quanto maior for sua formação, quanto mais preparado estiver para abandonar a mente racional, repleta de pensamentos e questionamentos, e quando estiver pronto para sentar-se aos pés do mestre, receberá a partir daí cada vez mais.

Durante esse tempo não há o que possa ser perguntado ou respondido através da mente que poderia aumentar sua compreensão espiritual, não acrescentando sequer um "iota". No início é natural para os alunos fazer perguntas, as quais, quando respondidas, provocam em alguma medida, corretas ou falas impressões, e o aluno pode nutrir algo na memória de sua consciência que o prepara para a experiência espiritual. O mestre dá respostas às questões dos alunos, mas a continuidade das respostas às questões significa que o aluno não atingiu a compreensão profunda, e sua atenção deve ser atingida, não às perguntas respondidas, mas para dentro, para o mais profundo de sua consciência, até que encontre a "pérola".

Nenhum mestre evita responder questões que irão clarear o significado da mensagem, mas, uma vez que o aluno atingiu o verdadeiro contato com sua Fonte, as questões raramente acontecem. Se Deus o envolve nessa experiência, ele permanece sem questionamentos, sem nenhuma dúvida sobre o que deve fazer ou como. Ele não está preocupado tentando compreender o que é pecado, ou sobre ser guiado para o que fazer ou não fazer. Se ele compreender como essas coisas são de pouca importância, nunca permitirá que perturbem seu pensamento. Ele apenas se ocupa em seguir a luz que está dentro dele.

Uma vez que a comunicação espiritual não vem através da mente humana ou das faculdades racionais, não há mais razão a perguntas no desenvolvimento da consciência espiritual, é porque na confusão de ensinamentos errôneos, que foram adquiridos desde a mais tenra idade, eles continuarão a ser um quebra-cabeça até que sejam esclarecidos. O dia chegará, quem sabe, quando o aluno perceber que todas as perguntas, juntamente com as respostas, são absolutamente sem valor, à medida em que o desenvolvimento espiritual acontece.

O desenvolvimento espiritual acontece através da experiência de Deus, não nas perguntas e respostas. Através da meditação, o mestre trabalha a elevação da consciência do aluno, tornando-o livre. Não se trata de saber ou não saber as respostas às questões feitas pela mente humana: trata-se de atingir a consciência espiritual. O verdadeiro ensinamento começa quando a atitude do aluno é: "Não tenho mais perguntas e tudo o que quero agora são respostas, que vem de Deus". Quero aquelas que vem através da inspiração, seja de um mestre ou diretamente do Espírito de Deus dentro de mim.

No momento em que essas respostas são recebidas, o aluno satisfaz sua mente de fazer perguntas. Esse é o único método pelo qual se pode dispensar suas indagações, ceticismos e dúvidas. Mas ele deve desembaraçar-se disso tão logo for possível, para então entrar na fase de sua jornada espiritual, que será apenas um degrau de pré-início. Mesmo o início da sabedoria espiritual só é atingido quando as questões estiverem fora do caminho e o aluno estiver completamente esvaziado de perguntas, para poder declarar: "O passado se foi. Não estou interessado no que fui até agora, em pensamentos e crenças. Não estou interessado em respostas e perguntas — importo-me apenas com a experiência de Deus. Preencha-me; preencha-me com a sabedoria espiritual; preencha-me com a Presença e o Poder de Deus",

Com essa atitude, o aluno penetra no estágio inicial — O primeiro Degrau. Então, pela Graça de Deus que lhe foi dada, o mestre pode comunicar não apenas sabedoria espiritual, mas consciência espiritual. Cedo ou tarde, o caminho se abre e o aluno receberá suas próprias instruções vindas de dentro. A mesma luz que veio para cada místico pode vir para ele; a mesma verdade que foi revelada a cada místico poderá lhe ser revelada. A Verdade em essência é a mesma, mas vem em diferentes linguagens e em diferentes graus, para cada pessoa.

A Verdade veio para centenas de pessoas, mas sempre vem individualmente. Como Deus falou através de Gautama, o Buda, Lao-Tse, Shankara, através de Jesus, João e Paulo, então Deus pode falar através das palavras de cada ser realizado n'Ele. E quando o aluno contata Deus, a Verdade surge através dele.

O ensinamento que é partilhado sem palavras e sem pensamentos é verdadeiramente o único que realmente existe. Existem estudantes do Caminho Infinito que aptos (prontificados) recebem esse ensinamento, e passam longos períodos de completo silêncio, no qual nenhuma palavra é proferida, que nenhum pensamento ocorre, é que a mensagem é transmitida a eles.

Nesse estado em que não há nenhuma conversa entre o mestre e aluno, qualquer comunicação necessária entre ambos acontece na área da consciência, que na realidade é a área da comunicação espiritual. Não é necessário falar ou pensar quando duas pessoas estão sintonizadas, mas não podem se harmonizar por algo em comum de caráter humano  somente pelo conhecimento do EU SOU. Quando não entram os sentidos, seja na comunicação ou na receptividade, aí acontece o verdadeiro ensinamento. Tudo se realiza inteiramente no plano espiritual. Quando o Absoluto é encontrado e o aluno eleva-se com seu mestre até a Consciência Divina, o mero sentido humano da verdade se esvai.

O mestre espiritual não é um paranormal ou vidente. Nunca invade a mente do aluno, nem tenta influenciá-lo através do pensamento, mesmo que seja com o bem. O trabalho do mestre é puramente espiritual, para que ele faça contato com Deus, deixando que aconteça no momento certo. O destino definitivo do aluno é a realização em sua própria consciência. Realmente ele recebeu benefícios de seu mestre, do ensinamento ou dos livros. Todavia, os livros não produzem tal realização, são meras ferramentas, instrumentos que funcionam antes de se mergulhar em períodos de meditação contemplativa. Quando se está em prece, em comunhão consigo mesmo em seu santuário interno, a transição se instala, a Palavra é ouvida e finalmente a indissolúvel união é revelada.

Se o mestre está em união consciente com Deus, e o aluno está sintonizado com sua consciência, cedo ou tarde esse aluno terá de algum modo uma experiência. Pode ser uma experiência na qual ele tenha uma verdadeira percepção da Presença de Deus. Se for cristão, pode ser o reconhecimento de uma Presença que ele identifica como Jesus; se for budista, pode identificá-la como Buda; mas sempre é a mesma Consciência revelando-se de formas diferentes. Até mesmo em pensamento pode, aparecer como uma pessoa. Será Deus se revelando, e o que o aluno conclui é simplesmente a aparência daquilo que mais se aproxima de sua ideia de um mestre espiritual.

O mestre espiritual faz contato consciente com Deus, e se o aluno está suficientemente sintonizado, essa união consciente pode um momento aparecer ao estudante, como uma experiência mística, na qual contemplará alguma forma de Realidade que será traduzida de acordo com seu próprio estado de consciência. Através do contato que o mestre tem com Deus, o aluno recebe essa experiência e sua iluminação, mas nenhum mestre pode fazer isso por ele. Aquele que estiver ansiando, desejando ou apenas tentando fazer isso através de meios mentais, irá apenas se frustrar, podendo ser conduzido ao perigo. A Verdade partilha-se à si mesma, através da consciência do mestre, e quando o aluno está receptivo, o ensinamento é recebido. Mas devido a essa comunicação não ser recebida pela mente, mas sim pela Alma, o aluno não se encontra apto a fazer um rígido exame sobre ela. A única maneira de saber o que se está recebendo é pela luz que brilha em sua face e pelos frutos do Espírito que surgem dessa experiência.

Joel S. Goldsmith

Nenhum mestre pode completar a jornada para o aluno - parte 2

Dar e receber instrução espiritual é um ato sagrado e isso deve ser um comprometimento de ambos, alunos e mestre com a máxima dedicação e consagração. A verdadeira instrução espiritual só começa quando o aluno está apto a se voltar a Deus (Perene Consciência Amorosa Integrativa) com toda receptividade, a fim de poder escutá-Lo; ou, quando o aluno encontra seu mestre ou seus ensinamentos sem questionamentos, sem nenhum desejo, a não ser: "Que a Verdade se revele a mim". 

A correta atitude do aluno é a de sentar-se aos pós do mestre, sem questionamentos, mas quase como uma súplica "Dê-me a compreensão de Deus! Revele-me Deus!; revele-me a Verdade". Ao se sentar em silenciosa expectativa, confiança e segurança, o mestre terá condição para deixar que a palavra de Deus (Perene Consciência Amorosa Integrativa) atravesse a consciência do aluno, e então, não será um mestre falando, não um homem ou uma mulher, mas o verdadeiro Espírito de Deus. 

No oriente esse tipo de ensinamento era conhecido por séculos antes da era cristã. Nesse sistema há um mestre que atingiu alguma medida de sabedoria espiritual — um pouco mais, um pouco menos — e que senta-se em silêncio em sua caverna, em seu retiro na montanha ou à beira de um rio e, gradualmente, atrai aqueles que se sentem atraídos para ele. Estes, então, tornam-se o grupo de discípulos. Ele se sentarão em torno do mestre, virão dia após dia para um encontro, e algumas vezes permanecem por duas, três ou quatro noites e dias, ou até por anos, dormindo ao relento se necessário, até que alguma medida de luz penetre em sua consciência. 

Existem outros mestres na Índia que fundaram ashrams, ou estabeleceram pequenos templos ou lugares de adoração, onde os alunos podem ir, imbuídos por um impulso interno. Com certeza não há nenhum anúncio sobre isso, nem se procuram alunos para esses ensinamentos (atração ao invés de promoção). Pessoas às vezes atravessam milhas e milhas para apenas passar uma semana ou duas com um determinado mestre. Algumas vão e retornam com o mesmo mestre por muitos anos, porque, ainda hoje, apesar do rádio e da televisão, existem pessoas, particularmente no Oriente, que não acreditam que a Verdade pode ser partilhada ou absorvida num movimentado final de semana. Por isso, eles dispensam normalmente três, sete ou mais anos com seus mestres. 

Quando o aluno se vê na presença de um mestre espiritual, se orou séria e honestamente para permanecer com seu mestre ou ensinamento, estará na presença de alguém que, apesar de ter pouca instrução para oferecer, pelas horas de meditação e união com Deus (Perene Consciência Amorosa Integrativa), será como uma transparência do Espírito que se revela através dele, seja por palavras, pensamentos ou em completo silêncio. De qualquer forma, a instrução está sendo dada, pois, se o aluno estiver receptivo, receberá essa dádiva. 

Então, o trabalho é primeiramente a meditação, com ocasionais partilhas da Verdade, por parte do mestre, que o aluno pode se utilizar nas meditações até atingir o grau de compreensão de algumas dessas verdades. 

Se a mente do aluno vive num estado de questionamento e disputa, se ele duvida ou ainda não reconheceu seu mestre, não pode aceitar suas instruções. A Verdade só pode ser recebida quando o aluno chega ao ponto de humildade de admitir: "Sinto-me vazio; não sei nada. Preencha-me". Então, quando ele vai à presença de seu mestre ou busca por seus ensinamentos, estará preparado a aceitá-lo humildemente e sem argumentos (conteúdo da mente adquirida), porque algo internamente diz que essa é a Verdade e precisa seguir esse Caminho. 

Nenhum aspirante ao Caminho Espiritual poderá ser influenciado a seguir determinado ensinamento por que seus amigos assim o fizeram, estão entusiasmados por ele, ou porque parece ser bem sucedido e popular. Ninguém deve ter pressa em seguir seu mestre ou ensinamento. É preferível que a pessoa aguarde até que haja uma convicção interna de que encontrou o caminho correto e que não voltará atrás. Então, quando lhe é revelado que esse é o seu caminho, ele o seguirá, mesmo que se torne uma grande dificuldade.  

Quando um aluno encontra seu ensinamento espiritual deverá abandonar todos os demais, e ser tão sincero com esses ensinamentos e seu mestre, da mesma forma que deseja que o mestre seja com ele. Um discípulo tem o direito de esperar de seu mestre completa e total devoção a Deus, e também toda a assistência que puder oferecer ao seu desenvolvimento: mas ele deve ter a mesma devoção a Deus, ao seu mestre e ao ensinamento, abandonando todos os outros, apegando-se apenas a ele. 

Ninguém poderia montar dois cavalos numa corrida. Nunca será bem sucedido. Jesus advertiu que haveriam muitas pessoas que colocariam sobre si o Manto, elevando-se a si próprios como o Cristo. Há muitos instrutores desfilando sobre a bandeira da Verdade que não tem compreensão alguma, ou absolutamente nenhum relacionamento com Ela. Ninguém pode dizer ao outro quem é. O aluno deve permitir que o Espírito em si saiba se o mestre com quem está trabalhando "é aquele que deveria ser". 

(...) Ninguém pode decidir por outros quais mestres ou quais ensinamentos são verdadeiros ou falsos. cada um deve perceber intimamente e medir o que lhe é oferecido., diante da prova de uma verdade irrefutável. Pelos frutos do ensinamento e através da vida do mestre, cada um vai definir qual ensinamento lhe serve, mas ninguém poderá trabalhar com dois, três ou quatro ao mesmo tempo. O mestre convocou seus discípulos para deixar seus vínculos — deixar seu passado, deixar tudo aquilo pelo qual estava convictos, deixar tudo que os precedia — para segui-Lo  e torná-los pescadores de homens. 

Quando uma pessoa volta-se a Deus (Perene Consciência Amorosa Integrativa), tem que ser com total entrega e completa devoção. No início isso não é possível porque todos tem algumas convicções religiosas, mesmo que de caráter ateístico. O aluno que se volta para a Verdade, descobre que muitas de suas crenças anteriores eram ensinamentos humanos errôneos ou interpretações de ensinamentos, e, os seguia, era por obediência cega e ignorante. Então, quando se volta para a Verdade, choca-se ao descobrir que não pode continuar a aceitar algumas de suas mais caras crenças, pois, para a sua percepção esclarecida, não são verdadeiras. Para deixar algumas ele se submete facilmente, porém com outras ele ainda se apega com grande tenacidade. 

A entrega de tudo o que o aluno tem de mais sagrado, muitas vezes se estabelece contra suas convicções internas, contra a fé e crenças que estavam arraigadas por anos e anos. Ele encontra dificuldade em abandoná-las, e, embora continue tentando compreender o novo, permanece ainda apegado ao velho

O caminho da Verdade não é fácil. Não é fácil ser um buscador de Deus, porque ao final temos de nos despojar de todas as nossas queridas convicções, para que chegue o novo dia em que acontecerá a grande descoberta de que Deus está dentro de nós

Joel S. Goldsmith

PS - Negritos e itálicos por parte do blogador

Nenhum mestre pode completar a jornada para o aluno - parte 1

"E todos serão ensinados por Deus"- João 6:45


Todo o trabalho do caminho espiritual é dirigido para o desenvolvimento de uma consciência mais elevada do que aquela que se expressa pelo intelecto humano. No início, quando não havia o conhecimento do bem e o mal (dualidade), o homem vivia na Divina Consciência (Perene Consciência Amorosa Integrativa), mas após o que é conhecido como a "Queda do Homem" (a identificação com a mente adquirida), ele passou a ter consciência de si mesmo (processo formador de imagens separatistas). O homem ainda não possui a Consciência do Pai (Perene Consciência Amorosa Integrativa), ele tem uma consciência de morte, como todos aqueles que estão sob a crença universal em dois poderes (dualidade, ilusão de separatividade). A proposta do trabalho no caminho espiritual (novo paradigma), é sobre o retorno do homem para um estado de consciência divino (Perene Consciência Amorosa Integrativa). 

Em alguns casos, a dádiva da mente que estava em Jesus Cristo desperta a mente a mente de um indivíduo quando, através de algum ato de Graça dentro dele, o Mestre — não estou falando agora do homem: estou falando sobre o Mestre, a Divina Consciência —toca um indivíduo e atua nele, sem ajuda de um instrutor ou de um ensinamento. 

Paulo que recebeu sua iluminação trinta anos após a crucifixão de Jesus, não teve um mestre para levá-lo à transformação espiritual que se firmou nele. Seu instrutor religioso, Gamaliel teve a escola da teologia hebraica, mas provavelmente com pouco conhecimento espiritual, sendo que o Poder Espiritual parecia estar completamente ausente nele. Então, esse Saulo de Tarso, que estava fora, em missão de perseguir, ajudando a matar cristãos, esse Paulo, um dos mais bem educados e treinados em erudição religiosa, mas aparentemente sem nenhum traço espiritual, recebeu a iluminação de dentro dele mesmo, sem ajuda de um mestre ou de um ensinamento de outro plano

Paulo recebeu seu ensinamento e iluminação diretamente do próprio Espírito do Cristo (Perene Consciência Amorosa Integrativa), mas isso não ficou bem testemunhado. Por causa da sua identificação com o movimento judaico nos dias do Messias ele atribuiu a sua iluminação ao homem Jesus que apareceu para ele e o instruiu. Isso aconteceu porque a consciência de Jesus na época foi o instrumento dessa iluminação, como no caso de João que clamava que havia recebido instruções de Jesus Cristo, mesmo após cinquenta anos da Sua Crucifixão. 

Gautama, o Buda, passou de mestre para mestre por sete anos ou mais; e quando havia absorvido algo de cada um, somente quando apartou-se de todos esses mestres e passou a procurar dentro de si próprio, foi que teve a experiência de completa iluminação, sob a árvore Bodhi. 

Sem ajuda de um instrutor ou ensinamento, esses homens indubitavelmente receberam sua iluminação através da própria devoção interna, na procura da Verdade. Eles estavam plenamente cientes (prontificados) de que sem uma mente iluminada o homem espiritualmente não é nada: mas com ela, ele é Tudo

Existem duas maneiras de receber instrução no caminho da iluminação, mas sempre esses ensinamentos envolvem um desenvolvimento progressivo feito por etapas (processo). Uma forma é aquela em que há uma ligação direta com Deus (Perene Consciência Amorosa Integrativa) para com a consciência do discípulo, a forma pela qual Gautama, o Buda, Jesus, João e Paulo foram abençoados. A outra maneira é através do contato direto com um mestre e seu ensinamento, através de seus escritos (Krishnamurti, Osho, Ramana, etc.) Em qualquer caso, se a instrução for de natureza verdadeiramente espiritual (sem a intromissão da mente adquirida) , será Deus (PCAI) revelando-se a Si Próprio. 

Vindo sob certo grau de desenvolvimento da mente que também estava em Jesus, foi por séculos a atividade de mestres que trabalhavam com seus discípulos. E estes, através do ensinamento e aplicando verdades específicas mais o contato com a consciência do mestre, iam gradualmente obtendo a luz e o poder espiritual até finalmente atingir a superação final (a libertação do passado, dos condicionamentos, da memória). 

Ninguém pode atingir a iluminação espiritual por escolha. Se fosse possível, provavelmente aqueles que se ocupam com os grandes recursos financeiros, seriam os primeiros a recebê-la, porque se estivessem interessados em encontrar Deus, poderiam procurar por um instrutor espiritual e conseguir que este desse a eles toda a instrução necessária até atingir a sua meta. Iluminação espiritual, porém, não pode ser adquirida através do dinheiro.

Nenhum mestre jamais escolhe um discípulo por qualquer razão humana: seja porque tem dinheiro, tempo, ou porque ele pode ser um bom amigo. O mestre conhece a consciência do aluno e o guia incessantemente, cuidando e esperando pelos sinais (defunto bom) que indiquem que está na hora de uma preparação, não apenas para receber a Graça Divina (libertação do passado), mas também que tem capacidade de permanecer n'Ela. 

A não ser que uma pessoa seja uma das poucas aptas (prontificadas) a receber a Graça, sem a ajuda de um instrutor humano, indubitavelmente chegará um tempo em que será necessária a presença física do mestre. Diz-se que quando o aluno está pronto o mestre aparece. Isto não quer dizer que é quando o aluno pensa que está pronto; não tem nenhum relacionamento com o que o aluno pensa. Isso significa o momento em que realmente o aluno está pronto. 

Mas quando o aluno saberá que está pronto? Quando o Mestre aparecer e lhe der um tapinha no ombro. Até aí o discípulo não tem nada a fazer a não ser permanecer consigo mesmo, em companhia interna, aceitando toda a orientação que vier e que ele sinta que seja correta, orando para que o dia da iluminação aconteça. Nesse dia o mestre vai se regozijar antes que o aluno o faça, e normalmente ficará aguardando que ele compreenda. Daí vem uma experiência que na vida humana é chamada "amor à primeira vista". É quando o mestre reconhece o discípulo e o discípulo reconhece o mestre. 

É possível às vezes que um mestre espiritual julgue mal a prontidão do aluno. Provavelmente não teria Jesus calculado adequadamente a prontidão a respeito de seus doze discípulos, mas Ele tocou aqueles que estavam mais próximos de estar prontos, mesmo assim nem tanto. Dois ou três deles saíram-se razoavelmente bem e essa é uma boa porcentagem. Temos que lembrar que Ele entrou em contato com um limitado número de pessoas, muitos deles ignorantes, iletrados e certamente não treinados em assuntos espirituais. Fossem todos essênios, provavelmente esses discípulos teriam compreendido melhor os ensinamentos, porém não eram. 

É difícil, quase impossível para qualquer mestre dizer: "Você é perfeito. Você está próximo de atingir a completa realização". O máximo que um mestre pode fazer é sentir quando o aluno está pronto (defunto bom), não que ele esteja no caminho de uma auto-realização ou a caminho de atingir os ápices da realização espiritual, mas que demonstre todas as qualidades necessárias para alcançá-la, ou então, que esteja claro para o aluno se vai ou não atingir seu objetivo. 

Nesse ponto dá ao aluno tudo o que tem para dar, e permanece com ele até estar apto (prontificado) para completar a jornada. Nenhum mestre pode completar a jornada para o aluno: pode apenas aceitá-lo, elevá-lo, ajudá-lo a desenvolver o discernimento (do óbvio), e, no devido tempo, quando estiver internamente instruído, dar-lhe a iniciação. O estudante, trabalhando com o mestre pode avançar muito, mas se ele poderá atingir a completa medida numa vida é algo que ninguém pode prever.   

Joel S. Goldsmith 

PS - Grifos e itálicos por parte do blogador

O que é a contemplação?

A contemplação é a mais alta expressão de vida intelectual e espiritual do homem. É a própria vida do intelecto e do espírito, plenamente despertada, plenamente ativa, plenamente consciente de que está viva. É um espanto espiritual, uma admiração. Um temor espontâneo, reverencial, diante do caráter sagrado da vida, do ser. É gratidão pelo Dom da vida, pela consciência despertada, pelo ser. É a consciência viva do fato de que, em nós, a vida e o ser procedem de uma Fonte invisível, transcendente e infinitamente abundante. A contemplação é, acima de tudo, a consciência da realidade dessa Fonte. Ela conhece a Fonte, obscuramente, de modo inexplicável, mas com uma certeza que vai além, tanto da razão como da simples fé. Pois a contemplação é uma espécie de visão espiritual a que, pela sua própria natureza, tanto a razão como a fé aspiram, porque sem ela permanecem forçosamente incompletas. A contemplação, entretanto, não é a visão, pois vê “sem ver” e conhece “sem conhecer”. É fé em maior profundidade, conhecimento demasiadamente penetrante para poder ser aprendido em imagens, palavras ou mesmo conceitos claros. Pode ser sugerida por palavras, por símbolos, mas, no próprio momento em que procura indicar o que conhece, o espírito contemplativo retira o que disse e nega o que afirmou. Pois na contemplação conhecemos “não conhecendo”. Ou, melhor, conhecemos além de todo conhecer ou “não conhecer”. 

A poesia, a música e a arte têm algo em comum com a experiência contemplativa. Mas a contemplação vai além da intuição estética, da arte, da poesia. Vai, em realidade, além da filosofia e da teologia especulativa. A contemplação resume, transcende e realiza tudo isso e, contudo, parece, ao mesmo tempo pôr de lado e negar tudo. A contemplação vai sempre além de nosso conhecimento, nossas luzes, nossos sistemas, nossas explicações, nosso discursar; vai além do diálogo e além do nosso próprio ser. Para entrar no mundo da contemplação, em certo sentido, temos de morrer. Mas tal morte é, na verdade, passagem para uma vida mais elevada. É morte por causa da vida; deixa atrás de si tudo o que podemos conhecer ou ter em apreço sob forma de vida, pensamento, experiência, alegria, ser.

A contemplação, pois, parece invalidar e desfazer-se de qualquer outra forma de intuição e experiência – seja na arte, na filosofia, na teologia, na liturgia ou nas áreas comuns do amar e do crer. Essa rejeição é, está claro, apenas aparente. A contemplação é e tem de ser compatível com todas essas coisas, pois é a sua mais alta realização. Todavia, na experiência concreta da contemplação perdemos, momentaneamente, todas as outras experiências. Elas “morrem” para nascerem de novo, num plano de vida mais alto.

Em outras palavras, portanto, a contemplação atinge o conhecimento e mesmo a experiência do Deus transcendente e inexprimível. Conhece a Deus parecendo tocá-lo. Ou melhor, conhece-o como se fora por ele tocado... Tocado por Aquele que não tem mãos, mas é a pura Realidade e a fonte de tudo que é real! Daí ser a contemplação um dom, uma tomada de consciência repentina, um despertar à infinita Realidade que existe dentro de tudo que é real. Uma consciência viva do Ser infinito nas raízes de nosso próprio ser limitado. Uma consciência de nossa realidade contingente como algo de recebido, um presente de Deus, um dom gratuito de amor. Esse é o contato existencial de que falamos, quando empregamos a metáfora: “somos tocados por Deus”.

A contemplação é também a resposta a um chamado. Um chamado daquele que não tem voz e no entanto se faz ouvir em tudo que existe, e que, sobretudo, fala nas profundezas de nosso próprio ser, pois nós somos palavras dele. Mas somos palavras que existem para responder a ele, atendê-lo, fazer-lhe eco e mesmo, de certo modo, para estarem repletas dele, contê-lo e significá-lo. A contemplação é esse eco. É uma profunda ressonância no mais íntimo centro de nosso espírito, onde nossa própria vida perde sua voz específica e ecoa a majestade e a misericórdia daquele que é oculto mas Vivo. Ele responde a si mesmo em nós, e essa resposta é vida divina, criação divina, fazendo novas todas as coisas. Nós próprios nos tornamos eco e resposta dele. É como se, ao criar-nos, Deus fizesse uma pergunta e, ao nos despertar para a contemplação, ele mesmo respondesse a pergunta, de modo que o contemplativo é, ao mesmo tempo, pergunta e resposta.

A vida de contemplação implica dois planos de tomada de consciência: primeiro, estar consciente da pergunta e, segundo, estar consciente da resposta. Conquanto sejam esses dois planos distintos e tremendamente diferentes, são, todavia, uma tomada de consciência da mesma coisa. A pergunta é, ela mesma, a resposta. É nós mesmos somos ambas. Entretanto, ignoramos esse fato enquanto não penetramos na segunda espécie de tomada de consciência. Despertamos, não para encontrar uma resposta absolutamente distinta da pergunta, mas para compreender que a pergunta já é a própria resposta. E tudo se resume numa única tomada de consciência – não uma proposição, mas uma experiência: “EU SOU”.

A contemplação de que falo aqui não é filosófica. Não é a tomada de consciência estática de essências metafísicas apreendidas como objetos espirituais, imutáveis e eternos. Não é a contemplação de ideias abstratas. É o aprender religioso de Deus, através de minha vida em Deus, ou através da “filiação”, como diz o Novo Testamento. “Pois todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus... O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus...” A contemplação de que falo é pois um dom religioso e transcendente. Não é algo a que possamos atingir sozinhos pelo esforço intelectual e o aperfeiçoamento de nossas potências naturais. Não é uma espécie de auto-hipnose, resultando da concentração, sobre o nosso próprio ser íntimo, espiritual. Não é fruto de nosso próprio esforço. É o dom de Deus que, em sua misericórdia, completa o trabalho oculto e misterioso da criação em nós, iluminando nosso espírito e nosso coração, despertando em nós a consciência de que somos palavras proferidas em sua Única Palavra, e que o seu Espírito Criador (Creator Spiritus) habita em nós e nós nele. Que estamos “em Cristo” e que Cristo vive em nós. Que a vida natural foi completada, elevada, transformada e plenamente realizada em nós in Christo, pelo Espírito Santo. A contemplação é a consciência e a compreensão, e mesmo, em certo sentido, a experiência daquilo que cada cristão crê obscuramente: “Agora não sou mais eu que vive; é o Cristo quem vive em mim”.

Por isso, a contemplação é mais do que mero considerar de verdades abstratas sobre Deus; mais, até, do que a meditação afetiva das coisas em que cremos. É um despertar, uma iluminação, e a apreensão intuitiva, espantosa, com que o amor se certifica da intervenção criadora e dinâmica de Deus em nossa vida cotidiana. A contemplação, portanto, não “encontra” simplesmente uma ideia clara sobre Deus, confinando-o dentro dos limites dessa ideia, retendo-o como um prisioneiro a quem se pode sempre voltar. Pelo contrário, a contemplação é que é por ele arrebatada e transportada ao próprio domínio dele, seu mistério, sua liberdade. É um conhecimento puro e virginal, pobre em conceitos, mais pobre ainda em raciocínios, mas capaz, por sua própria pobreza e pureza, de seguir a Palavra “aonde quer que vá”.

(Thomas Merton, “Novas Sementes de Contemplação”, Fisus Editora, pág. 9-13)

Deus, a não mente


O estado de não mente, a ausência da mente, é o estado do Divino. DEUS não é um pensamento, mas sim, a experiência da ausência de pensamentos.
ELE não é um conteúdo dentro da mente, mas sim, a explosão que ocorre quando a mente está sem conteúdo. Não é um objeto que você pode ver, é a própria capacidade de ver. Ele não é aquilo que é visto, mas sim, aquele que Vê. Não é como as nuvens que passam no céu, é como um céu que não há nuvens. ELE é o céu vazio.

Quando a consciência não está presa a qualquer objeto externo, quando não há nada para ver, nada para ser pensado, apenas o vazio em volta, então, você recai em si mesmo. Não há para onde ir, e é possível relaxar na própria fonte do Ser, e esta fonte é DEUS, O supremo e o inexprimível.

Seu Ser interior é simplesmente o céu interior.O céu está vazio, mas é este céu vazio que contém todas as coisas, toda a existência: O Sol, a Lua, as estrelas, a terra, os planetas. É o céu vazio que da espaço para tudo aquilo que existe, é o céu vazio que está por trás de tudo que existe. As coisas e os momentos passam, mas o céu permanece o mesmo, seu céu interior é exatamente assim, também está vazio. Nuvens passam, planetas nascem e desaparecem, estrelas são geradas e morrem, mas o céu interior permanece o mesmo: Intocado, Transparente. Damos a esse céu interior,o nome de 'A TESTEMUNHA', e esse é o objetivo da meditação. Aprofunde-se, desfrute o céu interior.

Lembre-se, não importa o que você puder ver, você não será isto. Se puder ver pensamentos, você não é pensamento. Se puder ver seus sentimentos, você não é seus sentimentos. Se puder ver seus sonhos, desejos, lembranças, projeções, então você não é nenhum deles. Vá em frente, eliminando tudo que você puder ver. Então,um dia, chega um momento muito especial, o momento mais significante na vida de uma pessoa, no qual não sobra mais nada para ser rejeitado. Tudo que foi visto desaparece, e apenas o observador está ali. E esse observador é o céu vazio.

Conhecer isto, é não ter o que temer. Conhecer isto, é estar cheio de amor. Conhecer isto, é ser DEUS, é ser Imortal. Não é possível contaminar o céu, deixar rastros ou marcas nele.

Podemos desenhar linhas na água, mas, assim que as linhas são criadas, elas desaparecem. No entanto, se traçarmos linhas em uma pedra, irão durar milhares de anos. Simplesmente, não é possível desenhar linhas no céu. Então não podemos nem falar que elas desaparecem. É importante que você compreenda a diferença, as linhas não podem ser desenhadas no céu. Posso mover meu dedo através do céu. O dedo passa, mas não há um traçado, e, sendo assim, não podemos nem mesmo falar em algo que possa desaparecer.

No dia em que uma pessoa vai além da mente, quando sua consciência transcender a mente, irá vivenciar que assim como o céu, até então nenhuma marca ou linha foi desenhada na Alma. Não é possível poluí-la, porque ela é eternamente pura, eternamente Iluminada.

O S H O - O livro da Transformação


Os três princípios mentais do homem

O homem tem três princípios mentais ou subdivisões da mente e que eles pertencem a um plano inferior ao do espírito. O «Eu» é espírito, mas os seus princípios mentais são de ordem inferior.[...]

Em primeiro lugar, temos a mente instintiva, que é comum ao homem e aos animais inferiores. É o primeiro princípio mental que aparece na escala da evolução. Nas suas fases mais baixas, a consciência é pouco perceptível e a mera sensação ocupa o seu lugar. Nos seus graus superiores, a mente instintiva atinge quase a razão ou o intelecto; pode-se dizer que ambos se entrelaçam. A mente instintiva desempenha uma tarefa importante, dirigindo a manutenção de vida animal no nosso corpo, tratando de restaurar as suas partes e forças, substituir, mudar, fazer digestão, assimilação, eliminação, etc., tudo que pertence às atividades sob o plano da consciência.

Tudo isto, porém, é apenas uma pequena parte da obra da mente instintiva; porque esta parte da mente armazena todas as experiências que temos feito nós e os nossos antepassados no decurso da evolução das mais baixas formas de vida animal até ao presente estado de evolução. Todos os velhos instintos animais (que foram todos bons no seu lugar e muito necessários para o bem-estar das formas inferiores da vida) deixaram vestígios nesta parte da mente, os quais podem aparecer à dianteira sob a pressão de certas circunstâncias, ainda que nos pareça que já há muito tempo que nos temos libertado deles. Nesta parte da mente, encontram-se vestígios do velho instinto animal de combater; todas as paixões animais; todo o ódio, inveja, ciúme e o resto, tudo isto é nossa herança do passado. A mente instintiva é também a sede dos hábitos; nela estão armazenados todos os hábitos, pequenos e grandes, de muitas vidas, ou antes, todos aqueles que não foram extintos por hábitos novos, de natureza mais forte. A mente instintiva é um interessante armazém, que contém muitas variedades de objetos, dos quais alguns são muito bons em si mesmos, mas outros pertencem à pior espécie de lixo e varreduras.
Esta parte da mente é também a sede dos apetites, paixões, desejos, instintos, sensações, sentimentos e emoções de ordem inferior, que se manifestam nos animais inferiores, no homem primitivo, no bárbaro e no homem atual, com a diferença que existe apenas no grau do domínio e controlo que as partes mais elevadas da mente exercem sobre eles. Há também desejes superiores, aspirações, etc., pertencentes à parte superior da mente, os quais mais adiante descreveremos; mas a «natureza animal» pertence à mente instintiva. Pertencem-lhe igualmente os «sentimentos» da nossa natureza emocional e apaixonável. Todos os desejos animais, como a fome e a sede; os desejos sexuais (no plano físico); todas as paixões, como o amor físico; o ódio, a inveja, a malícia, o ciúme, a vingança, etc., são partes da mente instintiva. O desejo de objetos físicos (quando não serve como meio para fins mais altos) e a aspiração a coisas materiais pertencem a esta região mental. A concupiscência da carne; a concupiscência da vista; o orgulho da vida, fazem parte da mente instintiva.
 
Notai, porém, que não estamos a condenar as coisas que pertencem a este plano da mente. Todas elas têm o seu lugar; muitas foram necessárias no passado e algumas ainda são necessária para a continuação da vida física. Todas são boas no seu lugar e para os que se acham no plano particular de desenvolvimento a que essas coisas pertencem; elas são más só quando nos deixamos dominar por elas ou quando alguém torna a entregar-se a alguma delas depois de a ter já abandonado, por ser indigna dele no seu desenvolvimento individual. Esta lição não se ocupa do bom e mau uso destas coisas (de que já temos tratado em outro lugar); mencionamos esta parte da mente para que compreendais que tendes essas coisas no vosso depósito mental e para que vos seja conhecido o pensamento que dali provém, quando chegarmos a analisar a mente mais adiante nesta lição. Por era pedimos unicamente que fiqueis compenetrados da convicção de que esta parte da mente vos pertence, mas não é vós mesmo: não é parte do vosso «Eu».

Logo acima da mente instintiva está o intelecto, isto é, aquela parte da mente de que nos servimos para raciocinar, analisar, «pensar», etc. Dela vos servis, estudando esta lição. Porém, notai isto: — servi-vos dela, mas ela não é vós mesmo, igualmente como não o foi a mente instintiva que consideramos um momento antes. Podereis fazer a separação, se pensardes um só instante. Não ocuparemos o vosso tempo com a consideração do intelecto ou razão. Em qualquer boa obra elementar de psicologia encontrareis uma boa descrição desta parte da mente, que nós mencionamos somente para poderdes fazer a classificação e para podermos mostrar-vos mais adiante que o intelecto não é o «Eu» real mesmo, como muitos pensam, mas apenas um instrumento do Ego.

O terceiro e o mais alto princípio mental é a mente espiritual, aquela parte da mente que é quase desconhecida à maioria da humanidade, mas que se desenvolve na consciência de quase todos os que lêem esta lição, porque o fato de o assunto desta lição vos atrair é uma prova de que esta parte da vossa natureza mental se está a desenvolver na consciência. Esta região da mente é a fonte daquilo que se chama «gênio», «inspiração», «espiritualidade», e de tudo aquilo que consideramos como «o mais alto» do nosso depósito mental. Todas as grandes ideias e pensamentos elevados fluem ao campo da consciência, emanando desta parte da mente. Toda a grande evolucão da raça provém daqui. Todas as mais altas ideias mentais que vieram ao homem na sua jornada evolucionária ascendente, que tem por fim ações nobres, verdadeiro sentimento religioso, afabilidade, humanidade, justiça, amor altruísta, graça, simpatia, etc., vieram-lhe através da sua mente espiritual que se desenvolve pouco a pouco. Dela lhe vem o amor de Deus e o amor do próximo. O conhecimento das grandes verdades ocultas lhe vem por este canal. O perfeito conhecimento do «Eu» , que nos esforçamos por vos ensinar nestas lições, há de vir-vos por meio da mente espiritual que desenvolve as suas ideias até ao campo da consciência.

Mas também esta grande e maravilhosa parte da mente não é senão um instrumento — muito perfeito, é verdade, mas apenas um instrumento — do Ego ou «Eu».

Queremos dar-vos um pequeno exercício de treinamento mental, com o fim de vos tornardes capaz de distinguir prontamente o «Eu» da mente ou dos estados mentais. Mas advertimos o estudante de que toda a parte, todo o plano e toda a função da mente são bons e necessários, sendo errôneo pensar que, porque lhe dizemos que deve deixar de se ocupar primeiro com esta e depois com aquela parte da mente, a estejamos menosprezando ou que a consideramos um lastro ou obstáculo. Longe disso, nós sabemos e reconhecemos que é servindo-se da mente que o homem se torna capaz de chegar ao conhecimento da suas verdadeira natureza e que ainda em muitos graus o seu progresso dependerá do desenvolvimento das suas faculdades mentais.

O homem serve-se atualmente apenas das partes mais baixas e inferiores da mente, tendo no seu mundo mental regiões ainda inexploradas de que não pode fazer ideia nem a mais forte imaginação. E um dos propósitos de «Raja Yoga» ajudar no desenvolvimento destas faculdades e regiões mentais superiores. E longe de desacreditarem a mente, os instrutores de «Raja Yoga» reconhecem os seus poderes e as suas possibilidades e estimulam o estudante a aproveitar as forças latentes que são inerentes à sua alma. 

É somente por meio da mente que podeis entender e compreender as lições que agora vos estamos a dar e que delas podeis tirar proveito e vantagem. Estamos agora a falar diretamente à vossa mente e fazemos-lhe apelo, para que se interesse e se abra ao que está pronto a vir até ela de suas próprias regiões superiores.

Exortamos o intelecto a dirigir a sua atenção a este importante assunto, para pôr menos resistência às verdades que aguardam para serem projetadas da mente espiritual até ele, que conhece a verdade.

Yogue Ramachara

O Real Conhecimento do "Eu"

O Aspirante há de familiarizar-se primeiramente com a realidade do «Eu», antes que possa chegar a conhecer a verdadeira natureza deste «Eu». Este é o primeiro passo. Entre o Aspirante no estado de meditação, acima descrito. Em seguida, deverá concentrar toda a sua atenção no seu Eu individual excluindo todos os pensamentos que se ocupam com o mundo exterior e com outras pessoas. Há de formar na sua mente a ideia de si mesmo como sendo uma coisa real, um ser que existe, uma entidade individual, um Sol ao redor do qual todo o mundo gira. Deve ver-se como um centro, ao redor do qual gira o mundo inteiro. Esta ideia não deve ser turbada por uma falsa modéstia nem por um sentido de depreciação, pois não negais a outros o direito de se considerarem igualmente como centros. Com efeito, vós sois um centro de consciência — o Absoluto assim vos fez e estais a despertar para este fato.

Enquanto o Ego não se reconhecer como sendo um centro de pensamento, influência e poder, não poderá manifestar estas qualidades. E à medida que reconhecer a sua posição como um centro, será capaz de manifestar as suas qualidades. Não é necessário que vos compareis com outros ou imagineis que sois maior ou mais alto do que eles. Tais comparações seriam lastimáveis, pois são indignas do Ego adiantado e indicam uma falta no desenvolvimento. Na vossa meditação, ignorai simplesmente toda a consideração das respectivas qualidades dos outros, e esforçai-vos por reconhecerdes o fato de que sois um grande centro de consciência — um centro de influência — um centro de pensamento; e que, como os planetas rodeiam o Sol, assim o vosso mundo gira ao redor de vós que sois o centro do vosso mundo.
 
Não é necessário que argumenteis isto, nem que vos convençais de que isto é verdade, por meio de raciocínio intelectual. O conhecimento não virá por este caminho; ele virá na forma de uma realização da verdade que gradualmente resplandecerá na vossa consciência por meio de meditação e concentração. («Realização» aqui significa reconhecimento intuitivo). Levai convosco este pensamento de vós mesmo como sendo um «centro de consciência — influência — poder», pois ele é uma verdade oculta e, à medida que puderdes realizar (ou reconhecer intuitivamente) esta verdade, podereis manifestar as qualidades enumeradas.

Por mais humilde que seja a vossa posição — por mais dura que seja a vossa sorte, por mais deficiente que seja a vossa educação —, não quereríeis permutar vosso «Eu» com o mais afortunado, o mais sábio e o mais respeitado homem (ou mulher) do mundo. Se duvidais, pensai um momento sobre isto e vereis que temos razão. Quando dizeis que «quereríeis ser como este ou aquele», pensais somente que quereríeis ter inteligência, poder, saúde, bem-estar, posição, etc., como eles têm. Desejaríeis ter alguma coisa que eles possuem ou semelhante ao que possuem. Não quereríeis, porém, nem por um instante perder a vossa personalidade, nem permutar o EGO (isto é, aquilo que faz que eu seja eu, e vós sejais vós, etc.); pois para serdes a outra pessoa, haveríeis de deixar de ser vós, haveríeis de morrer vós e, em vosso lugar, existiria a outra pessoa. O que vós realmente sois, seria destruído, cessaria de existir: não seria mais vós, mas seria o outro.

Se podeis compreender esta ideia, vedes que não desejais tal permuta nem por um instante. E, na realidade, tal permuta é impossível. O vosso «Eu» não pode ser destruído: é eterno, e irá passando a estados cada vez mais elevados — mas será sempre o mesmo; o vosso «Eu» é o mesmo que era na vossa infância, «Eu» (personalidade), mesmo reconhecendo que houve certamente algumas mudanças na vossa pessoa, desde a infância até à vossa idade atual. Igualmente, no futuro, não obstante atinjais mais conhecimento, experiência, poder e sabedoria, o vosso «Eu» será o mesmo. O «Eu» é a centelha divina que não pode ser extinta.

A maior parte do povo, no presente estado de desenvolvimento da raça, tem apenas uma fraca concepção da realidade do «Eu». Muitos aceitam a afirmação da sua existência e são conscientes de si mesmos como sendo criaturas que comem, dormem e vivem — algo mais alto do que os animais. Mas não chegaram à «percepção» ou realização do «Eu», que há de vir a todos os que devem tornar-se centros de influência e poder. Alguns homens caíram nesta consciência, pelo menos parcialmente, sem terem conhecimento do assunto. Eles «sentiram» a sua verdade e retiraram-se das fileiras da gente vulgar do mundo, tornando-se centros de poder para o bem ou para o mal. Isto é bastante mau porque esta «percepção» sem o conhecimento que a deve acompanhar, pode trazer sofrimento ao indivíduo e a outros.

O Aspirante há de meditar sobre o «Eu» e reconhecê-lo, — senti-lo como sendo um centro. Esta é a sua primeira tarefa. Gravai bem na vossa mente a palavra «Eu» neste sentido e deixai-a cair profundamente na vossa consciência, para que se tome uma parte de vós mesmo. E quando dizeis «Eu», deveis acompanhar esta palavra com a imagem do vosso Ego como um centro de consciência, pensamento, poder e influência. Vêdevos, rodeado pelo vosso mundo. Aonde quer que estejais, está o centro do vosso mundo. Vós sois o centro, e todo o vosso exterior gira ao redor deste centro. Esta é a primeira lição na vereda da Iniciação. Aprendei-a!

Os mestres yogues ensinam que os Aspirantes poderão acelerar a realização do «Eu» como um centro, se entrarem no silêncio ou estado de meditação, repetindo várias vezes o seu nome, lenta, refletida e solenemente. Este exercício tem o fim de concentrar a mente na ideia do «Eu», e muitos casos de aparecimento da aurora de iniciação resultaram desta prática. Alguns pensadores originais descobriram este método sem que lhes tivesse sido ensinado. Um exemplo notável é o de lorde Tennyson, que escreveu que tinha atingido um grau de iniciação por esta maneira. Ele repetia muitas vezes o seu próprio nome, meditando ao mesmo tempo sobre a sua identidade, e relatava que se tornou consciente e podia «perceber» a sua realidade e imortalidade — em poucas palavras, reconhecia-se como um centro real de consciência.

Julgamos que vos foi dada a chave para o primeiro estado de meditação e concentração. Antes de irmos adiante, citaremos um dos antigos mestres hindus. Diz ele a respeito deste assunto: «Quando a alma se vê como um centro circundado pela sua circunferência — quando o Sol sabe que é um Sol e que é rodeado por seus planetas que giram em torno dele — então está preparado para receber a Sabedoria e o Poder dos Mestres».

Yogue Ramachara

A mente serena e a luz da Consciência Pura

Ramana Maharshi tornou-se iluminado com dezessete anos por meio da auto-investigação. Ele não era exclusivamente hindu; não praticava nenhum ritual, e embora muitos de seus seguidores fossem cristãos e muçulmanos, ele nunca recomendou que mudassem de religião. Maharshi ensinava que o objetivo das escrituras religiosas era "fazer que um homem reconstitua seus passos até sua fonte original", uma ideia semelhante ao conceito cristão de "repousar em Deus".

Todas as grandes tradições espirituais do mundo falam dos clarões transitórios da grande introvisão ou iluminação que se dá inesperadamente e depois passa, deixando a quem a teve a certeza de que o estado de consciência comum é muito limitado e enganador. As religiões do mundo descrevem métodos para lograr e conservar um estado alterado de consciência expandida. Elas descrevem os objetivos de expandir e estabilizar esses estados transcendentes, e têm nomes para eles — salvação, SAMADHI, libertação, iluminação, Reino de Deus, divinização, autocompreensão, WU e MUKTI — tudo se referindo ao despertar, à liberdade e à libertação na consciência máxima. 

Esses estados alterados transformam a vida, física, mental, emocional e comportamentalmente. Melhoram a saúde e aguçam as percepções e o entendimento. Compreendemos com certeza a nossa ligação essencial com toda a vida no nível da consciência. Por meio desse conhecimento profundo, de que não estamos separados, a vida assume novo sentido, e nos tornamos mais tranquilos, felizes e piedosos. Os objetivos na vida mudam. Procuramos aprimorar mais a nossa capacidade para ter acesso a esse estado de consciência de amor e energia, e focamos um desejo de ajudar os outros a aprender a fazer o mesmo. 

A oração (centrante e sem som) está disponível para que possamos expandir nossa consciência. Nesse universo da mente não-localizada, quando algo muda, tudo muda. Nosso poder está em mudarmos — em mudar a nossa mente — e, ao fazer isso, elevar a consciência do mundo. 

Todos lemos ou já ouvimos que os seres que despertaram são muito raros no mundo. Isso pode ter sido verdade no passado, mas se continua a ser verdadeiro no presente e continuará a ser no futuro, isso cabe a nós. A luz da Consciência Pura está disponível para iluminar a mente serena. 

Russell Targ — O coração da mente - como ter a experiência de Deus sem dogma, ritual ou crença religiosa

O processo transformativo para a Existência Incondicionada

O relato verdadeiro e não enfeitado de uma vida normal desdobrado nestas páginas, antes do repentino desabrochamento da extraordinária condição mental e nervosa já descrita, suponho seja suficiente para fornecer a ampla corroboração para o fato de que inicialmente, como ser humano, eu não era nem melhor nem pior do que os demais e que não possuía quaisquer características totalmente incomuns, tais como as que estão comumente associadas com os homens de visão, habilitados por favores por um favor divino especial. E também que o atual e excepcional estado de consciência que contínuo possuindo até agora, também não apareceu de repente, mas simplesmente representou a culminância de um contínuo processo de reconstrução biológica, abrangendo não menos de quinze anos antes de que se desse o inconfundível sinal do novo desabrochamento. Este fenômeno continua processando-se em mim, mas mesmo após a experiência de mais de vinte e cinco anos, continuo perdendo-me no assombroso feitiço da misteriosa energia, responsável pelas maravilhas que eu testemunho dia após dia em minha própria constituição mortal. Encaro a manifestação com o mesmo sentimento de respeito, adoração e surpresa com que a observei na primeira ocasião. Meus sentimentos só tem aumentado em intensidade e não diminuído, como acontece geralmente com os fenômenos da esfera material. 

Contrariamente à crença que diz que os atributos espirituais vão crescendo simplesmente graças a causas psíquicas, como por exemplo uma renunciação extrema e autonegação, ou graças a um elevado grau de fervor religioso, constatei que um homem pode elevar-se a um nível de consciência superior, graças a um processo biológico contínuo, tão regular como qualquer outra atividade do corpo, e que em nenhum estágio é necessário ou mesmo desejável para ele que negligencie sua carne ou negue seus sentimentos humanos em seu coração. Um estado mais elevado de consciência, capaz de liberá-lo da escravidão dos sentidos, afigurar-se-ia incompatível, só se levássemos em consideração o prevalecimento de certos fatores biológicos, com uma existência física em que as paixões, os desejos e as necessidades animais do corpo, mesmo que restritas, existem lado a lado. Todavia, confidencialmente, posso dizer que um pouco de controle razoável sobre os apetites, associado com algum conhecimento do poderoso mecanismo e constituição própria, provaram ser um meio mais seguro e certo para o desenvolvimento espiritual do que qualquer tipo de automortificação ou fervor religioso anormal possa fazer.

Tenho todas as razões para crer que a vivência mística e o conhecimento transcendental podem vir ao homem tão naturalmente como a fluidez do gênio, e que para esta façanha não se precisa, salvo para os esforços bem dirigidos como o auto-enobrecimento e a regulação dos apetites, sair excentricamente do curso normal da conduta humana. Mesmo que o processo transformativo seja posto em movimento por esforços voluntários ou espontâneos, pureza de pensamento e conduta disciplinada são essenciais para minimizar a resistência à ação depuradora e remodeladora da poderosa força no organismo. O sujeito tem que emergir da grande provação metamorfoseado apenas mentalmente, e de qualquer maneira normal, sadio com um incomparável intelecto e emoção capazes de avaliar e experimentar por completo a felicidade suprema de uma união arrebatadora e ocasional com o indescritível oceano da consciência no estado transcendente, a fim de distinguir nele próprio a diferença entre o frágil elemento humano, de uma parte, e o espírito imortal, de outra. É somente desta maneira que a incomparável bem-aventurança da libertação pode ser realizada, posto que a Existência Incondicionada, estando além do pálido gozo e seu oposto, em realidade, o verdadeiro desfrutador atual na criatura humana condicionada e limitado pelo ego é o real vedor e ninguém mais.  

Gopi Krishna —Kundalini - A energia evolutiva no homem     

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O curandeiro não "faz" ou "dá" algo ao paciente, mas ajuda-o a voltar para o Todo, para o caminho da "Unidade" com o Universo; neste "encontro" o paciente se torna mais completo, e isto é cura. Nas palavras de Arthur Koestler: "Não há linha divisória nítida entre a auto-reparação e a auto-realização". - Lawrence LeShan

Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)