O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

Os subterfúgios do Ego - parte 2


Se o ego puder enganar o aspirante a ponto de desviá-lo da questão central de sua própria destruição para alguma questão lateral menos importante, certamente o fará. O número de êxitos nesse esforço é muito maior que o de fracassos. Poucos escapam de serem enganados. O ego usa os meios mais sutis para se inserir no pensamento e na vida do aspirante. Trapaceia, engana, exalta e avilta-o alternadamente; basta que ele o permita. Anatole France escreveu que é na habilidade de enganar a si mesmo que se revela o maior talento. É um hábito constante e uma reação instintiva defender o ego contra a evidência dos resultados infelizes de sua própria atividade. O aspirante precisará resguardar-se disso repetidamente, pois os próprios poderes do ego são pateticamente inadequados, e sua própria capacidade de prever está visivelmente ausente.
 
Ele é arrogante, soberbo, presunçoso e autoenganador. Mente para si mesmo, mente para o homem que se identifica com ele e mente para os outros homens, pois gira incessantemente em torno de si mesmo. Todos são crucificados pelo próprio ego. Ele, por natureza, é enganador e, em suas ações, um mentiroso. Pois, se ele revelasse as coisas como realmente são, ou falasse o que é profundamente verdadeiro, teria de expor seu próprio eu como um arqui-impostor que finge ser o próprio homem e oferece a ilusão da felicidade. Ele não reverencia a nenhum Deus senão a si mesmo. Se não pode se afirmar abertamente, o fará insidiosamente. Ele se posiciona como o único eu, o verdadeiro eu – o eu por completo. Se autoestabeleceu por inteiro e, só poderia ter feito isso, ao estabelecer uma ficção no lugar da realidade, se supondo ser o que de fato nunca foi.
Nenhum aspirante sabe o quanto o ego pode fazer para enganar sua mente com fantasias e desviar seus passos com vaidades, pois existem muitas maneiras através das quais ele escapa de suas mãos quando tenta segurá-lo. E, se tenta opor-se ao ego, poderá, através desse mesmo ato, mudar a área de atuação dele que o iludirá fazendo-o crer que o está enfraquecendo em sua atividade!

Também poderá mascarar seu desejo de poder e proeminência com um interesse em servir à humanidade. O verdadeiro altruísmo, de natureza filosófica, não é realizado pelo eu, mas através dele, e nem pelo ego, mas pelo Eu Superior, que o utiliza. Poucos alcançam este grau. A maioria pratica seu altruísmo misturado com motivações egoístas ou, em outros casos, mascarando inteiramente seus motivos, para que isso não venha a perturbar suas ilusões e nem as das outras pessoas. Externamente, o indivíduo poderá estar trabalhando somente pelos propósitos de uma causa, movimento, partido ou instituição. Ele até poderá dizer que é assim que o faz. Mas, internamente, estará na verdade trabalhando para o seu próprio ego, quer dizer, para si mesmo!
 
O poder do ego é tal que logo apaga da mente uma ideia sobre uma reforma moral, revelada no silêncio interno como necessária. Sua postura assume várias formas: tanto elevada como vulgar ou tanto supostamente espiritual como diretamente materialista. 

Ele joga com suas emoções em toda a sua amplitude, utilizando as mais opostas e conflitantes, em situações diferentes, para que se adequem aos seus propósitos.
 
Um homem poderá ser o maior dos tolos e, mesmo assim, seu ego o será mais ainda, impedindo-o dessa forma que se perceba como de fato é.

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O curandeiro não "faz" ou "dá" algo ao paciente, mas ajuda-o a voltar para o Todo, para o caminho da "Unidade" com o Universo; neste "encontro" o paciente se torna mais completo, e isto é cura. Nas palavras de Arthur Koestler: "Não há linha divisória nítida entre a auto-reparação e a auto-realização". - Lawrence LeShan

Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)