O homem propriamente dito deve tomar consciência de sua substância. Assim sendo, o novato passa de um grau para outro, da disciplina corporal para a disciplina emocional e daí para a intelectual. Os três grupos combinam-se para formar um desdobramento progressivo das suas capacidades e de sua compreensão. É importante notar que se trata de etapas e não terminais. A verdade aprendida é sempre proporcional ao nível de compreensão do indivíduo. - PB

As limitações do Intelecto


É verdade que nenhum ser humano poderá chegar á verdade sobre Deus através de seu próprio pensamento, o qual, meramente, é o pensamento do ego. Mas também é verdade que, através de uma penetrante, incisiva e persistente reflexão, ele poderá chegar á verdade que percebe as limitações do ego, as limitações do intelecto e, dessa maneira, saber o momento quando deverá suspender seus esforços, parando-os e entregando-os, através da meditação mística, ao seu lado não pensante de seu ser.

A ideia não é a realidade última, é somente uma manifestação de algo que é a realidade suprema, a qual parece ser uma abstração. Intelectualmente, assim ela deve ser por estar além do poder finito da mentalidade humana de concebê-la. Mas não estará além do poder de uma faculdade superior, latente em nós, de se ter a experiência dessa realidade – pelo menos por certo tempo. Só se saberá se isso é verdade ou não se o intelecto, humildemente, compreender suas próprias limitações e, em certo estágio e de forma voluntária, abrir mão de si mesmo. Na maioria dos casos, isso acontece prematuramente e, como consequência, surgem as decepções e alucinações que são comuns nos círculos místicos. No caso do místico filosófico, tal renúncia do intelecto só viria após o uso máximo do pensamento crítico e da razão analítica. Então, esse seria o momento apropriado para o suicídio do ego, já que, no final, ele será levado a essa mudança repentina. Talvez a afirmação de Jesus, “A não ser que te tornes criança não entrarás no reino dos céus,” seja aqui apropriada, se a compreendermos como um convite à entrega de todo o orgulho humano e não à sua estupidez. 

O pensamento chega ao seu propósito mais elevado quando ele leva ao seu próprio silêncio e a mente transcende todos os pensamentos. 

A mente continuará a ter dúvidas, a formular questões, a criar problemas e ilusões para si, como sempre o fez no passado. Quer dizer, fará isso até chegar à Verdade e descansar no Silêncio.

Ao nos dizer aonde o conhecimento deverá terminar e o mistério começar, ao ser forçado a descrever o Absoluto, nos dizendo o que Ele não é, e então confessar que não pode ir além, o intelecto entregará suas limitações e adquirirá a qualidade da humildade, que é a condição essencial para se receber a graça divina. 

As limitações do intelecto deverão ser reconhecidas, pois só então o ser humano estará pronto para tentar as técnicas filosóficas aonde as palavras são utilizadas para se elevar acima das palavras e os pensamentos direcionados de tal maneira que o aspirante poderá se retirar de todos os pensamentos. 

Corretamente usado, suas limitações compreendidas, suas distorções emocionais e egoístas descartadas, o intelecto poderá então capacitar ao ser humano a pensar corretamente. Dessa maneira, poderá trazer um efeito liberador; de outra forma, provavelmente terá um efeito corruptor.

Desenvolver o intelecto e então saber quando renunciá-lo, será se tornar seu mestre. Ele então terá cumprido seu propósito e servirá ao ser humano em vez de dominá-lo e assim o desequilibrar. 

A mente silenciosa recebe orientações espirituais e permite à Graça que se aproxime; a mente pensante lida com o mundo atendendo às suas atividades.

Paul Brunton – Notebook 5/2 – Capítulo 1
Fonte: Comunidade Facebook Paul Brunton em Português

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O curandeiro não "faz" ou "dá" algo ao paciente, mas ajuda-o a voltar para o Todo, para o caminho da "Unidade" com o Universo; neste "encontro" o paciente se torna mais completo, e isto é cura. Nas palavras de Arthur Koestler: "Não há linha divisória nítida entre a auto-reparação e a auto-realização". - Lawrence LeShan

Observe, você não é aquilo que você pensa que é. Você não é somente aquilo que seu o seu meio ambiente lhe fez. Há mais realidade em si do que aquela que lhe é dada social e externamente. Você possui outra personalidade bastante diferente daquela que você mesmo tem certeza de que você é. — Gopi Krishna

A meditação em si, não é o Caminho. O Caminho é o CONTATO! A meditação apenas serve de meio para atingirmos o silêncio interior, onde o CONTATO é feito. — Joel S. Goldsmith

"Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te procurava no exterior, quando Tu estavas em mim... Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre... e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim." - Agostinho

"A paz que você procura está no silêncio que você não faz"

"Melhor seria viver apenas um único dia no aperfeiçoamento de uma boa vida em meditação do que viver cem anos de forma má e com uma mente indisciplinada.

Melhor seria viver apenas um único dia na busca do entendimento e da meditação do que viver cem anos na ignorância e na imoderação.

Melhor seria viver apenas um único dia no começo de um diligente esforço do que viver cem anos na indolência e inércia.

Melhor seria viver apenas um único dia pensando na origem e na cessação do que é composto do que viver cem anos sem pensar em tal origem e cessação.

Melhor seria viver apenas um único dia na percepção do estado Imortal do que viver cem anos sem tal percepção.

Melhor seria viver apenas um único dia conhecendo a Doutrina Excelsa do que viver cem anos sem conhecer a Doutrina Excelsa". — O Buda, dos DHARMMAPADA

Velai incessantemente para que não haja em vosso coração nenhum pensamento, nem insensato, nem sensato: não tardareis a reconhecer os estrangeiros, isto é, os primogênitos dos egípcios. — Hesíquio, o Sinaíta (Século VIII)